2006-11-02

A estrela dos lagos

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Hoje tivemos o prazer de sermos orientados pelo prof. Jorge Paiva numa visita ao Jardim Botânico de Coimbra, uma divulgação feita pelos responsáveis do site Dias-com-Árvores correspondendo ao convite feito pelo prof. Mário Tomé.
O entusiasmo do prof. Paiva contagiou o grupo que pôde ver atentamente todas as raridades do jardim como a Erythrina crista-galli, Cryptomeria japónica, Cunninghamia sinensis, a colecção de Eucalyptus, a Ginkgo biloba, a sequóia gigante da Califórnia, as várias palmeiras, a figueira da Austrália, os plátanos, choupos, ulmeiros, as cores que começam a pintar o Acer japonicum, o Liquidambar sytraciflua, o ambiente de penumbra poética criado pelo magnifico bambuzal de grande porte de Phyllostachys bambusoides e ainda com uma visita final ao Museu Botânico.
Mas como decidimos falar apenas de uma planta, escolhemos por unanimidade a Victoria amazonica ou Victoria régia. É uma planta aquática flutuante, pertencente à família das Nymphaeacea, originária da zona equatorial da América do Sul.
As suas folhas que parecem bandejas redondas podem atingir os 2m de diâmetro. Possui nervuras na sua parte inferior, ajudando-a a flutuar, tendo uma borda de 5 a 10cm que evita a entrada da água que poderia provocar o seu apodrecimento. Para evitar encher-se com a água das chuvas, possui um canal a meio da folha que orienta a água até 2 fendas que tem na borda. Possui também uma série de espinhos na parte inferior da folha para evitar assim os predadores, como os peixes e crocodilos.
Agora o curioso é termos podido ver uma das suas flores aberta. É que ela fora do seu ambiente natural só floresce uma vez por ano e a flor só dura 48 horas.
A flor é branca abre a meio da tarde até à manhã seguinte, exalando um perfume que atrai os besouros polinizadores. Depois fecha aprisionando os insectos que só tornam a sair a meio da tarde desse dia quando ela tornar a abrir com uma cor rósea e já devidamente polinizada. No terceiro dia adquire uma cor mais escura, a flor fecha, mergulha e o fruto amadurece na água, cerca de seis semanas depois da floração.
Existe uma história lindíssima entre os índios da Amazónia que explica o aparecimento da Victoria amazonica. Conta a lenda que uma índia chamada Naiá apaixonou-se por Jaci, a lua. Acreditava que Jaci em noites de lua cheia, descia à terra procurando uma virgem, transformando-a depois em estrela para lhe fazer companhia. Naiá queria a todo o custo tornar-se também numa estrela para brilhar ao lado de Jaci.
Atraídos pela sua beleza, os homens tentavam cortejá-la na esperança de virem a ser escolhidos. Naiá a todos recusava apenas preocupada em ser escolhida por Jaci. Passava as noites sentada mirando a lua e quando amanhecia, corria no sentido oposto ao sol para tentar alcançá-la. Mas uma noite, exausta, acabou por adormecer à beira de um lago. Quando acordou, exultou de felicidade ao ver a lua reflectida e julgando ser o momento tão esperado, mergulhou nas águas profundas acabando por se afogar.
Jaci, ao ver o sacrifício de Naiá, resolveu fazer-lhe a vontade e transformá-la numa estrela, mas uma estrela dos lagos: a bela Victoria régia, abrindo as suas pétalas ao luar para finalmente reflectir a luz de Jaci. Posted by Picasa

10 comentários:

Manuel Anastácio disse...

Que pena não ter podido ir também. Como sempre, alias neste post informações interessantes com uma linguagem poética muito tua... É sempre um prazer ler-te.

Fatima Vinagre disse...

Como eu gostava de ter uma destas Vitória régia no meu lago!! Bj

Jofre Alves disse...

Faço a ronda, não por imperativos menos concebíveis, mas porque este blogue é duma estética irrepreensível, comprometido com a beleza da vida, a merecer mais e constantes visitas, porquanto aqui respira-se serenidade, e sinto-me, dum modo agradável, satifeito, pois a excelência não tem preço, simplesmente apreço. Bom fim-de-semana.

anete joaquim disse...

Tudo bem aí em cima? Não tiveste problemas com a chuva? Espero que não!
bjs

Chauffeur Navarrus disse...

Marcamos presença!

Jardineira aprendiz disse...

É uma história muito bonita! Pois é, que pena não poder ter ido.
Beijo

Badala disse...

O Doutor Jorge Paiva é uma pessoa fantástica, como já não existem. E possuidor de um enorme conhecimento. Sinto uma enorme admiração pelo Professor.

ez disse...

Ana,
não sabemos de ti. Está tudo bem?
(eu continuo a apanhar água - manhã, tarde e noite - mas parece que o tempo me vai dar uma trégua e espero começar a obra na cave... na próxima 2fª)
bjs

dulce disse...

Eu conheço essa árvore! Até tenho uma foto dela no meu blog das fotos.
Beijos

Badala disse...

A história da Vitória é linda.