2016-02-06

Os Sentidos da Memória

A Teresa é uma amiga que nos acompanha ao longo de muitos anos e com muitas histórias partilhadas. Numa tarde recente veio-nos à memória uma história simples que eu sabia que já a tinhamos escrito e publicado aqui neste blogue em Janeiro de 2007. Quando a quisemos mostrar, reparámos que tinha perdido o som que na altura nos dera um trabalhão incluí-lo no texto. O mesmo aconteceu a uma série de publicações dessa altura. Mas como tinhamos prometido à nossa amiga que lhe mostrariamos o texto escrito sobre aquela tarde inesperada, aqui vai de novo, pedindo desculpa aos nossos seguidores amigos pela repetição mas com a vantagem de ter recuperado os sons escolhidos na altura... pelo menos esperamos que sim.
 
 
 
Vamos publicar "Os Sentidos da Memória" em três partes que foi a maneira que soubemos fazer para introduzir os dois videos. Publicamos também os comentários dos amigos, alguns deles já desaparecidos, o que nos deixa com uma dor imensa que o tempo não consegue apagar. .


"Sentada em frente da maquina de escrever, reconhecia perfeitamente aquela sensação dolorosa, aquela dificuldade em respirar como se estivesse a ser esmagada por uma força invisivel que trazia à superfície pedaços de espanto e de medo, afundados na memória daquela tarde/noite que corrompera definitivamente o olhar da menina que imaginava o mundo doce, perfumado, macio, melodioso, magnífico.

Aqueles tentáculos emergiam do fundo de si, torturando-a durante dias até se desvanecerem lenta e temporariamente, como ferida que fecha sem sarar.

Olhava frequentemente o relógio, ansiando pelo momento da saída. E, assim que pôde, vestiu o casaco e saiu apressadamente, esbarrando em corpos de colegas que desciam as escadas igualmente apressados.

Ao chegar à rua, viu-o no carro, esperando-a.

Desculpa mas estou muito em baixo, só me apetece desaparecer daqui. Vou para casa!

E ele disse apenas: Eu levo-te!

Sentou-se no carro, fechou os olhos e seguiram calados. Passado algum tempo, o carro parou. Ela abriu os olhos ao ouvir um som pesado e compassado, ao mesmo tempo que um aroma forte entrava despudoradamente pela janela entreaberta:
 

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