2011-05-04

Adeus Tanit Amiga!...


A Tanit entrou na nossa família mais o seu irmão gémeo Thor em 1997 ao colo do Pai Natal.

Cresceram cheios de energia e num instante tornaram-se nos nossos guardas pessoais.


Todos os cães são dedicados aos seus donos. Mas estes eram de uma dedicação e de uma obediência impressionantes.

Não permitiam que ninguém mexesse em nada no nosso espaço quando não estávamos presentes e nem pensar em sair da quinta sem autorização dos donos, principalmente se entravam de mãos vazias e saíam com algum saco ou embrulho :)

Se chegava alguém que desconheciam, ficavam inquietos, rondando-o de sobrolho franzido e muito atentos ao nosso tom de voz.

Afastavam-se quando percebiam que todos estavam calmos ou quando nos ouviam dizer que era amigo, palavra que conheciam muito bem o significado.

Uma vez tivemos que mandar fazer umas obras que iam durar alguns dias. Como o pessoal entrava muito cedo para adiantar os trabalhos, demos a chave do portão a um deles para poderem entrar e começar antes de aparecermos.

Não nos lembrámos que o Thor e a Tanit iriam achar muito estranho uma invasão daquelas e acabaram por impossibilitar o avanço do trabalho por se terem sentado em cima da pilha de tijolos e dos sacos de cimento, rosnando sempre que os homens se aproximavam do material.

Nunca morderam ninguém, limitando-se a avisar as pessoas que estavam ali como guardas das pessoas e bens da casa.

As histórias são imensas e lembro-me de uma vez em que caçaram uma galinha que se tinha evadido da capoeira na nossa ausência.

Quando chegámos, nenhum deles apareceu para nos receber e mantiveram-se deitados dentro do canil. Por acharmos estranho o comportamento que não indiciava nada de bom,  demos uma volta perto da casa e ao passarmos em frente da capoeira, vimos uma galinha morta colocada junto à porta de rede, sem um rasgão ou dentada mas completamente nua, sem uma pena por mais pequena que fosse em qualquer parte do corpo.

A brincadeira devia ter sido divertida para eles e quando se aperceberam que o animal já não se mexia, trataram de o pôr à porta da capoeira talvez na esperança que ele se erguesse e se juntasse aos outros, livrando-os do castigo que sabiam merecer.

Em Setembro de 2006 publiquei uma crónica de saudade quando o Thor partiu na sua derradeira viagem e hoje, passados quase 5 anos, aqui estou a escrever sobre a partida da sua irmã.

Quando chegaram os gémeos Dongo e Nanã, também Leões da Rodésia, e que apresentei neste blog há uns 4 anos atrás, a Tanit adoptou imediatamente o Dongo, acompanhando-o para todo o lado, sempre preocupada com ele e principalmente com a sua apresentação.



A Tanit agora já com 14 anos era bastante idosa. Mas comportava-se ainda como cachorra gostando de brincar e de sorriso estampado no focinho.




Os cães vivem relativamente pouco tempo e por isso vamos assistindo às suas partidas sempre com o coração apertado.

O imenso carinho que sentimos pelos nossos cães, obriga-nos a decidir a pôr fim a uma vida colhida por uma doença incurável e que irá evoluir para um enorme sofrimento.

A doença só foi visível numa fase adiantada e em poucos dias assistimos à perda de apetite, aos ganidos surdos que indicaram o início das dores, à impossibilidade de se erguer da cama…

Como não conseguia erguer-se, transportámo-la para a clínica dentro da sua cama que foi colocada em cima da marquesa. 

Puseram-na a soro e de passo em passo fomos aproximando-nos rapidamente do momento da despedida.

Fiquei junto a ela sorrindo-lhe, fazendo-lhe festas e cantarolando-lhe pequenas palavras no tom de mimo que ela tanto apreciava. Ficou sonolenta com o medicamento que lhe deram e, quando começou a respirar de uma forma bastante calma, fiz sinal à médica para prosseguir, engolindo os soluços que me subiam pela garganta.

A Tanit fitou-me com os seus olhos meigos, num olhar que foi perdendo lentamente o brilho e assim partiu devagarinho e sem sofrimento. 


Adeus, minha linda!



14 comentários:

pinguim disse...

Ana
nem sabes como te compreendo, minha Amiga.
Passei há cerca de um mês exactamente o mesmo que tu, com quase os mesmos passos, com o meu gato Boris.
Já tem substituto, mas não me sai do pensamento.

horticasa disse...

Lamento a sua perda, também já me morreram animais e sei o que se sente.
Neste momento como vivo em Lisboa não tenho animais mas tenho muitas saudades.
bj eugénia

Paixão Lima disse...

Quanto mais conheço os homens mais gosto dos cães. Sempre me recordo de ter cães. Presentemente tenho a Lira, uma cadelinha preta de palmo e meio. Era para ser abatida por ser portadora de uma doença crónica do fígado. Impedi o assassinato e não me arrependi. A bichinha paga em amor inexcedível o que tenho gasto com ela. Antes da Lira tive o Rufus, um cão de 70 Kgs que morreu vitimado por um linfoma. Foi uma tragédia para toda a família e uma dor que permanece. Compreendo o seu desgosto e lamento.

Patrícia disse...

Olá querida Ana!

A minha história pessoal fez-me contactar com a Tanit em duas fases distintas..fico feliz por ter partilhado desses momentos e poder dizer que também perdi uma amiga!
Um beijo grande.

Anónimo disse...

Andava fora do circuito, eu.
Comovente - perdas que não se apagam. Nunca.
Gentes e bichos, no carinho.

Um beijinho, Ana, da bettips

António A. disse...

Olá.
Também nós passamos e sofremos em situação idêntica. O Niki foi dedicado companheiro durante 16 anos e pouco mais de 3 meses. Não me envergonho de dizer que não era apenas cão fiel, fazia parte da família e quando partiu o sentimento de todos nós foi de tristeza por largos dias e choro constante. Desde então e já vão passados quase 3 anos ainda não houve coragem para acolher outro cão, tal é a lembrança que o Niki em nós deixou.

Cumprimentos
António A.
www.hortadecodecais.blogspot.com

Ana Maria B disse...

Infelizmente eles duram muito menos que nós e temos que aceitar esse facto. Mas que dói, dói. Eu ando sempre pelo menos três dias a chorar pelos cantos, às escondidas, até me conseguir conformar.

annie hall disse...

Já passei por issocom o meu woody e há dois anos , faz a 29 deste mês, com o querido Athilla.Mas o veterinario veio aqui a casa e eles adormeceram deitados no seu cantinho sobre as suas mantas , comigo ali junto.Custa muito mas temos de nos lembrar que viveram felizes e sem eles nós não tinhamos sido tão afortunados.
Um abraço para si.

gata verde folha disse...

Que sorrisos têm os animais... Nada como eles para nos aquecer a alma. Abraço pela sua perda!

Anónimo disse...

Oi é a 1ª vez que encontrei a tua página e adorei imenso!Bom Trabalho!
Até à próxima

Anónimo disse...

Dª Ana, só agora vi o seu post.
Lamento a sua perda, mas sei que a Tanit partiu com a sua amável recordação e com memórias de muito carinho e afecto.
Será recordada com carinho.
Um abraço

Abel

Helena disse...

Olá ANA, NÃO SEI COMO ENCONTREI ESTE BLOG, QUE ADOREI. eU TAMBEM TROQUEI A VIDA DE CIDADE PELO CAMPO, HÁ 4 ANOS, E NÃO ME ARREPENDO, POIS AGORA TENHO ALGUNS ANIMAIS, UMA OVELHA, UM CARNEIRO E CERCA DE 9 GALINHAS, (ÁS VEZES HÁ MAIS). TENHO UMA HORTA, E O MEU DESGOSTO É NÃO TER MUITO TEMPO, POIS AINDA TRABALHO. ADOREI VER O CARINHO QUE DEMONSTRA PELOS ANIMAIS, E GOSTEI DAS INFOR. SOBRE AS OVELHAS. VOU CONTINUAR A SEGUIR.

Joba disse...

Olá Ana.
Longe dos blogues por motivos profissionais, lá consigo dar uma volta de vez em quando e hoje assim fiz para ler esta triste história. Mas como dizes os cães têm a vida tão curta que acabamos por sofrer sempre na sua partida.
Cumprimentos dos Açores. Joba

Lais Castro disse...

Uma linda historinha de afeto!