2007-03-10

As Abelhas

A técnica de explorar o mel produzido pelas abelhas existe desde 2.400 antes de Cristo. Normalmente era um tipo de pilhagem destruindo completamente o enxame. No séc XIX o apicultor Lorenzo Langstroth desenvolveu as bases da apicultura moderna inventando a colmeia com quadros móveis o que facilitou o seu manejo, melhorou a produção e a extracção do mel.
A abelha é um insecto que pertence à ordem dos himenópteros e à família dos apídeos.

Existem 3 categorias de abelhas: as sociais que são aquelas que vivem em enxames com divisão de trabalhos, separação de castas e que vai ser o tema deste trabalho; as solitárias que constroem ninhos no chão, nas fendas das pedras e árvores e onde a abelha fecundada coloca o ovo em cima de uma quantidade de alimento, fecha o ninho e nunca mais se preocupa com ele; as parasitas que conseguem pôr os seus ovos nas células prontas de outras abelhas deixando que estas se encarreguem do desenvolvimento das larvas ou roubando a outros enxames o material necessário para construirem os seus ninhos.
A abelha comum pertence à espécie Apis mellifera mellifera, mas há a Apis mellifera ligustica (abelha italiana), a Apis mellifera caucásica (abelha caucasiana), a Apis mellifera adansoni (abelha centro-africana) etc. São conhecidas cerca de vinte mil espécies diferentes e até já é distinguida a Apis mellifera ibérica que como o nome indica, uma espécie de abelha mais comum na Península Ibérica.
A colmeia é constituída pela abelha-rainha, obreiras e zangãos
A rainha é a figura mais importante da colmeia, sem a qual esta não tem hipótese de sobrevivência. Mas, ainda que rainha, não tem qualquer função de comando. Após o 5º dia de vida, a rainha começa a fazer voos de reconhecimento e a partir do 9º já está preparada para fazer o voo nupcial, o que fará somente uma vez na vida, saindo da colmeia e sendo fecundada durante o voo por 4 a 8 zangãos que conseguem fertilizá-la, sendo o líquido seminal depositado num saco chamado espermateca que mantém os espermatozóides vivos praticamente durante quase todo o tempo de vida da rainha, 3 a 6 anos. A partir deste momento a sua função principal é a de pôr ovos, 1.500 a 2.000 por dia . Não põe ovos de uma forma casual. As obreiras fabricam os alvéolos de acordo com as necessidades da colmeia e a rainha antes de pôr o ovo tem que inspeccionar o tamanho do alvéolo. Se for mais pequeno é porque se destina à criação de larvas de obreiras e então a rainha mete o seu abdómen no alvéolo e comprime-o de forma a libertar os espermatozóides que irão fecundar o ovo. Se for um alvéolo maior é porque se destina à criação de zângãos e então ela introduz o abdómen mas não comprime a sua espermateca, uma vez que os zangãos nascem de ovos não fecundados. As células reais têm um formato diferente dos hexagonais que formam os favos e localizam-se nos bordos destes. Têm que ser fecundados pela rainha e são depois guardados pelas obreiras para evitar que a rainha mate as futuras rivais. Tem um ferrão liso com o qual localiza os favos onde vai fazer a postura e só o usa como arma nas lutas com outras rainhas, conseguindo injectar veneno sem ficar estropiada como acontece com as obreiras. Uma rainha mal nasce tem o instinto de eliminar as criações reais ainda não nascidas ou tendo um encontro de morte com alguma que tenha nascido ao mesmo tempo. Segrega uma ferormona chamada “substância-de-rainha”que as obreiras recolhem lambendo-a e distribuindo-a depois por todas as outras obreiras criando um ambiente de harmonia dentro da colmeia ao mesmo tempo que impede o desenvolvimento dos órgãos sexuais das obreiras, evitando que sejam reprodutoras. O corpo é maior do que o das obreiras não possuindo as glândulas que as obreiras necessitam para desempenharem as suas funções. Toda a vida é alimentada unicamente com geleia-real
Na colmeia não existe uma divisão de trabalhos mas uma relação entre a idade das obreiras e o trabalho que executam durante a sua curta vida (cerca de 2 meses)
Do 1º dia de vida até ao 3ª dedicam-se à limpeza dos alvéolos, chão e paredes da colmeia. Do 3º dia ao 7º passam a ingerir pólen, mel e água, regurgitando este produto nos alvéolos para alimentação das larvas mais velhas. Do 7º dia ao 14º, devido ao desenvolvimento das suas glândulas hipofaríngeas, conseguem transformar o alimento comum em geleia-real e passam a alimentar as larvas mais novas das obreiras até ao 3º. dia, as larvas dos zângãos, as larvas das princesas e a alimentar a própria rainha . Do 14º ao 20º dia com o atrofiamento das glândulas hipofaríngeas e o desenvolvimento das glândulas cerígenas, passam a construir os favos, a produzir mel, guardando-o nos favos e operculando-os (fechando-os com umas tampinhas), fazendo também a guarda da colmeia. A partir do 21º dia e até ao final das suas vidas passam a trabalhar no exterior, colectando pólen com os pelinhos das patas e armazenando nas bolsas que têm nas patas posteriores chamadas de corbículas, transportam agua para a colmeia com a vesícula melífera que também serve para transformar o néctar em mel. Recolhem ainda néctar e própolis.
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São as obreiras que constroem as células necessárias para a criação de obreiras, zângãos e rainhas. E a rainha cumpre as necessidades da colmeia. Elas inspeccionam os nascimentos e quando uma abelha sai do seu ninho, destacam-se 2 ou 3 obreiras que a lambem, escovam, dão-lhe mel enquanto a examinam minuciosamente. Se lhe encontram algum defeito de conformação que possa representar incapacidade, ainda que mínima, para o trabalho, sacrificam-na implacavelmente.
São também as obreiras que decidem quando é a altura de sair um enxame da colmeia por já estar demasiadamente povoada. Um grupo numeroso de obreiras enche os estômagos com mel, avisam a rainha da viagem e sai uma nuvem de abelhas protegendo a sua rainha, acompanhadas por alguns zangãos. Pousam numa arvore formando uma espécie de pinha gigante enquanto outro grupo vai inspeccionar os arredores para escolher um bom local. Se o local for aceite pelo grupo, começam a construção de um novo ninho, dando início a uma nova colónia.
As obreiras usam cortesias curiosas no trato com a rainha. Uma delas é que em qualquer deslocação ou movimento, nunca se viram de traseiro para a real personagem, conseguindo actuar de forma a manterem-se sempre de frente. Talvez seja essa a razão para não usarem o ferrão quando é decidido eliminá-la por já estar envelhecida. Neste caso rodeiam-na formando uma bola compacta com o seus corpos, acabando por a sufocar sem que a rainha ofereça resistência, aceitando a sua sina.
A rainha não permite a existência de outras rivais mas quando as obreiras decidem que é a altura de preparar um enxame para sair da colmeia com a sua rainha, não permitem que as duas rainhas se defrontem.
Quando a rainha morre e não há substituta, as obreiras começam a pôr ovos nos alvéolos numa tentativa desesperada de refazer a colmeia. Mas, como não são fecundadas, os ovos só irão dar origem a zângãos, formando uma colmeia “zanganeira” que irá perecer em pouco tempo
As abelhas que trabalham no exterior usam vários tipos de dança para poderem informar as suas companheiras sobre a localização do alimento descoberto. Se a dança é feita em círculo é porque se encontra a poucas dezenas de metros. Se é feita formando oitos, o ângulo que faz com o sol indica a direcção a tomar, a rapidez da dança indica a distância e o tempo que leva a dançar indica a abundância do material descoberto.
Os zângãos nascem de ovos não fecundados e não possuem ferrão. Atingem a sua maturidade sexual aos 12 dias de vida. A sua única função é fecundar as rainhas jovens, o que fazem em voo. A duração da sua vida é de 80 a 90 dias desde que não tenham tido o privilégio de fecundar a rainha. Após a cópula o seu órgão genital fica preso no corpo dela, mutilando-os e originando a sua morte. O resto do tempo permanecem inactivos sendo alimentados pelas obreiras. Quando termina a época da abundância são expulsos das colmeias e morrem de fome e frio no exterior.
Os produtos que se podem extrair de uma colmeia são os seguintes:
Mel - conhecido desde a antiguidade foi sendo substituído gradualmente à medida que se iam conhecendo os açúcares refinados extraídos da cana-de-açúcar e da beterraba, mais baratos, mas de qualidade incomparavelmente inferior. O mel é o único adoçante que contém proteínas, sais minerais e vitaminas essenciais à alimentação. É altamente energético e com conhecidas propriedades medicinais sendo um poderoso bactericida;
Geleia-real - produto fabricado por abelhas jovens que contém proteínas, lípidos, vitaminas, hormonas, enzimas. É estimulante do organismo, aumenta o apetite, tem efeito anti-gripal, actua no crescimento, na longevidade, na reprodução das espécies;
Pólen - produto muito rico em vitaminas A e P, proteínas e hormonas. Parece ser eficaz na anemia, no bom funcionamento do intestino, abre o apetite, aumenta a capacidade de trabalho, baixa a tensão arterial, actua nos transtornos da gravidez e menopausa, estimula o pâncreas combatendo a diabetes, aumenta a virilidade e fertilidade;
Própolis - constituída por resinas vegetais que as abelhas colectam de certas árvores, cera, pólen, ácidos e gorduras. As abelhas usam-na para calafetar as colmeias, soldar peças e para envolverem invasores mais corpulentos que tenham sido mortos dentro das colmeias, mumificando-os e retardando o processo de putrefacção por vários anos. Além de ter propriedades antibióticas, tem também acção imunológica, anestésica, cicatrizante e anti-inflamatória;
Cera - utilizada na confecção das velas, na composição de produtos de limpeza, cosmética, impermeabilização, isolamento na indústria eléctrica e em odontologia;
Veneno ou Apitoxina – em grandes proporções é letal para o homem mas em doses pequenas tem sido utilizada no tratamento do reumatismo, nevrites, nevralgias, redução do colesterol, doenças oftalmológicas. Pode ser administrada através das picadas naturais das abelhas mas também por injecções subcutâneas, pomadas, inalações ou comprimidos.

8 comentários:

Pepe Luigi disse...

Interessantíssimo este documentário sobre as abelhas.
Confesso que nada sabia e congratulo-me de já ter alguns conhecimentos.

Muito me alegro pelo seu retorno. Só espero que já tudo esteja bem de saúde.

Um grande abraço do amigo
Zé.

poetaeusou disse...

Ana
Vou dormir com a luz acesa.
fui aferroado aos 5 anos,
por uma abelha, Fobia apartir de:
decadas ainda me doi.
como odeio a abelha maya ...
não sou culpado de;
abrç)

maria disse...

Embora filha de apicultor pouco sabia acerca das abelhas, mas assisti ao meu pai a tratar delas, a fazer as colmeias, a extrair o o mel e eu deliciava-me com os favos...e também fui aferroada ainda menina.
Gosto muito das abelhas e de as ver a alimentarem-se nas florinhas, tenho mais histórias para contar mas ficam para outro comentário.
Bjs.

Quico disse...

O Ventor também me contou histórias sobre as abelhas mas é tudo de corrida e mais sobre o medo que tem delas apesar de só uma vez uma lhe ferrar uma nádega! Mas ele gosta muito das abelhas e está sempre a dizer-lhes: «se me ferras eu fico por aqui a grunhir, mas tu nem isso poderás fazer»! Elas assustam-se e vão-se embora! Mas havias de ver o Ventor quando decide correr com alguma abelha que entra aqui no meu miradouro. Ele abre a janela e diz-lhe como se estivesse a falar com uma pessoa: «pira-te, vai-te embora que eu não te faço mal». E não é que a abelha vai! Bjs e as melhoras.

maria disse...

É mesmo um mundo fascinante o das abelhas e até sabem matemática pois não foi por acaso que escolheram a forma hexagonal para os favos.~
Já me tinha interrogado sobre a tua ausência. Desejo as melhoras.

Anónimo disse...

gostei de conhecer o mundo incrível das abelhas é um mundo fascinante sem mais ass:silvia

Anónimo disse...

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- Thomas

Ana Castro disse...

Olá, achei muito interessante esse seu post. Gostaria de saber onde vocÊ encontrou tantas informações sobre abelhas. Faço uma monografia sobre própolis e me ajudaria muito.