2008-04-29

Bolo-Rei é quando a gente quiser

Já andava há uns dias com desejos de comer um bocado de bolo-rei. Mas nesta altura do ano é difícil de se encontrar.
Os desejos eram tantos que me atrevi a tentar fazer um bolo-rei, logo de manhãzinha, seguindo uma receita da minha mãe.
Como não tinha fermento de padeiro não pude fazer o preparado que consiste em amassar bem 100 gr de farinha com 60 gr de fermento de padeiro e juntar 1 dl de leite amornado. Depois fazer uma bola e deixar levedar.

Por isso comecei mais adiante juntando 800 gr de farinha com 225 de margarina, 225 de açúcar, a raspa da casca de uma laranja e comecei a amassar com firmeza. Seria a altura de juntar a tal bola feita com farinha, fermento e leite, mas como não a pude fazer, juntei o conteúdo de um pacotinho de fermento instantâneo. À falta de Brandy juntei um cálice de Porto e 6 ovos um a um.


Amassei com muita energia a massa, batendo-a vivamente sobre a mesa e cortando-a com as mãos até a sentir fofa, envolvendo-a de vez em quando com um pouco de farinha polvilhada na superfície.
Depois juntei á massa as frutas cristalizadas partidas aos bocadinhos, nozes e pinhões. Faltaram-me as passas


Amassei tudo muito bem, formei uma bola que pus a levedar dentro de um alguidar coberto com um pano num ambiente aquecido.



Esperei mais de 2 horas e não levedou quase nada. Quer dizer que ficou mais ou menos do mesmo tamanho o que me deixou muitas dúvidas sobre a eficácia do fermento instântaneo.
Despejei a massa na mesa e moldei o bolo rei. Fiz dois porque a massa era mais que suficiente e ficaram mais duas horas a levedar.
Como já estava a desconfiar, também não cresceram.
Pincelei com gema de ovo e comecei a decorá-los com frutas cristalizadas, mais as nozes e pinhões, pondo também 4 montinhos de açúcar branco para ficar mais bonito e foram a cozer no forno com temperatura média por 25 minutos.



Depois de estarem cozidos pincelei-os com mel sobre as frutas para lhes dar brilho, uma vez que não tinha geleia e o resultado final foi este:



Assim meio aldrabado, não estava tão fofo como é costume mas estava uma delícia e valeu bem a pena ter esperado tanto tempo até à fase final.

Acompanhado com chá de framboesa serviu para um belíssimo lanche numa destas tardes frias e chuvosas de Abril.

2008-04-12

O círculo dos cogumelos

Para iniciar este post começamos por afirmar que temos horror ao consumo de cogumelos apanhados por pessoas que se dizem experientes na matéria.
Limitamo-nos a comprar Cogumelos de Paris, frescos, em estabelecimentos que nos inspirem confiança, ainda que o pessoal que aqui trabalha apanhe sacos de míscaros que levam para casa com a condição de não os dizimarem completamente.
Há alguns anos fomos almoçar a um restaurante que tinha como um dos pratos do dia, arroz de míscaros. Resolvi esquecer o terror dos cogumelos e como nunca tinha provado míscaros, confiei na casa e pedi um prato para mim que realmente estava uma delícia, já não sei se dos míscaros ou se das carnes.
No final ficámos a conversar um pouco com um dos donos que já conhecemos há muitos anos e perguntei onde é que eles se iam abastecer de míscaros. Fiquei apavorada quando o ouvi dizer que compravam a umas senhoras que apanhavam pelos pinhais e que os iam entregar em cestos logo pela manhã. Só me restava esperar que não tivesse havido erro nenhum na colheita e que essas senhoras percebessem muito mais de míscaros do que eu, o que felizmente aconteceu.
Lembrámo-nos de escrever sobre cogumelos porque temos andado intrigados com um tipo de cogumelos pequenos e brancos, parecidos com os de Paris, que se dispõem ao longo de uma linha circular.
A foto abaixo foi a possível. Mostra o início da formação de um desses círculos que são sempre destruídos com a passagem continua dos animais.

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Depois de várias leituras ficámos a saber o seguinte:
O cogumelo é apenas a parte visível de um fungo. É o seu corpo de frutificação que pode soltar milhões e milhões de esporos por dia. Por sua vez o fungo desenvolve-se subterraneamente, constituído por finas ramificações denominadas hifas, a cujo conjunto se dá o nome de micélio e cuja função é a de conseguir os nutrientes necessários. Alastra-se circularmente a partir de um ponto no centro, aumentando o diâmetro do círculo de ano para ano, se as condições foram satisfatórias, podendo ir de poucos centímetros até dezenas de metros.
Mais tarde encontrámos uma foto na Net que dá uma óptima ideia de como o fungo se pode alastrar se não encontrar nenhum elemento que prejudique a sua expansão.

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Estava assim explicada a razão dos círculos destes cogumelos que aparecem frequentemente nas nossas zonas de pastagem.
Estas formações fazem no entanto parte da mitologia celta e também do imaginário colectivo duma série de países da Europa, mais acentuado nos países escandinavos. São os chamados Anéis das Fadas ou Rodas das Bruxas.
Estes círculos seriam visitados por uma série de figuras maravilhosas pertencentes ao mundo das florestas: fadas, bruxas, elfos, duendes, etc. que se reuniriam e dançariam em noites de lua cheia. É interessante ler as mil e uma orientações publicadas na Net sobre este assunto.
Sendo um mundo estranho e invisível para o homem, este também poderá assistir ao espectáculo se der 9 voltas ao circulo no sentido dos ponteiros do relógio. Deve vestir uma roupa leve e esvoaçante se tiver intenções de participar destes encontros mágicos. Ficámos a saber que se fizer um pedido junto ao anel das fadas, tem-se a garantia de vir a ser satisfeito. Deve ter-se o cuidado de nunca urinar para dentro do círculo o que provocará uma doença venérea grave. Ficámos a saber também que tipo de comida ou guloseimas são do agrado destes seres. Deve evitar-se pôr os dois pés dentro do círculo porque poder-se-á entrar no mundo das fadas e sem hipótese de regresso… a não ser que alguém tenha assistido ao acontecimento e que após 7 anos, do nosso tempo real, para 1 dia do tempo mágico, se coloque junto a um desses círculos numa noite de lua cheia e esperar pela dança para poder depois puxar com toda a força a pessoa perdida, não colocando obviamente os seus 2 pés dentro do anel.
Por curiosidade andámos a ler diversos contos tradicionais portugueses num livro de Consiglieri Pedroso que compilou uma série de contos junto de uma população muito diversificada que repetia lendas e contos ouvidos pela boca dos seus antepassados, quando a oralidade era o meio usado para a difusão de informações. O livro foi editado em 1910 apoiando-se também numa compilação feita em 1883 por Teófilo Braga e noutra mais antiga ainda feita em 1879 por Adolfo Coelho. Muitos desses relatos importados pelo contacto com povos indo-europeus, sofreram várias adaptações ao nosso meio e cultura. Mas muitos têm características unicamente ibéricas.
Estávamos com esperança de ler alguma história que se referisse a estes Anéis de Fadas, mas não encontrámos nenhuma referência nas dezenas de contos que estivemos a ler.
Pudemos também constatar que as fadas dos nossos contos não são seres esvoaçantes, luminosos e de uma beleza indescritível. A fada entra no conto essencialmente para cumprir a sua função, sem se perder tempo com descrições do seu aspecto físico. A bruxa é apenas uma fada maléfica.
Também nos pareceu curioso saber que alguns cogumelos eram usados em certas cerimónias religiosas devido ao seu efeito alucinogénio que provocava sonhos estranhos repletos de movimentos de luzes com várias cores, precisamente as características descritas pelas pessoas que afirmam já ter visto fadas num dado momento da sua vida.

Este assunto interessou-nos de tal maneira que voltaremos a ele quando dispusermos de mais informação
.

2008-03-31

Encerrados temporariamente

Avisamos os amigos que nos escrevem, preocupados com todo este silêncio que nos encontramos temporariamente encerrados devido a uma gripe que nos atingiu a todos sem conseguirmos evitar o contágio do pobre computador que anda também com vírus, mal humorado e sem força anímica para nada.
Na semana passada pegámos nas nossa bagagens e deslocámo-nos rumo à capital para assistirmos a vários espectáculos da banda "Chauffeurs Navarrus" que esteve a tocar no Casino de Lisboa.
Como já adivinhávamos por concertos anteriores, valeu a pena a deslocação por nos terem brindado com óptimos espectáculos sempre cheios de energia e alegria contagiando o público presente
O convívio com uma série de amigos que não víamos há uma série de tempo, incluindo a Dulce e o Ezequiel que simpatica e estoicamente ouviram o chorrilho de histórias e historietas que nos apressamos a contar como se o mundo acabasse ontem, mais aqueles que nem sequer conhecíamos pessoalmente, foi excepcionalmente agradável obrigando-nos a esquecer a existência de relógios e a ficarmos em alegre cavaqueira até de madrugada.
Trocar o ar puro desta quinta por aquele, enclausurado numa enorme sala ainda que com óptimos aparelhos de extracção de fumo, deu origem a que um vírus nos achasse belíssimos hospedeiros e ficou simpaticamente connosco.
E só para arrematar:
Quando regressámos à quinta, encontrámos todas as superfícies cobertas com uma fina camada de pó amarelo/esverdeado.
Descobrimos depois que a responsabilidade cabe a estes estróbilos masculinos dos pinheiros que libertam uma grande quantidade de grãos de pólen e que arrastados pelo vento vão fecundar os óvulos dos estróbilos femininos dando origem aos pinhões.
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Assim que melhorarmos, voltamos com novas histórias.
Obrigada pela preocupação

2008-03-11

Um passeio adiado

Há umas semanas atrás resolvemos aproveitar o domingo para visitar o Parque Natural do Douro Internacional que fica entre Barca de Alva e São João das Arribas.
A paisagem era deslumbrante com os seus maciços rochosos, bosques de carvalho negral e cerquinho, manchas amarelas de giesta, terrenos de granito e xisto, zonas rurais agrícolas com enormes extensões de laranjeiras, amendoeiras em flor pintando a paisagem d
e tons rosa e branco, olivais a perder de vista, assim como plantações de vinha que segundo dizem fazem parte da mais antiga região demarcada do mundo com vinhos premiados em Portugal e no estrangeiro.
Parámos em Freixo de Espada à Cinta, onde nasceu Guerra Junqueiro, com a intenção de visitar a torre de menagem de um antigo castelo gótico, conhecida também por Torre do Galo ou Torre do Relógio e tentarmos visitar as criações de bicho da seda que dão origem a uma produção de seda artesanal exportada para o estrangeiro. Pretendíamos ainda visitar a aldeia de Mazouco para vermos o “Cavalo de Mazouco” que pertence a uma série de vestígios da arte rupestre do Paleolítico Superior ao ar livre, dos primeiros a ser identificados na Europa .
Mas, devido a um imprevisto, o nosso passeio terminou em Freixo de Espada à Cinta e tivemos que regressar.
Ficou a determinação de voltarmos ainda nesta Primavera para tentar fazer um percurso de 8 horas numa extensão de 140 km com visitas guiadas a vários centros de interesse entre Barca de Alva e Aldeia Nova, sempre com o rio Douro ao lado, um dos maiores rios da Península Ibérica que escavou arrebatada e apaixonadamente
as rochas ao longo de milhões de anos e que desliza agora apático, aprisionado pelas barragens, no fundo de perigosas escarpas. Por ali ainda se pode avistar a águia-real e a cegonha-negra que estão em vias de extinção, o abutre do Egipto com dificuldades na sobrevivencia da espécie e a rara águia de Bonelli assim como o falcão peregrino, entre outras.
E este post terminaria aqui se não tivessemos ficado intrigados com uma espécie de moinhos sem mastros que salpicavam a paisagem de branco.
Ficámos a saber que se tratava de pombais e daí a explicação para uma série de aberturas visíveis por baixo do beirado dos telhados.

Embora na Idade Média já aparecessem pombais nos terrenos feudais, foi com o Renascimento que começaram a ser intensamente construídos por toda a zona agrícola da Europa Ocidental.
Os pombais tradicionais contribuíam fortemente para a economia familiar fornecendo carne de pombo ou borracho e o estrume, chamado “pombinho” fertilizante natural que ajudava a enriquecer os solos pobres para o cultivo da vinha, olival, laranjal, hortas, etc.
Existem pombais em quase todo o país. Mas só na zona do Nordeste conta-se com cerca de 3.500! A maioria tem planta circular ou em ferradura, lembrando formas arquitectónicas castrejas, com paredes construídas em pedra de granito e xisto, bem grossas para permitir edificação de patamares, buracos e prateleiras por dentro para os pombos nidificarem. No interior tem normalmente uma mesa onde é depositado alimento e água, principalmente nos períodos de maior escassez. A porta construída muito acima do nível do solo, mais parecendo uma janela baixa, serve para evitar a entrada de predadores como fuinhas, ginetos, gatos, doninhas, ratos, cobras e também para permitir a acumulação no chão do esterco das aves, não dificultando a abertura da porta. Esta está colocada de frente para a povoação ou para outro local que permita a vigilância frequente da população ou do dono. O telhado tanto é circular, como pode ter uma ou duas águas cobertas com telha ou placas de ardósia, posssuindo muitas vezes estatuetas e pinocos no cimo das cumeeiras.
Na foto abaixo, retirada da Net, pode ver-se o interior de um pombal em ruínas




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O pombo-das-rochas que nidifica nos penedos do vale do rio Douro, acaba por ser atraído para estes pombais construídos nas proximidades e onde vai encontrar alimento e um óptimo abrigo, o mesmo se passando com outras aves mais pequenas, como o pardal.
A partir da década de 60 uma grande parte da população rural do toda a região interior do norte, emigrou. Os que ficaram, foram modernizando as suas culturas e reduzindo o cultivo de cereais. Os pombais perderam a utilidade de outrora, começaram a ser esquecidos e entraram em degradação. Os caçadores ignorando a legislação da caça, abateram milhares de pombos muitas vezes aproveitando a localização dos pombais. Os pombos por sua vez, perante a falta de alimento e segurança, aproximaram-se dos centros urbanos onde passaram a ser alimentados pela população nos jardins públicos.
Entretanto o Instituto da Conservação da Natureza através do Parque Natural do Douro Internacional, considerado Área Protegida, deu início a um projecto pioneiro na recuperação de pombais tradicionais, valorizando a paisagem e contribuindo para melhorar os recursos alimentares de diversas aves de rapina em vias de extinção.
Presentemente já há uma forte sensibilização nas povoações e por isso foi possível fotografar um desses pombais, bem cuidado e habitado por bastantes pombos que fugiram em debandada perante a nossa aproximação. O terreno estava de tal maneira encharcado, cheio de marcas das lagartas de um tractor, que dificultou imenso o acesso.




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Aqui fica a sugestão para um passeio extremamente interessante.

2008-02-28

O perigo espreita no pinhal

Desde o início de Fevereiro que assistimos preocupados à saída das longas filas de processionárias que estão a abandonar os seus ninhos.
Para aqueles que ainda não sabem o que são processionárias, iremos fazer uma breve revisão sobre o tema.
A processionária ou a Thaumetopoea pityocampa é uma lagarta que se alimenta das folhas (agulhas) dos pinheiros, também podendo alimentar-se das dos cedros e abetos.
Os 300 ou mais ovos de cada fêmea são depositados em volta de uma agulha de pinheiro, protegidos por escamas do abdómen da borboleta
Poderão ver o seu aspecto entrando neste link: http://br.youtube.com/watch?v=ukXKBOvCAx4
As lagartas nascem entre Junho e Setembro e fabricam um ninho, ou vários, com os seus fios de seda, onde se resguardam dos frios do Inverno. Ao construirem vários ninhos orientados de maneira diferente, tentam defender-se das temperaturas incómodas, uma vez que não resistem abaixo dos -12º. nem acima dos 32º.
Durante as estações frias, saem à noite para se alimentar das agulhas dos pinheiros.
No início do ano, assim que o tempo começa a aquecer e até Março, as lagartas abandonam os ninhos descendo pelo tronco dos pinheiros, em procissão (daí o seu nome), sendo guiadas por uma fêmea que vai tecendo um fio de seda para não se perderem umas das outras.
Nesta altura do ano é vulgar ver as longas filas que se deslocam rapidamente, embora quase sem darmos por isso, procurando um solo solto que lhes permita enterrarem-se para crisalidar, aparecendo as novas borboletas no Verão, só tendo 1 ou 2 dias para serem fertilizadas e terminarem a postura, finda a qual perecerão.
Além de andarmos a perseguir as longas procissões para as destruir antes de se enterrarem, também cortamos os ramos dos pinheiros que contêm esses ninhos. Mas como há muitos pinheiros demasiadamente altos, usamos umas caixas que comprámos para o efeito que penduramos nos ramos e que têm dentro uma pastilha com feromona (tipo Chanel 5) para atrair a borboleta macho, sendo este depois surpreendido dentro da caixa por uma pastilha de insecticida. No Verão, limpamos as caixas frequentemente e colocamos novas pastilhas.
A foto abaixo mostra o interior de um ninho com as processionárias enroladas, defendendo-se do frio, antes de o destruirmos.

 
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Esta outra foto, mostra o local escolhido por uma fêmea-guia. Reparámos que a terra tinha sido remexida recentemente e ao escavar descobrimos o esconderijo dessa colónia.

 
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Ontem, ao darmos o passeio habitual de fim da tarde com os nossos cães pela extrema da quinta, fomos surpreendidos com o comportamento do Dongo que não parava de vomitar e de esfregar o focinho no chão. A Nanã ao ver a aflição do irmão dirigiu-se a ele para o lamber e no preciso momento começou a disparar em grandes correrias, babando-se e a ganir. Não tivemos dúvidas que tinha havido contacto com pêlos das processionarias. Tivemos que agir rapidamente, só perdendo tempo a procurar as coleiras e trelas e metemo-los de imediato no carro, partindo a grande velocidade para a clínica veterinária uma vez que a celeridade do início do tratamento pode ser a salvação do animal. Chegados à clínica, estavam mais calmos mas era muito nítida a língua grossa que mal cabia dentro da boca do Dongo e os edemas nas faces da Nanã. O médico veterinário já nos esperava e fez-lhes imediatamente o tratamento de choque necessário nestes casos. Felizmente as mucosas estavam com uma cor normal, ao contrário do infeliz cão que noutra sala ao lado estava a ficar com a língua azulada o que indiciava uma necrose dos tecidos, provavelmente com a queda parcial ou total da língua. A gravidade do seu estado podia ser devido a uma demora maior no início do tratamento ou um maior contacto com os pêlos das lagartas.
Foi este acidente que nos fez escrever mais uma vez sobre o assunto. Não esquecer que devem evitar passear com crianças ou animais de estimação em zonas de pinhais nesta altura do ano.

Para quem quiser saber mais, pode consultar esta página que tem um video extremamente bem feito e que responde praticamente a todas as questões sobre a processionaria. Está em espanhol mas é fácil de entender.

http://images.google.es/imgres?imgurl=http://www.espacioblog.com/myfiles/forestman/30tpcuco.jpg&imgrefurl=http://www.espacioblog.com/forestman/post/2006/03/19/la-procesionaria-del-pino&h=960&w=1280&sz=212&hl=es&start=3&tbnid=IWnJI5X-kNDuRM:&tbnh=113&tbnw=150&prev=/images%3Fq%3DCuculus%2Bcanorus%2B%2B%26imgsz%3Dxxlarge%26svnum%3D10%26hl%3Des%26sa%3DN

2008-02-18

Vem aí a Primavera

Aproveitámos a manhã para tirar algumas fotos e falar desta próxima chegada da Primavera. Não fora o frio intenso que se faz sentir durante a noite e já pensávamos ter terminado o Inverno. As plantas também se baralham com a diferença de temperatura entre o dia e a noite e por isso nota-se um atraso no desenvolvimento das flores em relação a outras zonas do nosso país.
As que se apressaram a abrir no jardim foram as da cameleira e do marmeleiro japonês, como podem ver na foto abaixo


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... as pequeninas do hamamélis


... os amentilhos pubescentes do salgueiro


E as primeiras flores dos damasqueiros, estando a aparecer também as dos pessegueiros de fruto temporão e as das amendoeiras










Ainda que as flores estejam um bocado cautelosas para não abrirem numa altura pouco conveniente, os animais é que estão a modificar rapidamente os seus comportamentos perante esta promessa de Primavera.

O pavão do nosso caseiro, o Jacob, veio viver connosco para assim ter o prazer de conviver com a Mariana a pavoa que já apresentámos num texto antigo quando foi sujeita a uma melindrosa operação à qual resistiu. Sendo ela uma jovem viúva, depressa se interessou por este novo namorado ao ponto de o acompanhar pernoitando com ele em cima do telhado da capoeira, ao relento, mesmo com estas temperaturas negativas..
O Jacob esforça-se agora para impressionar ainda mais a sua companheira, exibindo-lhe constantemente o seu rabo de penas coloridas, sem se aperceber que ainda é cedo e que as suas penas pouco desenvolvidas ainda não estão muito famosas para amolecer o coração da Mariana numa violenta paixão. Talvez por isso o desinteresse dela - mais que evidente - por esta pobre exibição do apressado Jacob. Apenas uma ou outra galinha é que lhe dirige um olhar de estranheza
.

De frente...


de lado...


... e de costas

2008-02-14

Quem é quem?

Andava aqui ás voltas sem saber como começar este texto. Queria homenagear alguém que não conhecendo pessoalmente considero um grande amigo, o Augusto Mota.
O acaso fez com que nos cruzássemos na blogosfera quando encontrei no “Pilriteiro” resposta a muitas questões que me andavam a preocupar, relacionadas com a jardinagem, com a agricultura, com o ambiente em geral.
A amizade foi-se instalando e durante esta simpática ligação fui conhecendo a qualidade artística dos seus “textos transversais” publicados no blog
“Palácio das Varandas”, mas também o caderno de prosa intitulado “quadriculado”, editado em 1959 e o livro “Sujeito Indeterminado” publicado em 2005, composto por pequenos textos num encantador jogo de palavras:
“Em noites de lua cheia enfunava as velas da fantasia e navegava solitário sobre as searas da solidão. A caminho do cabo da boa esperança”
A par da escrita também o desenho, a pintura, o mosaico, autor de diversas ilustrações em livros de poesia, cenógrafo em grupos amadores de teatro, vencedor de 3 primeiros prémios com o seu filme “Variações sobre o mesmo traço”, participou em várias colectivas. Em 1988 recebe da Câmara Municipal de Leiria o galardão do município "pela sua valiosa e multifacetada obra artística e cultural”
Entretanto a Gradiva reeditou há poucas semanas 500 exemplares do álbum de banda desenhada “Wanya - Escala em Orongo” com texto de Augusto Mota e desenho de Nelson Dias, falecido em 1993.
Editado pela primeira vez em Dezembro de 1973 pela Assírio & Alvim com uma tiragem de 5.000 exemplares que viria a esgotar-se rapidamente, acabou por entrar na lista dos livros considerados perigosos pelo anterior regime, situação que ficou resolvida com o 25 de Abril, quatro meses mais tarde.
Segundo Rui Zink trata-se de “um livro-poema generoso, engenhoso e complexo, a obra "Wanya - escala em Orongo" foi inovadora ainda na temática, cruzando ficção científica e o fantástico com uma mensagem de libertação social do Homem.”
Fiz a encomenda pela Internet e neste momento já estou na posse do álbum para o poder ler calmamente, não esquecendo o momento político em que foi escrito... há 35 anos atrás.


 
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Para quem quiser saber mais, poderá consultar o site: http://wanya-escalaemorongo.blogspot.com/

2008-02-11

Uma visita quase escaldante

Uma tarde destas, quando estavamos sentados na salinha pequena a estudar um plano para o tratamento das árvores de fruto, ouvimos um barulho estranho meio aflitivo e abafado. Levantámos a cabeça a esperámos que se repetisse, o que aconteceu poucos minutos depois. Percebemos que o som vinha do interior da salamandra. Abrimos a porta com cuidado e vimos com muita surpresa que se tratava de uma pardoca ou pardaleja, a fêmea do pardal.
Dizemos com muita surpresa porque já não esperavamos este tipo de visitas depois de termos mandado cobrir a saída da chaminé exterior com uma rede fina.
A fêmea imobilizou-se ao sentir a portinhola a abrir e nós aproveitámos esse momento para tirar algumas fotos.

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Foi uma sorte o animal ter dado sinais da sua presença. Se não fosse assim, com as noites tão frias que têm estado nesta zona, acabaríamos por dar origem a uma cena dramática quando acendêssemos a salamandra ao serão.

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Felizmente tudo acabou em bem e a pardaloca foi devolvida ao seu espaço, no qual entrou com um esvoaçar nervoso.

2008-01-28

O tremoço, este nosso amigo

Há poucas semanas andavamos em arrumações e descobrimos um saco de tremoços esquecido numa prateleira, já com 3 anos e que ainda por cima esteve em tempos numa arca frigorífica para os defender do bicho. Tudo indicava que teriam perdido a sua capacidade germinativa e por isso fizemos um teste e embrulhámos alguns em algodão molhado como fazíamos na escola. Passados 3 dias tinham este belo aspecto e por isso resolvemos lançá-los à terra para obtermos alguma produção.
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Dissemos lançar à terra e não semear, porque na verdade o tremoço não gosta de ser enterrado. Se o fizermos, ele torna à superfície, teimosamente, devido à sua maneira de ser que exige ser ele a escolher a forma de se agarrar à terra. Por isso a primeira fase foi esta:
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Como se seguiram dias de chuva persistente, num instante os tremoços perderam a sua secura, incharam e escolheram a melhor forma para se segurarem à terra
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Poucos dias depois já estavam mais crescidos e incomodados com o chapéu protector ...
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... e num instante começaram a livrar-se deles mostrando com alguma cautela a plantinha que vinha a emergir.

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Agora vamos ter que esperar uns meses para criarem vagem e depois o amadurecimento da semente para ser colhida, malhada, escolhida e ensacada.
O tremoço pertence à família Fabaceae e à espécie Lupinus
O seu nome teve origem na palavra árabe al-turmus. Na vizinha Espanha é conhecido por altramuz, tramúz, entremozo e chocho.
As primeiras referências a esta planta surgem no Egipto há cerca de 3.000 anos.
O tremoço é utilizado na alimentação humana e na dos animais, no enriquecimento dos solos, na indústria farmacêutica e na fitoremediação
Sempre pensámos que os tremoços eram péssimos para a saúde devido aos resquícios na memória de uma lenda repetidamente ouvida nos nossos tempos de criança em que teriam sido amaldiçoados pela Nossa Senhora.
Fugia a Sagrada Família no seu burrico quando, ao passarem por um campo de tremoceiros já maduros, estes chocalharam ao serem pisados e empurrados pelas patas do animal, denunciando o local de fuga aos seus perseguidores. A santa não lhes perdoou a fraqueza e lançou uma maldição que consistia em nunca matarem a fome a quem os comesse, o que se tornou num bem para as cervejarias e tascas que sabedoras desse castigo continuam a servir pires com tremoços que não matam a fome a ninguém e bem salgadinhos ainda têm a virtude de provocar mais sede e assim aumentarem o consumo das bebidas.
Algumas pessoas não sabem que os tremoços que comemos, foram primeiramente cozidos e depois cobertos de água mudada com frequência por diversos dias até perderem o seu amargo original. Se não houver este procedimento, são completamente intragáveis e altamente tóxicos.
Esse amargor é devido à presença de vários alcalóides como a anagirina (usada como cardiotónica e teratogénica), a esparteína (usado como ocitócico e antiarrítmico) a lupanina, (influenciando os centros respiratórios e vasomotores), a luteona e a wighteona. A intoxicação identifica-se por náuseas, vómitos, tonturas, dores abdominais, mucosas secas, hipotensão, retenção urinária, taquicardia.
Esta toxicidade desaparece após a fervura e o demolhar por vários dias, tornando o tremoço doce e um alimento de eleição beneficiando as pessoas e animais que se alimentem dele.
O tremoço é um excelente adubo em verde quando enterrado nas terras porque tem a faculdade de fixar o nitrogénio do ar, absolutamente necessário para o crescimento de novas plantas o que o torna também responsável pelo aparecimento de novos ecossistemas. As suas raízes conseguem descompactar e reduzir a erosão dos solos, ajudando à infiltração de água. Óptimo para melhorar a estrutura física dos solos. Resistente às geadas, gosta de Invernos húmidos e Verões secos
O tremoço é uma leguminosa tal como o feijão, a fava, o chícharo, o grão de bico, a ervilha, a lentilha, as giestas, os tojos, as olaias, etc
Tem o dobro das proteínas do que a maioria de outras leguminosas. É rico em ferro, fósforo, vitamina E, vitaminas do complexo B, biotina e ácido pantoténico
Estudos feitos na União Europeia, comprovam a sua acção no controlo dos níveis de açúcar no sangue, na redução do apetite, na diminuição da quantidade de colesterol no sangue, nos efeitos sobre a obstipação intestinal e por último ajudando a evitar o aumento da obesidade.
Costumam também ser referidas as suas propriedades emolientes, diuréticas e cicatrizantes, o combate a parasitas intestinais e também o seu estímulo na renovação das células favorecendo a regeneração da pele.
Em França existe um produto comercializado para o fortalecimento capilar utilizando peptídeos, vitaminas e oligoelementos retirados ao tremoceiro.
Há uma série de tratamentos caseiros que aconselham a ingestão de um ou mais tremoços amargos com a água de demolhar (ambos tóxicos) todas as manhãs em jejum para baixar o colesterol, os valores glicémicos ou as dores artríticas, mas nem nos arriscamos a divulgar aqui por ignorarmos o seu impacto nos organismos de cada um.
Depois de várias pesquisas, não conseguimos encontrar muitas receitas utilizando os tremoços. Apenas um rizotto que passamos para aqui:
Derreta manteiga e junte cebola e bacon, até ficarem fritos sem queimar. Junte depois os tremoços, o arroz e refogue bem. Acrescente um pouco de vinho e deixe evaporar. Deite um cubo de caldo de carne e a água suficiente para cozinhar o arroz. Quando estiver cozido, junte um pouco de nata e queijo ralado. Deixe arrefecer um pouco e acrescente um ovo apenas desmanchado.
E uma outra de bolinhos utilizando farinha de tremoço que desconhecemos se é comercializada em Portugal:
Misture muito bem 50 gr de açúcar com 90 gr de manteiga. Junte 100 gr de farinha de tremoço e 50 gr de amêndoas bem trituradas. Mexa energicamente até formar uma pasta homogénea. Faça pequenas bolinhas e coloque em tabuleiro untado. Leve ao forno por 20 a 30 minutos
Também vimos sugestões para introduzir tremoços nas saladas de alface, tomate, agrião ou misturados nas verduras que acompanham o bacalhau, o salmão fumado, com alguns cozidos de carne ou a acompanhar pratos de queijo.
Não queríamos finalizar este texto sem nos referirmos ao grupo de investigadores pertencente ao departamento de Botânica e Engenharia Biológica do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa que conseguiu criar um fungicida natural de toxicidade nula a partir de uma proteína do tremoço germinado, designada de BLAD (Banda de Lupinus Alpus Doce).
O produto denominado Problad além de uma forte actividade fungicida tem um poderoso efeito bioestimulante sobre as plantas. Pode ser utilizado na vinha, nos relvados desportivos, nas culturas de estufa propícias à proliferação de fungos, na agricultura biológica em geral.
Como pode ser ingerido pelo homem, evita o cumprimento do intervalo de segurança exigido por lei no uso de pesticidas químicos. É um produto completamente inovador a nível internacional e está a ser objecto de homologação nos Estados Unidos e na União Europeia, esperando-se que ainda este ano comece a ser lançado no mercado mundial.

2008-01-09

Ainda sobre os ouriços-cacheiros

Como ficámos muito intrigados com a morte inesperada do simpático ouriço (e também com a de um seu irmão que apareceu após termos recolhido este, não tendo direito a fotos por ser muito mais tímido), escrevemos a Rui Borralho da Naturlink pedindo informação sobre estes animais e explicando o que tinha acontecido, comparando esta situação com uma outra em que conseguimos criar 3 ouricitos encontrados junto da mãe morta, que se deram bem em cativeiro, alimentados com leite, frutas e ovos crus, sendo mais tarde devolvidos à liberdade.
Publicamos aqui o mail de resposta, devidamente autorizado, esperando assim ajudar todos os amigos que se deparem com estes animais em situação de perigo:

“Os ouriços-cacheiros são das poucas espécies de mamíferos que podem hibernar em Portugal no Inverno (sobretudo nas zonas mais frias de clima continental), mantendo-se muitas vezes num estado letárgico de quase total inactividade e muito baixa temperatura corporal. Se, por alguma razão, são forçados a sair desse estado (por exemplo devido a uma perturbação exterior), podem tardar horas até recuperar a temperatura corporal normal e voltar a assumir um comportamento mais activo próximo do habitual, constituindo esta mudança um choque para os animais. Tal eventualmente poderá ter estado na origem do comportamento do animal mais pachorrento.

Por outro lado, tratam-se de mamíferos da ordem Insectivora, alimentando-se em liberdade sobretudo de invertebrados (apesar de terem por vezes uma alimentação inesperadamente variada), pelo que talvez a ração dos cães contivesse alguma componente que não se adequasse ao processo digestivo dos ouriços.

Os casos de recolha de ouriços e da sua morte depois de passarem algum tempo em cativeiro são relativamente comuns, creio que devido sobretudo ao stress da captura e cativeiro e a alimentação inadequada, pelo que recomendamos que quando as pessoas encontram ouriços, mesmo que pequenos, não os levem para casa, limitando-se a afastar alguma eventual ameaça (como a presença de um cão), ainda que a situação anterior que refere dos ouriços encontrados junto da mãe morta requeresse realmente a sua alimentação em cativeiro caso contrário os animais provavelmente morreriam.

Se desejar, poderá aceder a uma ficha com informação sobre a espécie através do seguinte link:
http://www.naturlink.pt/canais/Artigo.asp?iArtigo=4315

Curiosidade: Um ouriço-cacheiro hibernado apenas respira uma vez de seis em seis minutos, em vez das mais de trinta vezes por minuto que normalmente respira durante o período de actividade.

2007-12-29

É só para dizer...

É só para dizer que este amiguinho que já vos apresentei há dias e que afinal não chegou a hibernar mais parecendo um animalzinho de estimação por gostar de andar sobre nós apreciando o calor dos nossos corpos, metendo o focinhito dentro das nossas mangas ou na gola quente das camisolas…
 
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… estando cada vez mais confiante nas nossas mãos…
 
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… e adormecendo facilmente em qualquer posição...
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... apareceu morto na noite de Natal dentro da caixinha onde dormia.

2007-12-19

Uma história quase de Natal

O frio veio tarde mas apareceu com toda a força. No início só o sentíamos ao cair da noite deixando os dias encherem-se de sol e a manterem-se demasiadamente quentes, o que dava origem a violentos choques térmicos.
Os eucaliptos que começam a invadir as zonas próximas após o devastador incêndio de há 2 anos, não conseguiram manter as suas folhas verdes após estas mudanças bruscas de temperaturas e têm este aspecto muito idêntico a uma nova passagem do fogo

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Mas agora o frio já se faz sentir de noite e de dia, pondo fim à infestação de lagartas e outros bicharocos que nos estavam a dizimar a horta.
Com a chegada das primeiras chuvas, ainda que muito fraquinhas, resolvemos semear um terreno de pasto para corte (para fazer fardos). O saco de sementes diversas custou tão caro que temos receado semeá-lo com um tempo demasiado seco. Mas, como não se pode esperar indefinidamente, resolvemos arriscar e preparámos as terras.
O dia da sementeira é um dia de alegria para as dezenas de corvos que já conhecem o trabalho do tractor perseguindo-o e já sabedores que após este trabalho segue-se aquele momento extraordinário em que se atiram sementes para a terra que embora cobertas com outra passagem do tractor, muitas ficam à superfície fazendo as delícias de qualquer corvo mesmo pouco guloso.
Por isso, e como sempre, após a sementeira seguiu-se a invasão dos corvos. Esperamos que as sementes dêem para eles e para nós que as pagámos.
Mas o trabalho das lavras no terreno, preocupa-nos sempre porque desconcertam temporariamente o habitat de uma série de pequenos animais. Aquele pelo qual sentimos um maior carinho, é o ouriço-cacheiro.
Como estivemos e estamos ainda a preparar terrenos para outras sementeiras, pode acontecer destruirmos as tocas dos ouriços que nesta altura devem estar a hibernar defendendo-se deste frio intenso.
Uma noite destas, depois do passeio tardio com os nossos cães, reparámos que a Nanã não parava de ladrar olhando fixamente para o chão. Fomos ver o que era e vimos um ouriço ainda muito jovem, todo enrolado e sem se mexer.
Pegámos-lhe com muito jeito, mais por nós do que por ele, e trouxemo-lo connosco. Devia ser um dos tais desalojados porque não estava tempo para um animal hibernante andar a passear pelos terrenos.
Pusemo-lo numa gaiola com palha e deixámo-lo coberto com ela deixando também pedaços de maçã e um pequeno ovo. No dia seguinte a comida estava intacta e ele continuava enrolado no mesmo local.
Ao fazermos uma panelada de comida para os cães, espalhou-se o vapor da cozedura pelo espaço, aquecendo-o. O nosso pequeno amigo ao sentir aquele ar quentinho, começou a espreguiçar-se muito lentamente... primeiro o pescoço, depois as patas da frente, num vagar mesmo de preguiça, depois as patinhas de trás esticando-se completa e longamente (sentimos um desgosto enorme de não termos a máquina connosco para registarmos este momento tão engraçado), começando depois a farejar o ar e a andarilhar pela gaiola.
Ficámos muito preocupados porque na realidade a chegada da Primavera era só uma aparência, não distinguida por um ouriço inexperiente destas coisas da Natureza.
Assim que apagámos o fogão e o ar arrefeceu de novo, o animal começou a enrolar-se e tremer de frio. E agora que fazer? Mantê-lo numa temperatura que lhe fosse cómoda até à chegada real da Primavera ou deixá-lo perceber que afinal ainda estávamos no Inverno?
Trouxemo-lo para casa e ao sentir o calor das nossas mãos, o ouriço estava cada vez mais descontraído, abrindo-se facilmente e deixando fazer-lhe festas no focinho.
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Andava tão à vontade que nos permitia visualizar uma série de pulgas caminhando pelo seu corpo. Também deviam estar desorientadas sem saber se haviam de abandoná-lo que de tão frio parecia estar prestes a morrer ou manterem-se até o seu aquecimento.
O processo arranjado para as eliminar foi retirá-las com uma pinça, um trabalho a exigir muita perícia com uma forte dose de paciência e golpe de vista.
Passado algum tempo reparámos que já não tremia de frio e pusemo-lo na caixa com palha para vermos qual a sua decisão. E ele tomou a mais acertada: foi-se afundando com as patas, remexendo na palha, até ficar todo coberto e deu início de novo à sua hibernação.
Agora é só deixarmos pedaços de fruta para ele poder comer quando a fome apertar um pouco, mesmo nesta fase de letargia.
Prometemos ir dando notícias deste novo inquilino

Aproveitamos este post para deixarmos os votos de Boas Festas e Feliz Ano Novo para todos os amigos