2016-02-05


 
 
Onde estamos?
No Guincho! - respondeu ele - Vem que tenho uma surpresa para ti.

Estava um cair de tarde agradável com um vento morno que vinha do mar e se roçava em tudo e em todos.
Ele abriu a porta do seu lado e baixando-se tirou-lhe os sapatos e as meias. Foi ao porta-bagagens e pegou numa mochila que pôs às costas, descalçando-se também.
Deu-lhe a mão e escorregaram pelas dunas de areia, em direcção ao mar que com os seus ímpetos revoltos desabava toneladas de água que faziam estremecer o solo.
Ela parou ao ver o seu companheiro andar para a frente e para trás como se procurasse algo.


De repente disse: Ficamos aqui!
Pôs-se de joelhos, começou a escavar e a juntar a areia, amontoando-a e alisando-a,  fazendo uma espécie de banca. Abriu a mochila e tirou uma toalha branca guarnecida com pequenas cerejas vermelhas bordadas à mão que estendeu sobre a mesa de areia, afagando-a para anular qualquer pequena imperfeição.
E disse: Senta-te!
E ela sentou-se esboçando o primeiro sorriso desse dia.
Ele tornou a abrir a mochila, tirou duas chávenas de porcelana branca com uma grinalda de folhinhas verdes e douradas pintada no topo, colocou-as em cima de pires e estes em frente de cada um deles. A seguir apareceu um açucareiro de vidro com cubos de açúcar, duas pequenas colheres, uma lata azul com biscoitos de canela, e depois um rádio a pilhas que sintonizou na Antena 2.

 




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