2013-05-10

Os corvos e o milho


Caros amigos, cá estamos mais uma vez a tentar recuperar o ritmo de escrita que tínhamos em tempos e que estamos sempre a prometer… e sempre a faltar ao prometido.
Nesta Primavera diferente das demais por continuar chuvosa e fria, estamos preocupados que as baixas temperaturas ponham em causa o desenvolvimento do milho semeado no início de Abril.

As terras estavam frescas na altura da sementeira e deu-nos esperança que a safra fosse muito maior do que a que obtivemos no ano passado, com temperaturas demasiado altas e praticamente sem chuva. Mas não estávamos a contar com um frio tão prolongado, nem com a habituação dos corvos ao nosso estratagema dos rádios ligados.
Os amigos, que nos seguem há vários anos, devem lembrar-se do Miguel, o robot fabricado e oferecido pelo nosso saudoso Mário Portugal, que movimentava os braços, ao mesmo tempo que gritava, mexendo os queixos e faiscando os olhos verdes, para pôr em debandada os corvos que nos comiam o milho recém-semeado.

Mas o robot é de tal maneira interessante que desistimos de o deixar à chuva e ao sol, para passar a ficar protegido, funcionando apenas por poucos minutos para alegria dos amigos que nos visitam.
Passámos então à fase dos rádios, tendo cabos eléctricos estendidos pelo campo de milho, com dois aparelhos de radio a funcionar, sintonizados em programas diferentes, umas vezes com  musica e outras com voz, ligados a um temporizador, o que sempre afugentou a passarada.

Mas este ano, os corvos não se intimidam com os noticiários (que no entanto intimidam a nós) nem com as entrevistas, nem com as músicas, nem com as missas, e ficam calmamente a arrancar o milho, até encher o papo.
Publicamos algumas fotos para tornar este texto mais compreensível.

Na foto abaixo pode-se ver uma parte do campo de milho, com o milho pequenino a aparecer, os tubos de rega já colocados para serem usados no período seco. Não estranhem aquele círculo de erva em volta do sobreiro mas foi uma maneira de tentarmos poupar a arvore do efeito devastador da charrua ao passar sobre as suas raízes

 
 
 
Só que os corvos, como aves inteligentes que são, sabem que essa plantinha do milho ainda tem a raiz agarrada ao bago
 
 
 

E por isso fazem este bonito trabalho
 

 
 

Se depararmos com a plantinha assim, ainda verde e com alguma raiz, com paciência, tempo e boas costas, pode-se tornar a enterrar e ela crescerá normalmente.
 
 
 
Mas é impossível recuperarmos as plantas num campo tão grande e por isso estávamos a confiar no efeito dos aparelhos de radio, ligados desde as 7 da manhã até ás 8 da tarde.
Mas basta olhar para a calma com que esse corvo caminha pelo terreno para perceber que não está nada atemorizado ou preocupado com os sons que está a ouvir
 

 
Resolvemos espalhar milho sobre o terreno para não terem necessidade de arrancar o que vem a nascer, mas já percebemos que o que está debaixo da terra deve estar mais macio, arranhando menos a garganta do que o seco que pusemos por cima J
Resta-nos esperar que a quantidade de milho usado na sementeira, seja suficiente para eles e para nós.
Até breve

 

2013-01-11

O fim do Pai Natal... por enquanto

Há muitos anos que temos a sorte de receber a visita do Pai Natal na noite de 24 de Dezembro. E é visita sempre certa, quer tenhamos crianças connosco ou não.
 
Ainda que se levantem muitas vozes contra o facto de enganarmos assim a crédulas criancinhas, nenhum de nós, os adultos, reflecte sobre os eventuais perigos desta mentira ao vermos o rosto iluminado das nossas crianças enquanto aguardam a chegada do Pai Natal, com quase todas as luzes apagadas e o vêem finalmente, num misto de susto e encantamento, a espreitar à janela, de barrete vermelho e longas barbas brancas, no negrume da noite, apontando uma lanterna para nós, para se certificar se está na casa certa, antes de bater à porta, transformando assim uma noite vulgar numa grande noite de magia.

O problema é que as crianças vão crescendo e chega aquele momento em que se tem que mostrar a realidade e falar sobre a não-existência do simpático velhote que só é lembrado e apreciado por trazer prendas uma vez por ano, quer nos tenhamos portado bem ou não.
A experiência mostra-nos que a melhor forma para não desiludir as crianças é oferecer-lhes o papel da figura do Pai Natal, depois de explicarmos ter sido sempre representada por um dos adultos.
 
 
É engraçado ver a mudança de um olhar confuso e triste com o “enterro” daquele velhote,  para um lampejo luminoso perante a ideia de se poderem mascarar  e participar num momento de fantasia.
E foi assim, aproveitando o enorme entusiasmo, que fechadas num quarto procedemos à transformação, vestindo os trajes natalícios sobre almofadas para nos tornarmos barrigudas, prendendo  as barbas e os barretes, ajustando tudo com óculos para esconder as feições e de saco ás costas e de lamparina na mão, fomos bater à porta, abafando risos e sussurros nervosos.

Entrámos na casa mergulhada em penumbra, ao som do "Silent Night" e, engrossando a voz, menos a mais nova que estava preocupada com o poder ser reconhecida, fomos cumprimentando e oferecendo a todos uma pequena lembrança... uma vez que a crise é para todos.
Juntamos uma foto para verem como fizemos 3 simpáticos pais natais
 
 
Antes de abandonar a casa, os pais natais ainda ofereceram um momento musical ao cantarem o Dueto dos Gatos de Rossini, neste caso um terceto, mas que não juntamos vídeo por respeito aos ouvidos dos nossos leitores uma vez que ficou patente a necessidade de mais uns ensaios J
Pensamos que foi uma noite extraordinária e inesquecível para as nossas meninas

E com este pequeno texto e foto, aproveitamos para desejar, com algum atraso, um Feliz Ano Novo a todos os nossos amigos

2012-09-28

A Gaivota

Sem forças e meio entontecida, a gaivota cabeceava de olhos fechados, com as patas a afundarem-se na areia, arrastada pelo recuo das pequenas ondas denunciadoras das grandes que cresciam atrás.
 
 
Parecia que alguma coisa de grave se passava com ela porque estava quase imóvel e em perigo de ser embrulhada na agitação da maré que crescia.
Ao pressentir que alguém caminhava na sua direcção, acordou daquela apatia e foi desferindo golpes com o bico, agarrando e torcendo a pele do braço que se aproximava para a recolher.
Mas esse alguém estava determinado a perceber o que se passava e sem se amedrontar com todo aquele ataque defensivo, pegou cuidadosamente no seu corpo.
E a gaivota parou de bicar, confundida com aquela estranha sensação de se ver embalada nos braços de um ser humano que a levava, sem esforço, como se ondulasse sobre o mar.
Encostada a esse corpo morno, apercebeu-se que se estava a afastar do mar e isso perturbou-a tentando arrancar com o bico aqueles dedos-tentáculos que se aproximavam várias vezes para lhe acariciar a cabeça e o corpo.
Foi transportada assim, por alguns minutos, apavorada com o caminho desconhecido e por ouvir o som do mar cada vez mais longe.
Por fim pararam e sentiu que a poisavam sobre qualquer coisa macia.
 
.
… e foram-na virando, abrindo as penas, inspeccionando o seu corpo, esticando e encolhendo as patas, erguendo-a no ar enquanto ela batia as asas para se equilibrar, abriram-lhe o bico e uns olhos, que lhe devem ter parecido enormes, aproximaram-se e espreitaram para dentro da garganta procurando algo que a estivesse a prejudicar. Mas nada foi encontrado.
E ela sempre na defensiva, atacando tudo o que lhe era desconhecido
 
 
Por fim puseram-na em frente de peixe fresco e vendo o seu desinteresse, obrigaram-na a comer, abrindo o bico à força e metendo um pedaço do peixe que empurraram para dentro, uma vez que ela não queria deglutir.
 
Talvez por isso não insistiram mais e ela deixou de repelir à bicada a mão que se aproximava, por se sentir com menos forças a cada minuto que passava e, ao ver que permanecia naquele ambiente estranho, sem mar e sem areia, começou a entrar em pânico, estrebuchando naquele colo e batendo as asas que não conseguiam elevá-la para a viagem de regresso.
 
 

Mas, adivinhando a sua angústia, pegaram nela de novo e recomeçaram a caminhar, sentindo de novo o ondular do corpo encostado ao seu, e, de olhos semi-cerrados, percebeu pelos sons e aromas conhecidos, que estava a ser levada para a sua praia.
Caminharam assim imenso tempo, até que a poisaram na areia, virada para o mar.
 

 
Alguém misturou os sons de um cântico com o som do mar e a mão aproximou-se, desta vez sem ser repelida, para a colocar numa posição mais confortável, ajeitar-lhe as asas e as penas.
 
E certamente reparou na despedida respeitosa que não evitou um ligeiro estremecer da areia onde estava deitada.


Abriu um pouco os olhos e deve ter-se apercebido do encher da maré…


E quem sabe se desejou a chegada das ondas amigas em que erguendo-a delicadamente da areia  a levassem consigo para a ilha paradisíaca a meio do oceano onde os peixes eram muitos e variados, o mar calmo, o sol sempre quente e onde iria encontrar as gaivotas suas amigas que tinham partido antes dela.

2012-04-11

Amêndoas atrasadas

Em primeiro lugar fazemos votos para que todos os nossos amigos tenham tido uma Páscoa feliz, já que nem tivemos um tempinho para vir aqui deixar os nossos votos com a devida antecedência.

Actualmente, sem caseiro e com uma das senhoras auxiliares hospitalizada, os trabalhos têm vindo a ser feitos quase exclusivamente por nós, o que não permite sobras de tempo para este tipo de actividade.

Mas hoje, com um dia de chuva mansa, ficámos mais por casa e surgiu uma oportunidade para estarmos de volta dos nossos computadores a pormos a escrita em dia.

Foi uma Páscoa passada com os nossos familiares mais próximos e também com um grupo de amigos, criando um ambiente simpático com boa comida, boa bebida e passatempos diversos como jogos de xadrez, damas, matraquilhos, ténis de mesa, tiro com arco, não faltando os nossos cantares acompanhados com piano, cavaquinho e contrabaixo e claro com a pintura dos ovos cozidos  que não podia faltar :)


Quis apresentar um ninho da Páscoa que tradicionalmente é feito com um bolo de  chocolate mas desta vez resolvi experimentar a massa idêntica ao do “Bolo de Chocolate o Melhor do Mundo” que encontrei ao pesquisar na Internet.

Como há muitos amigos que gostariam de ter esta receita, vou passa-la para aqui com as fotos que fomos tirando durante todo o processo.

Os ingredientes são os seguintes:

Para a massa do suspiro:

250 gr de açúcar em pó

40 gr de cacau em pó

250 gr de claras

250 gr de açúcar normal


Para a mousse de chocolate:
500 gr de chocolate amargo

450 gr de natas

120 gr de claras

80 gr de açúcar normal

E o bolo faz-se assim:
Numas folhas de papel-manteiga (eu usei papel vegetal) desenhe 3 círculos com 20 cm de diâmetro,  mais ou menos a medida de um prato de sobremesa. É provável que só consiga desenhar dois numa folha ficando o terceiro numa outra.

Peneire então o açúcar em pó com o cacau para uma tigela.

Depois bata os 250 gr de claras (mais ou menos o correspondente a 9 ovos, dependendo do tamanho), e quando começar a fazer espuma junte um pouco do açúcar normal e continue a bater juntando aos poucos o restante açúcar até ficar em castelo firme.

A seguir envolva delicadamente a mistura do açúcar e cacau com as claras batidas.


Na foto vê-se a tigela em cima do fogão mas foi uma coincidência uma vez que não vai ao lume nesta fase como é óbvio.

Depois de bem envolvida, coloca-se esta massa num saco de pasteleiro para cobrir os círculos que se fizeram no início tal como mostro na foto seguinte


Leve os tabuleiros com os círculos da massa ao forno a 120º por cerca de 1 hora.

Entretanto comece a fazer a mousse: pique o chocolate preto numa tábua e ponha-o a derreter em banho-maria enquanto bate as natas em chantilly.  A seguir bata em castelo os 120 gr de claras (mais ou menos 4 ovos) juntando aos poucos o açúcar normal até ficar em castelo firme.

Junte as claras batidas ao chocolate derretido, batendo com uma vara de arames ou, na falta desta, com dois garfos juntos. Quando estiver bem misturado junte as natas batidas envolvendo com uma espátula.

Quando tiver terminado este trabalho, pode começar então a montar o bolo: coloque um dos discos no prato a apresentar e cubra com uma boa camada da mousse de chocolate que acabou de fazer e depois coloque o segundo disco e torne a cobrir e repita em relação ao terceiro disco, como pode ver na foto seguinte


Se por acaso não se ajeitar com o saco de pasteleiro (como nós que felizmente tirámos a foto logo no inicio do segundo disco, mostrando um trabalho bem feito e asseado, antes da cena triste que se seguiu, com a massa a sair por baixo e por cima do saco, de uma forma descontrolada e sujando tudo), pode pôr sobre o papel vegetal, colheradas da massa e fazer pequenos suspiros como se vê no cestinho que está na foto e em vez de montar o bolo com os discos de suspiro, pode fazer as 3 camadas alinhando os suspiros pequenos porque na altura de o saborear, nem se dá por isso.

A dose indicada dá para cobrir bem os discos, cobrir depois todo o bolo e ainda sobra massa que se pode aproveitar fazendo suspiros para pôr na mesa.

Depois de montado e enfeitado, deixe no frigorífico de um dia para o outro para os suspiros amolecerem com a mousse.

Na foto seguinte mostramos o nosso bolo transformado em Ninho da Páscoa que consolou muitos dos nossos amigos.



Mas nem todos, porque este nome do “Melhor do Mundo” foi bem escolhido para a acção de marketing mas por vezes também surpreende pela negativa.  
A receita que publico aqui, deixa o bolo mais claro do que aquele que é vendido com a marca conhecida. Talvez por ser a receita do bolo francês denominado Concorde que não teve o mesmo êxito embora, segundo dizem, tenha sido onde se baseou o bolo português que já é conhecido em muitas partes do Mundo.
Mas aqui em casa, todos gostamos muito, tanto da versão original como da sua evolução.
E agora vamos continuar com as nossas actividades, esperando que em breve possamos regressar para publicar alguns textos guardados na gaveta à espera de verem a luz do dia.
Um grande abraço para todos os nossos amigos e obrigada pela preocupação com a nossa falta de notícias.

2011-12-01

Um Verão em fotos

O Verão já terminou e ficaram as boas e más lembranças de um período tão agitado como foi o deste ano.
Recebemos amigos e familiares que partilharam connosco muitos momentos bonitos.
Mostrámos a nossa represa preferida, que fica no Teixo ...


... e onde estivemos a nadar num dia de grande calor




Nasceu uma ninhada de patos bravos






Fizemos vários petiscos regionais e também cozemos pão no forno antigo

 
Fomos a Sever do Vouga visitar a Feira do Mirtilo

Nesta feira vendiam plantas envasadas, frutos embalados, licor, doce, gelado, bolo, tarte à base de mirtilo e onde prestavam imensa informação sobre a cultura e as diversas aplicações destas bagas.
Tivemos uma ninhada de patos mudos.  A segunda foto mostra uma lição de natação dada pela jovem mãe J


Terminámos o trabalho do milho que já está devidamente guardado



Nasceram 2 faisões


... e 6 pavões



Levámos os nossos amigos a Óbidos à Feira Medieval


Fizemos as nossas colheitas de tomate, cebola, pimento, beringela, physalis, malagueta, abóbora, pepino, feijão-verde, melancia, melão, maçã, pêra, morango, pêssego, cereja, ameixa, amora, framboesa…

Aproveitando a fartura para fazermos doces



Tivemos visitas inesperadas


Fizemos as nossas cirurgias caseiras como no caso de um borrego que fez uma ferida profunda na cabeça e que poucos dias depois, com o calor excessivo,  abrigava uma família de larvas gigantes de mosca-varejeira. 

Antes de injectarmos o animal com um produto que iria destruir esses parasitas que se alimentam e crescem dentro de tecidos vivos, fotografamos essas duas, junto ao ferimento, para poderem ver o tamanho de tais animais que iriam ocasionar a morte do borrego, comendo-o em vivo.


Nasceram também dois gansinhos

Fomos visitar o Festival de Jardins em Ponte de Lima que este ano tinha como tema “O Jardim e a Floresta”
Para o ano 2012, o tema será “Jardins para Comer” o que nos motiva a fazer de novo esta viagem

E agora perguntarão por que razão dissemos logo no início que tinham ficado as boas e más lembranças, quando tudo parece bom como demonstram as fotos.

É que o ano foi péssimo para as criações: os patinho bravos foram desaparecendo sem deixar rasto ou aparecendo mortos. Sobreviveram apenas 6 da ninhada de 18.  Os patinhos mudos foram os mais resistentes e só morreram 2 deles. Os faisões morreram dias depois da foto. Os gansos também. Aos pavões aconteceu o mesmo tendo apenas sobrevivido um dos novos. Os pintos peludos desapareceram, só restando uma franga. Mas estes temos a certeza que foram apanhados pela raposa ou pelo gato-bravo por termos encontrado um monte de peninhas brancas num sítio distante da capoeira.

Este tipo de vida faz-nos estar em constante contacto com a vida e a morte dos animais e não há meio de nos adaptarmos a esse facto da Natureza L

Só falta mostrar a foto do Tony Silva, trabalho feito pela criançada e que ainda se mantém a descansar ao sol e à chuva

Agora com o frio, andamos a apanhar azeitona, já comemos os dióspiros, já passou o tempo da castanha, que este ano veio cedo demais, e já temos as nozes ensacadas.

A produção de noz é cada vez menor devido à quantidade de esquilos que foi introduzida nas matas e que, segundo nos informaram, tem a ver com a tentativa de dar algum alimento aos animais selvagens. Não sabemos se a razão é essa mas o que é certo é que a introdução de novos animais, qualquer que seja a finalidade, se não tiver depois o devido acompanhamento, pode dar origem a pragas que não conseguimos controlar. No nosso caso vamos ficando sem as nozes L
E como não tivemos tempo para preparar um texto melhor, ficamos assim pela apresentação das fotos que resumem de alguma forma o que foi este Verão aqui na quinta.

2011-10-13

Regressámos com tamarindos

Podíamos dar início a este texto explicando as várias razões que nos levaram a abandonar a nossa escrita mais ou menos habitual.  Mas, não querendo aborrecê-los com todas essas explicações, limitamo-nos a dizer que depois desta tão prolongada ausência, regressamos cheios de vontade de continuar com o blogue mais activo.

Resolvemos começar devagarinho e por isso vamos contar-vos a nossa experiência com os tamarindos que comprámos há tempos num supermercado.

O problema é que não sabíamos para que é que serviam e como é que se preparavam  e por isso tivemos que recorrer à pesquisa na Internet.

Embora lhe chamem fruto, trata-se de uma leguminosa originária da África Equatorial e muito cultivada na Índia.

O tamarindeiro é uma árvore que pode atingir a altura de 25 metros e, para se desenvolver bem, precisa de um clima tropical húmido, de temperaturas a rondar os 25º, não suportando o frio.

A madeira do tronco é bastante forte e resistente e por isso óptima para o fabrico de mobiliário, brinquedos e também para fazer carvão vegetal

As sementes depois de processadas são usadas como estabilizantes em sumos e nos alimentos industrializados. Entram também no fabrico de colas para pano e papel. Ao natural servem de forragem para animais domésticos. O óleo extraído delas é alimentício e de uso industrial.

Segundo a nossa pesquisa, retirámos os seguintes valores da polpa do fruto: açúcar (33%), ácido tartárico (11%), ácido acético, ácido cítrico.

Cem gramas de polpa contém 272 calorias, 54 mg de cálcio, 108 mg de fósforo, 1 mg de ferro, 7mg de Vit. A, 0,44 mg de Vit. B e 33 mg de Vit. C.

É também um poderoso laxante devido às suas fibras.

É usado como tempero no arroz, carnes e peixes, mas também na preparação de sorvetes, molhos, refrescos, xaropes, bolos, licores, etc.

É este o seu aspecto:


Como tínhamos pressa em provar o seu sabor, decidimos utilizá-lo numa bebida refrescante.

O tamarindo, para qualquer prato de culinária, precisa de ser demolhado e depois cozido. Por isso tivemos que o descascar e deixar a polpa em água durante a noite.


De manhã, quando os fomos espreitar, estavam muito mais inchados e cozemo-los num pouco de água.

 

E a partir daqui é que foi o trabalho mais aborrecido porque tivemos que tirar as fibras que não tínhamos tirado antes de o pôr de molho, depois retirar as sementes que estavam dentro da polpa…


… e por fim passar essa polpa, amolecida e meia desfeita de tanta manipulação, num passador fino.

Do meio quilo de tamarindos que tínhamos comprado, só conseguimos obter esta quantidade de polpa finalizada:

E depois foi só seguir as indicações:
Bater no liquidificador 250 ml de água gelada com 2 colheres de açúcar (pusemos só metade) e 2 colheres de polpa de tamarindo.

No final, embora a bebida fosse muito agradável, achámos que tinha sido trabalho a mais para tão pouco gozo.
Pode ser que num outro dia experimentemos a polpa de tamarindo mas numa outra receita.
Até lá, aqui fica o registo J

2011-06-11

Um Santo António muito atarefado

Ando há umas semanas tristíssima com a perda de um brinco que herdei de um familiar querido.

Fiquei quase em estado de choque quando ao mirar-me ao espelho na rotineira higiene matinal, me apercebi que tinha uma orelha nua.

Pensei que o tivesse perdido enquanto dormia e por isso corri a desmanchar a cama e depois procurei  pelo chão, dentro dos sapatos, nas bainhas das calças, nos bolsos das camisas... em todos aqueles sítios onde poderia ter ficado retido. 

Não o encontrei em lado nenhum!

Como também o podia ter perdido nos passeios pela mata quando levo a Camila a fazer exercício por causa da sua displasia, passei a caminhar curvada, perscrutando atentamente se por entre as terras arenosas que brilham e rebrilham devido ao quartzo e à mica, vislumbrava a pequena pecinha de ourivesaria feita em ouro branco e com uma pedra de cor vermelha escuro.


Ao ouvir-me lastimar, junto do pessoal, pedindo a sua atenção no decorrer dos trabalhos, a dona Conceição chamou-me de parte para me confidenciar que se eu quisesse, poderia fazer um responso a Santo António e o brinco apareceria muito rapidamente

A minha falta de cultura é tão grande que não fazia a mínima ideia do que era um responso e, cheia de curiosidade, pedi-lhe para o fazer.

A senhora, semicerrando os olhos e colocando as mãos em oração, foi dizendo quase em surdina:

"Se milagre desejais, recorrei a Santo António, vereis fugir o demónio e as tentações infernais. Recupera-se o perdido, rompe-se a dura prisão, e no auge do furacão, cede o mar embravecido. Pela sua intercessão foge a peste, o erro, a morte, O fraco torna-se forte e torna-se o enfermo são.

Recupera-se o perdido brinco da minha patroa. Recupera-se o perdido brinco da minha patroa.

Todos os males humanos se moderam e se retiram. Digam-nos aqueles que o viram. Digam-nos os paduanos.

Recupera-se o perdido brinco da minha patroa. Recupera-se o perdido brinco da minha patroa.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre. Ámen.

Recupera-se o perdido brinco da minha patroa. Recupera-se o perdido brinco da minha patroa,

Rogai por nós, bem-aventurado Santo António, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Recupera-se o perdido brinco da minha patroa. Recupera-se o perdido brinco da minha patroa.

Deus eterno e omnipotente. Vós quisestes que o vosso povo encontrasse em Santo António de Lisboa um grande pregador do Evangelho e um intercessor poderoso. Concedei seguir fielmente os princípios da vida cristã, para que mereçamos tê-lo como protector em todas as adversidades. Por Cristo Nosso Senhor. Ámen" 

Depois de uns segundos de silêncio, emergiu daquele momento religioso e disse-me:

- Vai ver que num instante o brinco aparece!

Só que este responso foi feito há 2 semanas e por mais que se procure (sim, porque já percebi que não se pode esperar sentada e tem que se dar uma ajudinha), o brinco continua desaparecido.

Mas ainda ontem dei comigo a pensar que a altura não deve ter sido a melhor, uma vez que o Santo deve andar numa roda-viva com as festas que lhe estão a ser dedicadas durante o mês de Junho, um pouco por todo o país. 

Em Lisboa, no dia 12 vai benzer e ser o padrinho de casamento das 16 noivas de Santo António, tarefa que não deve ser nada fácil, devendo estar presente no Copo de Água, com boa comida, bebida, fadistas, bailarinos, etc. Depois, na noite de 12 para 13 vai estar presente no desfile das marchas populares de Lisboa, participando a seguir na noitada de sardinhas e vinho tinto, largando balões pelo ar e com ofertas de manjericos enfeitados com cravos de papel e quadras populares. 

Ainda por cima vai ter a preocupação de pela manhã do dia 13, estar fresco para participar nas eucaristias feitas na sua igreja de Lisboa, onde ainda se guardam alguns ossos seus, estar presente na grande procissão da tarde, não esquecendo as missas solenes ao meio-dia e depois às 9 da noite no encerramento das festividades.

Por tudo isto, vou ter que aguardar pacientemente que os festejos terminem para então apanhar o santo mais disponível para localizar o meu brinco, ainda que tenha caído aqui um temporal de chuva e granizo que arrastou terras e pedras acumulando-as em quase todos os caminhos que mais utilizo nas andanças dentro da quinta :(

2011-05-04

Adeus Tanit Amiga!...


A Tanit entrou na nossa família mais o seu irmão gémeo Thor em 1997 ao colo do Pai Natal.

Cresceram cheios de energia e num instante tornaram-se nos nossos guardas pessoais.


Todos os cães são dedicados aos seus donos. Mas estes eram de uma dedicação e de uma obediência impressionantes.

Não permitiam que ninguém mexesse em nada no nosso espaço quando não estávamos presentes e nem pensar em sair da quinta sem autorização dos donos, principalmente se entravam de mãos vazias e saíam com algum saco ou embrulho :)

Se chegava alguém que desconheciam, ficavam inquietos, rondando-o de sobrolho franzido e muito atentos ao nosso tom de voz.

Afastavam-se quando percebiam que todos estavam calmos ou quando nos ouviam dizer que era amigo, palavra que conheciam muito bem o significado.

Uma vez tivemos que mandar fazer umas obras que iam durar alguns dias. Como o pessoal entrava muito cedo para adiantar os trabalhos, demos a chave do portão a um deles para poderem entrar e começar antes de aparecermos.

Não nos lembrámos que o Thor e a Tanit iriam achar muito estranho uma invasão daquelas e acabaram por impossibilitar o avanço do trabalho por se terem sentado em cima da pilha de tijolos e dos sacos de cimento, rosnando sempre que os homens se aproximavam do material.

Nunca morderam ninguém, limitando-se a avisar as pessoas que estavam ali como guardas das pessoas e bens da casa.

As histórias são imensas e lembro-me de uma vez em que caçaram uma galinha que se tinha evadido da capoeira na nossa ausência.

Quando chegámos, nenhum deles apareceu para nos receber e mantiveram-se deitados dentro do canil. Por acharmos estranho o comportamento que não indiciava nada de bom,  demos uma volta perto da casa e ao passarmos em frente da capoeira, vimos uma galinha morta colocada junto à porta de rede, sem um rasgão ou dentada mas completamente nua, sem uma pena por mais pequena que fosse em qualquer parte do corpo.

A brincadeira devia ter sido divertida para eles e quando se aperceberam que o animal já não se mexia, trataram de o pôr à porta da capoeira talvez na esperança que ele se erguesse e se juntasse aos outros, livrando-os do castigo que sabiam merecer.

Em Setembro de 2006 publiquei uma crónica de saudade quando o Thor partiu na sua derradeira viagem e hoje, passados quase 5 anos, aqui estou a escrever sobre a partida da sua irmã.

Quando chegaram os gémeos Dongo e Nanã, também Leões da Rodésia, e que apresentei neste blog há uns 4 anos atrás, a Tanit adoptou imediatamente o Dongo, acompanhando-o para todo o lado, sempre preocupada com ele e principalmente com a sua apresentação.



A Tanit agora já com 14 anos era bastante idosa. Mas comportava-se ainda como cachorra gostando de brincar e de sorriso estampado no focinho.




Os cães vivem relativamente pouco tempo e por isso vamos assistindo às suas partidas sempre com o coração apertado.

O imenso carinho que sentimos pelos nossos cães, obriga-nos a decidir a pôr fim a uma vida colhida por uma doença incurável e que irá evoluir para um enorme sofrimento.

A doença só foi visível numa fase adiantada e em poucos dias assistimos à perda de apetite, aos ganidos surdos que indicaram o início das dores, à impossibilidade de se erguer da cama…

Como não conseguia erguer-se, transportámo-la para a clínica dentro da sua cama que foi colocada em cima da marquesa. 

Puseram-na a soro e de passo em passo fomos aproximando-nos rapidamente do momento da despedida.

Fiquei junto a ela sorrindo-lhe, fazendo-lhe festas e cantarolando-lhe pequenas palavras no tom de mimo que ela tanto apreciava. Ficou sonolenta com o medicamento que lhe deram e, quando começou a respirar de uma forma bastante calma, fiz sinal à médica para prosseguir, engolindo os soluços que me subiam pela garganta.

A Tanit fitou-me com os seus olhos meigos, num olhar que foi perdendo lentamente o brilho e assim partiu devagarinho e sem sofrimento. 


Adeus, minha linda!



2011-03-29

O Grilo toupeira

Antes de começar este texto, gostaria que abrissem o vídeo abaixo, sem estranhar a ausência de imagens.


Quis partilhar convosco o prazer deste som nas noites calmas e menos frias que vão surgindo agora com o início da Primavera, festejadas pelas centenas e centenas destes animais que sempre conheci com o nome de ralos e que aqui na zona chamam de "raros".

Acontece que nunca tinha visto nenhum e, quando uma noite destas fui a correr fotografar um insecto enorme, com uns 5 cm de comprimento que estava estacionado à porta da cozinha, fotografia que distribuí pelos amigos para me identificarem a estranha criatura, fiquei a saber que era nada mais, nada menos, que um desses ralos cuja serenata eu tanto gosto de ouvir.

Felizmente não lhe peguei, porque a dada altura em que ele me quis trepar pelo sapato, fugimos cada um para o seu lado, tendo acabado abruptamente a sessão fotográfica. E digo felizmente porque segundo as informações que recebi, trata-se um bicharoco que não gosta nada de se ver preso entre os dedos, não se ensaiando muito para ferrar a mão descuidada.

Os ralos pertencem ao género Grillotalpa que se pode traduzir por grilo-toupeira, como é conhecido em vários países, por passarem a vida a escavar túneis com as patas dianteiras.

São castanhos e têm o corpo coberto por uma fina camada de pêlo. Apenas os adultos têm asas podendo voar em enxames nas noites quentes de Verão. Na cabeça possuem peças bucais muito desenvolvidas e antenas curtas. As patas dianteiras além de servirem para escavar, servem também para defender os seus territórios.

Os machos podem medir entre 3,5 a 4 cm e as fêmeas entre os 4 e os 5 cm

Em finais de Julho, as fêmeas põem entre 100 a 350 ovos numa espécie de ninho com 6 a 10 cm de diâmetro, a uma profundidade de 30 a 40 cm, escavados por elas mesmas. Esses ovos eclodem após 20 dias necessitando de muita humidade e ficam sob a guarda da mãe durante as primeiras 2 a 3 semanas. As larvas passam por 2 fases no seu primeiro ano de vida.  As ninfas começam a desenvolver-se a partir da Primavera seguinte e por vezes a sua fase de desenvolvimento pode ir até ao terceiro ano.

Os machos também escavam galerias mas com a finalidade de funcionarem como amplificadores para se poderem fazer ouvir até à distancia de uns 600m, atraindo assim fêmeas solitárias,    interessadas em namorar... que podem ter muito que caminhar :)

Hibernam durante o Inverno dentro dos túneis que podem estar até a 1 metro de profundidade, retomando a sua actividade com a chegada da Primavera.

É um insecto omnívoro, nada preocupado com dietas especiais. Come minhocas, larvas de insectos, mas também tubérculos e rizomas de plantas hortícolas e ornamentais, assim como beterraba, batata, mas também melão, abóbora, girassol, morango, cereais, sendo muito prejudicial para as plantas jovens.

Devido aos seus hábitos alimentares, acaba por ser perseguido pelos agricultores que fazem lavras profundas para destruir as suas galerias, aplicam produtos químicos e iscos com veneno.

Além do homem também tem outros inimigos como os mamíferos insectívoros, formigas, ácaros e algumas aves, como é o caso do estorninho e do penereiro-das-torres, este último considerado como ave ameaçada e que tem uma inclinação especial para se alimentar de ralos cantores.

Aqui fica a foto do fotogénico ralo, quase em tamanho natural.

2011-02-13

Para o Mário, com muito carinho

Como todos já sabeis, o nosso querido amigo Mário Portugal partiu na sua última viagem na passada sexta-feira, dia 4 de Fevereiro.

Desligou-se da vida sem sofrimento, sem aviso e no meio de uma conversa, tal como sempre desejara.

O Mário era um companheiro sempre presente na Net, a qualquer hora do dia e todos os dias da semana, o que lhe permitia uma vida extremamente ocupada, contactando com os seus amigos e familiares, desenvolvendo as suas teorias, escrevendo artigos diversos, respondendo a todos os mails que recebia, com uma juventude de espírito que por vezes não se encontra em pessoas muito mais jovens.

Perdi aquele amigo que me considerava uma pessoa rara, como o dizia aos quatro ventos, o que me deixava verdadeiramente incomodada. Mas esta afirmação revelava que não considerava os defeitos dos amigos, valorizando apenas as qualidades de cada um, ainda que exagerando-as a seu bel-prazer. Esta lindíssima atitude na amizade extrema que sentia pelos seus amigos, era uma das coisas que mais me impressionava no Mário, pelo qual senti sempre um enorme carinho.

Era também um leitor assíduo deste blogue e quando os temas lhe eram desconhecidos, obrigava-me a explicações extras através de mails ou do telefone.

Tenho andado a reler a sua imensa correspondência como forma de o sentir e manter ainda próximo e, nestas voltas pelas pastas do Pc, aconteceu ter esbarrado com um texto começado há uns tempos e que esperava algumas fotos para anexar e depois publicar no blogue.

Sabia que seria um texto que iria provocar uma forte risada no Mário - o que me encantava - e que daria azo a uma série de mails logo após a publicação.

Resolvi terminá-lo e publicá-lo agora, imaginando-o a rir na sua salinha e que noutras circunstâncias o levaria a pegar no telefone para me dizer qualquer coisa no género:

- Ó jóia, já me fez soltar umas boas gargalhadas logo pela manhã! Essa de dar banho à burra, só mesmo da cabeça da Ana!

Por isso, Mário, aqui vai o texto da Rita e que lhe provoque sonoras gargalhadas que só lamento já não as poder ouvir.





A Rita Branquinha


Há vários anos, ao passar de carro por uma aldeia próxima, vi um pequeno burro numa cerca. O animal estava num estado lastimoso, com camadas de esterco seco agarradas ao pêlo, os ossos a quererem furar a pele e um olhar tão triste que me fez doer o coração.


Parei o carro e perguntei ao homem quanto custava o burro, não por precisar de um, mas com dó do pobre bicho.


O homem ao aperceber-se da minha inexperiência sobre o preço de um burro e vendo a vontade que eu demonstrava em o adquirir, fez-me o preço exorbitante de 30 contos (na altura ainda não se sonhava com o euro), como se fosse um animal de raça.

Fiquei a saber que era uma burra e que tinha apenas 2 anos.

Para eu ter uma ideia de que o burro, ou melhor, a burra valia bem o dinheiro, o homem montou-a, prendeu-a a um arado e outras tarefas que ela desempenhava obedientemente mas dando mostras do medo que tinha de ser castigada.

Acabei por pagar o preço pedido e o comerciante até a transportou de imediato numa carrinha de caixa aberta, deixando-a à porta do nosso estábulo onde ela ficou sem se mexer, apavorada com a viagem e com o ambiente que desconhecia.



 Quando fiquei a sós com ela e reparei no seu olhar tão triste, resolvi dar-lhe um banho e retirar aquelas camadas de porcaria que escondiam a cor do pêlo.

Com um balde de água morna, uma esponja e champô dos cães, comecei uma tarefa que achei que iria ser muito difícil mas que afinal foi facílima porque o animal ficou sempre imóvel e deixou-me fazer o trabalho sem protestar.

Depois de lavada, exibia um pêlo bem branquinho. Mas como tempo estava um pouco fresco, começou a tremer cheia de frio e para a secar rapidamente socorri-me de um secador de cabelo que ela mirava com curiosidade e a seguir cobri-a com uma manta.

Na altura tinha aqui um homem a fazer um trabalho nas terras e que perdido de riso ainda me gritou: - Ó minha senhora, isso é um burro… não é uma pessoa!!

Levei-a para uma box livre que já tinha mandado preparar com uma boa cama de palha e com a manjedoura cheia de feno fresco e ela ficou ás voltas, surpreendida com este tratamento VIP.


Não tendo nunca convivido com burros (refiro-me aos animais), fiquei a saber que envelhecem muito e repentinamente, uma vez que ela após duas ou três semanas de estar connosco, passou de 2 anos para 15 !! :))




A burra que de início se chamou Branquinha e mais tarde passou a Rita, levou algum tempo a adaptar-se à liberdade do pasto grande e à perseguição da Joaninha, a nossa égua ciumenta, que não gostou que as nossas atenções se alargassem a mais um elemento..

Também fiquei a saber que aqueles esgares que ela fazia de tempos a tempos e que eu pensava que seria de algum problema na garganta, eram afinal indicadores de que estava com o cio que pelos vistos deve ser horrível nestes animais porque lhes dá um ar terrível, recolhendo os beiços e mostrando, aflitivamente, os dentes enormes.

A Rita Branquinha desde que veio para aqui, deixou de trabalhar e apenas contribui para estrumar as terras e para embelezar a paisagem.

Ficou muito grata à nossa adopção, tornando-se um animal muito ternurento, sempre pronto para pedir um mimo que tanto pode ser uma festinha no nariz, uma folhinha verde ou um torrão de açúcar.




Ao contrário da égua, os seus cascos crescem muito e por isso de vez em quando tem que ir à "manicure”.










E como podem reparar nas fotos, é um trabalho cansativo e bastante incómodo para ambas as partes.




Na foto acima já está com os pés e mãos devidamente arranjados, vendo-se a Joaninha ao longe muito atenta aos nossos movimentos.






E aqui está ela exibindo um lindíssimo sorriso, só possível nos animais felizes.






Obrigada Mário pela excelente amizade e companheirismo que sempre me dedicou. Nunca o irei esquecer!