2006-09-21

Afinal a bebida não é cidra mas sim sidra

Antes de começar a descrever as nossas peripécias no fabrico desta bebida, queriamos pedir desculpa por termos insistido em escrever cidra para a designarmos. Depois de algumas incertezas, resolvemos atacar o problema de vez. No dicionário da Porto Editora, cidra é o fruto da cidreira e sidra é o vinho de maçãs. Podíamos ter ficado por aqui mas quisemos saber mais sobre a cidra e consultámos a Wikipédia: cidra é uma fruta originária da Ásia, também conhecida por toranja ou laranja-toranja. Tem o nome científico de citrus medica. Ficámos confundidos quando ao pesquisarmos toranja também na Wikipédia, passámos a saber que é uma citrus x paradisi. Então são diferentes, ou não? Para os mais curiosos, conseguimos uma foto do fruto da citrus medica, retirada do site http://jouet.roger.free.fr/

Mas o que nos interessa neste momento é falar sobre a sidra e sobre as nossas ilusões e desilusões.
Esmagámos no aparelho eléctrico, 120 a 130 quilos de maçã de variedade desconhecida. A maçã esmagada ficou uma noite a descansar. No dia seguinte, esprememo-la na prensa manual e recolhemos 45 litros de sumo. Deixámos a descansar por uma semana e começou a formar-se uma espuma castanha esbranquiçada, o que aumentou a nossa expectativa. Só então é que pudemos medir a densidade (altura em que recebemos o densímetro pelo correio) e ficámos desiludidos com o valor de 1010, muito mais baixo que os 1016 a 1020 com que deveria ser engarrafada. Fizemos uma transfega nesse dia e outra dois dias depois. Medimos o álcool e era inexistente. Convictos do nosso insucesso, ainda assim acabámos por engarrafar. Pode ser sempre aproveitada quando passar a vinagre. Mas não desistimos perante este primeiro desaire e resolvemos repetir a operação agora com outra maçã que veio logo a seguir. Esmagámos mais ou menos a mesma quantidade. Recolheu-se menos sumo mas com uma densidade de 1060 (tinhamos recebido a informação de que uma densidade de 1045 é pobre em açúcar e 1065 é de excelente qualidade) e com um valor provável de álcool na ordem dos 7º. Desta vez começámos melhor. Agora está na fase de fermentação que vai dar origem à tal camada de espuma que deverá ser castanha. Sob a acção das leveduras, os açúcares são transformados em álcool e a densidade baixa. Neste momento é esse controlo que estamos a fazer para iniciarmos as transfegas. Entretanto a maçã que foi esmagada e prensada está a fermentar para mais tarde ser destilada no alambique. Temos também pera rocha nas mesmas condições para fazermos aguardente de pera.
Vamos continuar a dar notícias sobre a sidra. Esta explicação já era devida aos nossos amigos que estavam preocupados com o nosso silêncio

2006-09-20

Morango e Chocolate

De vez em quando revejo o filme cubano "Morango e Chocolate" de Tomás Gutierrez Alea, baseado no conto "El bosque, el lobo y el hombre nuevo" com a interpretação fantástica de Jorge Perugorría. A história decorre em Havana no ano de 1979. Um estudante universitário e militante comunista acreditando nos ideais da revolução, encontra-se com um artista homossexual, lutando pela liberdade de expressão e desiludido com o despotismo do governo. Defendendo pontos de vista opostos, estes dois homens acabam por se ligar numa forte amizade. É um filme muito bonito e comovente, tendo sido premiado em diversos festivais. Abreviando: tenho uma cópia antiga em VHS que está com problemas e corro o risco de em breve deixar de poder ver o filme. Alguém me pode dizer como posso arranjar uma cópia em DVD, legendada em português?

2006-09-19

Mãe adoptada

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Há dois anos comprei 6 gansos na feira. Gosto destes animais e nunca me tinha lembrado de os criar aqui. Eram muito novos, ainda com bastante penugem. Fizeram-se num instante. Os machos lutavam pelo direito às fêmeas e galavam-nas quase sempre em cima de uma poça que todos os dias enchia de água. O líder do bando não perdia uma oportunidade de impôr os seus direitos. Na Primavera seguinte as fêmeas puseram uma montanha de ovos e disputavam entre si a propriedade dos mesmos. As zaragatas eram a sério e terminavam sempre com gemadas patinhadas. Não havia meio de se entenderem e cada vez havia menos ovos. Uma manhã, ao ver que já só restavam quatro e antes que acontecesse mais alguma desgraça, resolvi pô-los numa chocadeira eléctrica e lá ficaram os 25 a 30 dias de incubação. Todos os dias virava os ovos e borrifava-os com água. Entretanto a chocadeira avariou-se e pude constatar que os bichinhos já piavam dentro do ovo e deviam estar quase a nascer. Em pânico pus-me a pensar na maneira de resolver a situação evitando a morte dos pequenitos. Podem dizer-me que havia mais de um cem número de maneiras para manter os ovos quentinhos. A verdade é que a única coisa que me ocorreu, foi metê-los debaixo do cobertor eléctrico, embrulhados numa flanela e assim evitar o seu arrefecimento. De vez em quando passava pelo meu quarto e espreitava-os. Ao cair da noite, apareceram as cascas estaladas com aquele sinalzinho de animal que se prepara para sair. Atrasei a hora de me deitar mas nenhum deles estava apressado e acabei por fazê-lo tardíssimo e com os ovos picados ao meu lado. Foi um dormir muito leve porque de vez em quando ouvia-os piar aflitivamente e ia ver o que se passava. Não se passava nada de especial. Apenas aquele incómodo de quem se sente muito apertado e tem que fazer os possíveis para se libertar do espartilho.
De madrugada acordei ouvindo um pipiar diferente, de quem conversa entretido. Levantei o cobertor e sorri ao ver quatro bolinhas de penugem amarela a olhar para mim. Disse-lhes: "-Bom dia meninos. Sejam bem vindos!"
E eles responderam naquele idioma que só os gansinhos sabem usar. Mais tarde mostrei-os às gansas na esperança que alguma os adoptasse. Aproximaram-se deles com curiosidade. Afastei-me um pouco para assistir à cena. Qual foi o meu espanto quando vi os gansinhos abandonaram os adultos e virem colocar-se entre os meus pés. Arranjei uma caixa com uma lâmpada para se manterem quentinhos e levei-os para casa. Mas os animais permaneciam muito inquietos, a gritarem de uma forma aflitiva e a calarem-se sempre que me viam aproximar.
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Nessa altura percebi que tinha sido adoptada como mãe. Passaram a andar comigo para todo o lado. Até levava a caixinha no carro quando tinha que ir às compras e era a única maneira de os manter tranquilos. Já mais crescidos e com as penas a aparecerem por entre a penugem, ainda caminhavam atrás de mim pela quinta. Só mais tarde é que aceitaram fazer parte do bando adulto e começaram a esquecer-se da ligação que tinham comigo.
Quando contei esta história a um amigo, este falou-me de Konrad Zacharias Lorenz, zoólogo e psicólogo austríaco (premiado com o Nobel da Medicina em 1973) que descreveu o imprinting em aves jovens. Este imprinting, é um género de padrão fixo de acção, que faz com que os gansinhos recém-nascidos persigam qualquer coisa que se mova, pessoa ou animal, reconhecendo-a como "mãe" a partir desse momento. Será que seguiriam um objecto que se fizesse deslizar à frente deles, mal saíssem do ovo?
Não percam a próxima experiência :)
Entretanto podem ver os 2 pequenos videos que se encontram abaixo deste texto. São de uma outra criação, mas para o caso, pouco
importa.

A proeza de nascer 2

A proeza de nascer 1

2006-09-14

Regresso de Férias - Notícias das Luffas


Depois de um pequeno período passado longe da quinta e à beira-mar, voltamos para continuarmos este intercâmbio de informações que nos tem dado tanta satisfação. Vamos continuar a falar das cucurbitáceas Luffas cylindricas, uma vez que já temos em nosso poder a máquina de fotografar. A foto acima (aos amigos iniciados nestas andanças e que se queixam do tamanho reduzido das fotos, aconselhamos clicar em cima das mesmas para as poderem ver no tamanho original) mostra uma planta cheia de vigor. Tem flores femininas dispostas em cacho, com os frutos atrás e masculinas isoladas e sem fruto, ambas de um amarelo intenso. Os entendidos recomendam ajudar a polinização com um pincel mas nós não o fizemos. Semeia-se na Primavera, gosta de sol e suporta qualquer terreno desde que seja bem drenado. Antes de partirmos para férias, colhemos um dos seus frutos e experimentámos raspar a casca verde que saíu bem. Receámos tê-lo feito cedo demais porque o seu interior extremamente fibroso estava ainda muito húmido e mole. Deixámo-lo ao sol e quando chegámos vimos o aspecto com que sempre o conhecemos e que podem também ver na foto abaixo. Ainda tem pevides no seu interior que se vão soltando e caindo à medida que vai ficando mais seca. Podem reparar que as pevides ainda estão brancas em vez de terem adquirido a cor preta de maduras como tinham as originais. Informaram-nos, ainda quando revíamos este texto, que os frutos devem ser colhidos antes da fase final da maturação mas quando a casca já começa a amarelar. Devem ser batidos para ajudar ao desprendimento da casca e à eliminação das sementes. Se a plantação for destinada a fins comerciais, 24 horas após a colheita, os frutos deverão ser descascados e lavados em tanques apropriados com batedores para eliminar a substância gomosa que têm no interior e depois serão pendurados para secarem. Depois de bem secos, deverão ser cortados conforme a função a que se destinem. É um autêntico esfregão natural, óptimo para lavar a loiça e também para lavar o corpo. Quase um exfoliante se não usarmos de alguma doçura :)