2006-09-21

Afinal a bebida não é cidra mas sim sidra

Antes de começar a descrever as nossas peripécias no fabrico desta bebida, queriamos pedir desculpa por termos insistido em escrever cidra para a designarmos. Depois de algumas incertezas, resolvemos atacar o problema de vez. No dicionário da Porto Editora, cidra é o fruto da cidreira e sidra é o vinho de maçãs. Podíamos ter ficado por aqui mas quisemos saber mais sobre a cidra e consultámos a Wikipédia: cidra é uma fruta originária da Ásia, também conhecida por toranja ou laranja-toranja. Tem o nome científico de citrus medica. Ficámos confundidos quando ao pesquisarmos toranja também na Wikipédia, passámos a saber que é uma citrus x paradisi. Então são diferentes, ou não? Para os mais curiosos, conseguimos uma foto do fruto da citrus medica, retirada do site http://jouet.roger.free.fr/

Mas o que nos interessa neste momento é falar sobre a sidra e sobre as nossas ilusões e desilusões.
Esmagámos no aparelho eléctrico, 120 a 130 quilos de maçã de variedade desconhecida. A maçã esmagada ficou uma noite a descansar. No dia seguinte, esprememo-la na prensa manual e recolhemos 45 litros de sumo. Deixámos a descansar por uma semana e começou a formar-se uma espuma castanha esbranquiçada, o que aumentou a nossa expectativa. Só então é que pudemos medir a densidade (altura em que recebemos o densímetro pelo correio) e ficámos desiludidos com o valor de 1010, muito mais baixo que os 1016 a 1020 com que deveria ser engarrafada. Fizemos uma transfega nesse dia e outra dois dias depois. Medimos o álcool e era inexistente. Convictos do nosso insucesso, ainda assim acabámos por engarrafar. Pode ser sempre aproveitada quando passar a vinagre. Mas não desistimos perante este primeiro desaire e resolvemos repetir a operação agora com outra maçã que veio logo a seguir. Esmagámos mais ou menos a mesma quantidade. Recolheu-se menos sumo mas com uma densidade de 1060 (tinhamos recebido a informação de que uma densidade de 1045 é pobre em açúcar e 1065 é de excelente qualidade) e com um valor provável de álcool na ordem dos 7º. Desta vez começámos melhor. Agora está na fase de fermentação que vai dar origem à tal camada de espuma que deverá ser castanha. Sob a acção das leveduras, os açúcares são transformados em álcool e a densidade baixa. Neste momento é esse controlo que estamos a fazer para iniciarmos as transfegas. Entretanto a maçã que foi esmagada e prensada está a fermentar para mais tarde ser destilada no alambique. Temos também pera rocha nas mesmas condições para fazermos aguardente de pera.
Vamos continuar a dar notícias sobre a sidra. Esta explicação já era devida aos nossos amigos que estavam preocupados com o nosso silêncio

2006-09-20

Morango e Chocolate

De vez em quando revejo o filme cubano "Morango e Chocolate" de Tomás Gutierrez Alea, baseado no conto "El bosque, el lobo y el hombre nuevo" com a interpretação fantástica de Jorge Perugorría. A história decorre em Havana no ano de 1979. Um estudante universitário e militante comunista acreditando nos ideais da revolução, encontra-se com um artista homossexual, lutando pela liberdade de expressão e desiludido com o despotismo do governo. Defendendo pontos de vista opostos, estes dois homens acabam por se ligar numa forte amizade. É um filme muito bonito e comovente, tendo sido premiado em diversos festivais. Abreviando: tenho uma cópia antiga em VHS que está com problemas e corro o risco de em breve deixar de poder ver o filme. Alguém me pode dizer como posso arranjar uma cópia em DVD, legendada em português?

2006-09-19

Mãe adoptada

Posted by Picasa
Há dois anos comprei 6 gansos na feira. Gosto destes animais e nunca me tinha lembrado de os criar aqui. Eram muito novos, ainda com bastante penugem. Fizeram-se num instante. Os machos lutavam pelo direito às fêmeas e galavam-nas quase sempre em cima de uma poça que todos os dias enchia de água. O líder do bando não perdia uma oportunidade de impôr os seus direitos. Na Primavera seguinte as fêmeas puseram uma montanha de ovos e disputavam entre si a propriedade dos mesmos. As zaragatas eram a sério e terminavam sempre com gemadas patinhadas. Não havia meio de se entenderem e cada vez havia menos ovos. Uma manhã, ao ver que já só restavam quatro e antes que acontecesse mais alguma desgraça, resolvi pô-los numa chocadeira eléctrica e lá ficaram os 25 a 30 dias de incubação. Todos os dias virava os ovos e borrifava-os com água. Entretanto a chocadeira avariou-se e pude constatar que os bichinhos já piavam dentro do ovo e deviam estar quase a nascer. Em pânico pus-me a pensar na maneira de resolver a situação evitando a morte dos pequenitos. Podem dizer-me que havia mais de um cem número de maneiras para manter os ovos quentinhos. A verdade é que a única coisa que me ocorreu, foi metê-los debaixo do cobertor eléctrico, embrulhados numa flanela e assim evitar o seu arrefecimento. De vez em quando passava pelo meu quarto e espreitava-os. Ao cair da noite, apareceram as cascas estaladas com aquele sinalzinho de animal que se prepara para sair. Atrasei a hora de me deitar mas nenhum deles estava apressado e acabei por fazê-lo tardíssimo e com os ovos picados ao meu lado. Foi um dormir muito leve porque de vez em quando ouvia-os piar aflitivamente e ia ver o que se passava. Não se passava nada de especial. Apenas aquele incómodo de quem se sente muito apertado e tem que fazer os possíveis para se libertar do espartilho.
De madrugada acordei ouvindo um pipiar diferente, de quem conversa entretido. Levantei o cobertor e sorri ao ver quatro bolinhas de penugem amarela a olhar para mim. Disse-lhes: "-Bom dia meninos. Sejam bem vindos!"
E eles responderam naquele idioma que só os gansinhos sabem usar. Mais tarde mostrei-os às gansas na esperança que alguma os adoptasse. Aproximaram-se deles com curiosidade. Afastei-me um pouco para assistir à cena. Qual foi o meu espanto quando vi os gansinhos abandonaram os adultos e virem colocar-se entre os meus pés. Arranjei uma caixa com uma lâmpada para se manterem quentinhos e levei-os para casa. Mas os animais permaneciam muito inquietos, a gritarem de uma forma aflitiva e a calarem-se sempre que me viam aproximar.
Posted by Picasa
Nessa altura percebi que tinha sido adoptada como mãe. Passaram a andar comigo para todo o lado. Até levava a caixinha no carro quando tinha que ir às compras e era a única maneira de os manter tranquilos. Já mais crescidos e com as penas a aparecerem por entre a penugem, ainda caminhavam atrás de mim pela quinta. Só mais tarde é que aceitaram fazer parte do bando adulto e começaram a esquecer-se da ligação que tinham comigo.
Quando contei esta história a um amigo, este falou-me de Konrad Zacharias Lorenz, zoólogo e psicólogo austríaco (premiado com o Nobel da Medicina em 1973) que descreveu o imprinting em aves jovens. Este imprinting, é um género de padrão fixo de acção, que faz com que os gansinhos recém-nascidos persigam qualquer coisa que se mova, pessoa ou animal, reconhecendo-a como "mãe" a partir desse momento. Será que seguiriam um objecto que se fizesse deslizar à frente deles, mal saíssem do ovo?
Não percam a próxima experiência :)

2006-09-14

Regresso de Férias - Notícias das Luffas


Depois de um pequeno período passado longe da quinta e à beira-mar, voltamos para continuarmos este intercâmbio de informações que nos tem dado tanta satisfação. Vamos continuar a falar das cucurbitáceas Luffas cylindricas, uma vez que já temos em nosso poder a máquina de fotografar. A foto acima (aos amigos iniciados nestas andanças e que se queixam do tamanho reduzido das fotos, aconselhamos clicar em cima das mesmas para as poderem ver no tamanho original) mostra uma planta cheia de vigor. Tem flores femininas dispostas em cacho, com os frutos atrás e masculinas isoladas e sem fruto, ambas de um amarelo intenso. Os entendidos recomendam ajudar a polinização com um pincel mas nós não o fizemos. Semeia-se na Primavera, gosta de sol e suporta qualquer terreno desde que seja bem drenado. Antes de partirmos para férias, colhemos um dos seus frutos e experimentámos raspar a casca verde que saíu bem. Receámos tê-lo feito cedo demais porque o seu interior extremamente fibroso estava ainda muito húmido e mole. Deixámo-lo ao sol e quando chegámos vimos o aspecto com que sempre o conhecemos e que podem também ver na foto abaixo. Ainda tem pevides no seu interior que se vão soltando e caindo à medida que vai ficando mais seca. Podem reparar que as pevides ainda estão brancas em vez de terem adquirido a cor preta de maduras como tinham as originais. Informaram-nos, ainda quando revíamos este texto, que os frutos devem ser colhidos antes da fase final da maturação mas quando a casca já começa a amarelar. Devem ser batidos para ajudar ao desprendimento da casca e à eliminação das sementes. Se a plantação for destinada a fins comerciais, 24 horas após a colheita, os frutos deverão ser descascados e lavados em tanques apropriados com batedores para eliminar a substância gomosa que têm no interior e depois serão pendurados para secarem. Depois de bem secos, deverão ser cortados conforme a função a que se destinem. É um autêntico esfregão natural, óptimo para lavar a loiça e também para lavar o corpo. Quase um exfoliante se não usarmos de alguma doçura :)

2006-08-28

Procissão indesejada


A processionária (Thaumetopea Pityocampa) é uma lagarta que se alimenta das agulhas dos pinheiros mas também de outras resinosas. Dos ovos depositados no cimo da copa das árvores, nascem as lagartas que fabricam um ninho onde se refugiam em grupo no seu interior aquecido defendendo-se das intempéries de Inverno. Os ninhos, com a aparência de um volume branco de algodão, são infelizmente conhecidos por todos os que costumam passear em zonas de pinhais. No início do ano e mais ou menos até Março, as lagartas abandonam-nos, descem as árvores, sempre em procissão (daí o nome de processionária) e deslocam-se até encontrarem um sítio para se enterrarem e darem início à nova fase que culminará na forma de borboleta que irá pôr de novo ovos no alto das copas dos pinheiros, fechando o ciclo. Toda esta evolução não seria interessante relatar não fossem as processionárias umas lagartas perigosíssimas para a saúde.
Este ano foi o mais terrível em relação a esta praga. Não sei se terá a ver com as poucas chuvas de Inverno que não destruiram uma grande parte destes ninhos demasiado expostos às tempestades ou devido aos incêndios que diminuiram drasticamente a mancha florestal. O que sei é que devo ter esmagado milhares e milhares destas lagartas, ao ponto de ter que ter muito cuidado para não patinar a seguir. Víamos as enormes procissões por todo o lado e quando se remexia a terra encontrava-se frequentemente um pequeno grupinho ou alguma solitária a pretender enterrar-se no solo húmido. Um dos nossos cães apareceu a espumar e a esfregar o focinho em todo o lado, de uma maneira aflitiva. Telefonei ao veterinário que me aconselhou a levá-lo o mais urgentemente possível. Examinou-o e concluiu ter havido contacto do cão com a lagarta. Deu-lhe os medicamentos do costume nestas circunstâncias: corticóides e antibiótico e avisou-me que se ele tivesse engolido a lagarta talvez não se pudesse fazer nada para o salvar. Passámos uma noite de preocupação mas de manhã o animal estava melhor e, quando o tornei a levar à clínica estiveram a ver-lhe a boca e a língua e felizmente estava tudo bem. Os pêlos desta lagarta são de tal maneira urticantes que o contacto com as mucosas pode dar origem ao apodrecimento dos tecidos e à necessidade da ablação das beiças ou língua. Dias depois foi um borrego também com o mesmo comportamento. Resolvemos lavar-lhe a boca com vinagre. O animal escapou mas ficou sem uma parte do beiço superior que caíu sem ninguém dar por isso. Começámo-nos a assustar ao apercebermo-nos da dimensão do risco para as pessoas, principalmente as crianças que são muito mais curiosas. É que os pêlos destas lagartas que se vão soltando enquanto elas se deslocam também podem afectar os humanos provocando necroses, problemas respiratórios, digestivos, cegueira e em casos mais graves levar até à morte. Entretanto as lagartas desapareceram. Fomos obtendo mais informações sobre o assunto e ficámos a conhecer todo o ciclo da processionária. Como as borboletas começam a postura entre Junho e Agosto, procurámos saber que acções é que existiam para controle da praga. Havia uma série delas desde as fitas adesivas a contornarem o tronco das árvores para evitar a descida das lagartas, à aplicação de insecticidas, a poda dos ramos com ninhos e até tiros de caçadeira (dirigidos aos ninhos, claro!). Resolvemos optar por umas armadilhas, caixas de plástico, onde colocámos umas pastilhas de feromonas (para atrair a borboleta macho) e pendurámo-las nos pinheiros, distanciadas o necessário para um bom efeito, cumprindo o aconselhado no prospecto. De tempos a tempos vamos espreitar essas caixas e encontramos umas 20 a 40 borboletas já mortas, graças ao insecticida que também se encontra dentro da armadilha.
Vamos a ver se se nota alguma diminuição da praga a partir de Fevereiro do próximo ano.

2006-08-18

História de Ariadna ou Ariadne


Uma das histórias constantes na mitologia grega é a de Ariadna, filha de Minos, rei de Creta e de Pasífae. Esta é a versão que mais gosto:
Minos, seu pai, pretendia tornar-se rei de Creta e pediu a Poseidon um sinal para saber se o trono seria dele. Poseidon concordou em enviar-lhe um touro branco, caso o trono lhe estivesse destinado, mas teria que sacrificar o touro para poder regressar ao deus.
Minos ao ver a beleza do animal não teve coragem de o mandar matar e matou outro touro na esperança que Poseidon não desse pela troca. Mas Poseidon percebeu o embuste e resolveu castigar Minos fazendo com que sua mulher Pasifae se apaixonasse por esse mesmo touro. Dédalo construiu para ela uma vaca oca de madeira (noutras versões de bronze) cobriram-na com uma pele verdadeira e o touro, confundido, uniu-se a Pasifae, fecundando-a. Dessa união nasceu o Minotauro, uma criatura selvagem com metade de corpo de homem e outra metade de touro. Minos pediu a Dédalo para construir um labirinto gigantesco onde abandonariam o Minotauro.
Entretanto um dos filhos de Minos, Androceu, foi morto pelos atenienses. Seu pai declarou guerra contra Atenas e ao vencer decidiu que todos os anos fossem sacrificados 7 rapazes e 7 donzelas atenienses para servirem de repasto ao Minotauro.
Teseu filho do rei de Atenas resolveu pôr fim a este massacre e apresentou-se para o sacrifício mas com intenção de matar o Minotauro.
A princesa Ariadna, filha de Minos e de Pasifae, apaixonou-se por Teseu mal o viu e resolveu ajudá-lo. Ofereceu-lhe uma espada mágica para poder matar o Minotauro (seu meio-irmão) e um novelo de lã (de linha ou de corda) para poder marcar os locais de passagem e assim conseguir sair do labirinto.
Teseu como conseguiu atingir os seus propósitos, resolveu regressar à sua terra levando Ariadna consigo. Pararam na ilha de Naxos mas ao vê-la adormecida, decidiu partir no barco somente com os seus homens. Quando Ariadna acordou e percebeu que tinha sido abandonada, desatou em grande pranto.
Baco ao passear pela ilha ouviu o choro da jovem. Apaixonou-se por ela e tomou-a como esposa (imagem acima: Agostino Carracci - séc. XVI/XVII). Tiveram vários filhos. Ofereceu-lhe uma coroa de ouro enfeitada com pedras preciosas que atirou ao céu quando mais tarde Ariadna faleceu. As pedras preciosas transformaram-se em estrelas e permanecem no firmamento como prova do seu amor.

2006-08-15

A Hora da Refeição

Ariadna (nome sugerido por uma nossa amiguinha catalã) foi uma borrega enjeitada pela mãe. Amamentámo-la com muito carinho e atenção e tornou-se mais tarde numa bela ovelha reprodutora.

2006-08-14

O mais belo quadro do mundo

Não nos perguntem pela cidra. Temos tudo a postos mas ainda não iniciámos o processo. Dêem-nos mais uns dias. Prometo depois contar-vos as nossas emoções.
Entretanto recebi notícias vindas do México, da minha amiga Blanca. Falou-me de Adrian, seu filho que ia estudar e trabalhar numa cidade distante. Pude ler a lindíssima carta que lhe escreveu para entregar no momento do último abraço. Não resisti a publicá-la aqui:
… Y era este el momento en que tenias que partir, sin duda es este.
No estoy segura de estar lista para dejarte, y sin embargo me siento fuerte por ti.
Todos los dias desde tu nacimiento estuve preparando este instante en que iba a darte un beso, tocar tu mano, abrir la puerta y decirte: adelante!
Es como hacer un cuadro, el mas bello de los cuadros del mundo. Saber que he puesto en el lo peor y lo mejor de mi, que es parte de mi obra para el mundo. Ahora que tengo que entregarlo siento el orgullo de lo que hice, la tranquilidad de lo que eres, la confianza que te tengo, el calor que hay en mi corazon para darte a la distancia…. Pero voy a extrañarte.
Siento orgullo por nosotros, lo hemos logrado!
Hoy estamos de pie en el quicio de la puerta donde vamos a decir:
-Nos vemos Madre!
-Nos vemos Hijo!
Me fio de ti. Creo en ti. Se que tendras altibajos, que encontraras dificultades, que habra momentos en los que no vas a confiar en ti. Tendras de vez en cuando la idea de que el camino es lento y pesado y que no puedes. Entonces, solo deja las cosas a un lado del sendero, recuesta tu cabeza sobre el cesped y reposa un instante. Toma fuerza de tu naturaleza misma. Date espacio, date permiso de equivocarte, duerme un rato. Y si lo necesitas, recibe con el pensamiento un beso y sienteme. Ahí estare, como cuando eras pequeño.
Si por azares de la vida no consiguieras lo que te propones, no importa para mi, igual eres mi hijo, igual te amo.
Quiero que seas consciente, siempre, de que tienes en tus manos las herramientas, las armas, los elementos para hacer de tu vida lo que tu elijas, para seguir el camino que te marques. Debes esforzarte incluso un poquito por encima de tus limites, porque hasta que no los sobrepasas no sabes donde estan.... Es una forma de conocerte a ti mismo e intentar superarte. Si eres consciente de lo que en verdad eres, tu esencia; si sabes tus limitaciones, tus potenciales; si eres cabal con lo que quieres, si ubicas tu realidad, si eres sensato con lo que posees, si no te escondes de ti mismo; entonces vas a lograrlo todo.
Descanso pensando que asi es, solo debes recordarlo. Yo se todo lo que vales y se de tus debilidades, asi que espero de ti que hagas con todo ello una vida feliz por que eso es lo mas importante en la vida, ser feliz. Disfruta del camino tanto como del destino.
Y quiero que sepas que yo estare siempre para ti cuando me necesites. Estes donde estes, sea lo que sea, sin reservas, apoyandote. Se consciente en todo momento que voy a estar para ti siempre, antes que nadie, antes que para nadie. LLevate eso gravado en el corazon.
Te quiero Adrian, te quiero tanto…
Mama

2006-08-09

Merci Monsieur Massart

Hoje de manhã fizemos a cresta do mel e há pouco terminámos a extracção, filtragem e armazenamento. O ano passado apenas tinhamos uma colmeia e este ano pelo facto de termos adquirido mais duas, pensavamos que a produção iria ser muito maior. Mas tal não se verificou.Quase todos os apicultores da zona se queixam da elevada quebra de produção que ao que parece terá a ver com os gigantescos incêndios que devastaram toda esta zona no ano passado. Se se conseguiu salvar as abelhas, o mesmo não foi possível em relação às matas que protegiam e permitiam a recolha do pólen. Mas o que interessa agora é que o assunto do mel já está resolvido (ou averiguado como se diz por aqui). Agora tornam-se a colocar as alças nas colmeias para as abelhas aproveitarem os restos de mel que ficaram agarrados aos favos e depois recolhem-se e guardam-se até à Primavera, para os ninhos se poderem defender melhor do frio do Inverno.
Poderia agora descansar destas proezas amadoras e aproveitar as tardes de calor agreste para actualizar as minhas leituras, ouvir alguma coisa do que se anda por aí a fazer ou ver um ou outro dvd que vou armazenando à espera de tempo. Mas ainda não vai ser desta.
O celeiro está cheio de maçãs que tenho andado a apanhar paulatinamente, teimosamente, ao despique com os ouriços-caixeiros que esperam escondidos pela noite para se banquetearem com elas. Mas são tantas, que dá para todos e ainda sobra.
São deliciosas. Um prazer para os sentidos. Têm uma casca muito fina e macia, de cor bem vermelha que se torna brilhante ao ser acariciada e exalando um perfume doce que activa a secreção das glândulas salivares. Muito sumarentas e com aquele travozinho de acidez que se mescla na perfeição com o sabor açucarado da polpa. Não sei que qualidade é, porque não a vejo nos mercados. Com este calor, é um prazer comê-las à dentada, bem frias. Mas também as passo na máquina para fazer sumo, juntando um pouco de água e sumo de limão para liquefazer, uma colherada de açúcar, engarrafo e guardo no frigorífico para ir bebendo à medida que a sede aperta. Tenho uma panelada delas cozidas para comer ao pequeno almoço ou lanche. Tenho potinhos com doce de maçã aos quais juntei nozes raladas nuns, amêndoas raladas noutros ou simplesmente aromatizado com canela noutros. Uso maça aos cubinhos nas saladas verdes. Faço couve roxa estufada com maçã (Rot Khol) para alguns acompanhamentos. E todos os bolos e tartes acabam por levar pedaços do mesmo fruto. Palavra que já não sei mais o que fazer. Um colega contou-me que a mãe cortava a maçã ás rodelas, depois enfiava-as num cordel e punha a secar. E eles comiam essas rodelas de maçã desidratada quase todo o ano. Já experimentei mas não tive sorte nenhuma. Encheram-se de mosquitos e apodreceram num instante.
Até que dei de caras com o site "Pour en savoir plus" do sr Massart. Trocámos mails e foi tal o entusiasmo e a gentileza deste senhor que resolvemos avançar para outra proeza: fazer cidra!
E esta tarde estamos a preparar todo o material necessário para começar esta tarefa interessante para quem gosta de repetir gestos ancestrais embora adoptando toda uma série de preceitos muito actuais.
Vamos ter que esmagar as maçãs num aparelho de metal próprio, prevenindo-nos (ainda não sei bem como) contra uma coisa chamada casse férrica, que é um gosto a ferro que a cidra pode ganhar, uma vez que o ácido málico da maçã ataca o metal. Depois de serem esmagadas e ficarem a descansar umas horas, têm que ser prensadas e guardado o sumo extraído, por uma semana até aparecer uma espuma castanha a cobrir o líquido. Se for castanha é porque estamos no bom caminho. Se for branca, temos que desistir da cidra e avançar então para a aguardente ou para o vinagre de maçã. A preocupação maior é a temperatura que está demasiadamente alta. O sr Massart trabalha com 4º.C e o nosso melhor depois de termos a zona refrigerada com um aparelho de ar condicionado, são os habituais 18º.C .
Mas se têm curiosidade em provar um copo de cidra, ou se querem matar saudades dos países por onde passaram e que fazem cidra de uma forma artesanal, então desejem-nos sorte. Vamos precisar. E de muita.

2006-08-03

Os cães e os assaltos

Ia mesmo agora deitar-me sem deixar nada escrito aqui. Um blog não obriga a uma escrita diária, até porque nem sempre se tem pachôrra (que me desculpem os amigos que acedem a ele logo pela manhã)
Entretanto lembrei-me de uma pequena conversa entre as duas senhoras que trabalham aqui nas terras e eu mesma. É tão engraçada que não resisti a contar-vos.
A história surgiu por causa de um assalto à casa de um lavrador, durante a noite e com a família a dormir, ocorrido há uns meses aqui nas imediações.
- Mas esse homem não tinha cães de guarda? - perguntei
- Tinha sim. Até que tinha mesmo. Mas devem ter feito de uma maneira que resulta sempre em quintais guardados por cães! - respondeu a D. Belmira com a concordância da D. Maria.
- Ah sim? Mas que maneira é essa?
- É entrar todo nu!! Os cães olham e nem se mexem, nem ladram, nem nada! Ficam quietinhos!
- Os cães não ladram se o homem for nu?? Que raio, nunca ouvi uma dessas. Mas há alguma explicação para isso?
- Sim, há! É que os cães pensam que é o Jesus Cristo!
Imaginam a confusão que esta informação gerou na minha cabeça. Os cães daqui também têm formação religiosa? E a terem, quem é que lhes disse que o Cristo andou alguma vez todo nu? E mesmo que andasse, como podem confundir o assaltante com o Cristo, só porque vem sem roupa? E se for uma mulher nua, que pensarão eles? Na Madalena?
Na impossibilidade de confiar, a partir de agora, na guarda dos meus cães, terei de deixar de confiar também na guarda dos meus gansos?
Deixo aqui no ar estas perturbantes perguntas.
E agora sim, vou dormir

2006-08-02

Afinal, era uma cólica?


A manhã surgiu revelando um volume estendido no pasto. Uma visão sempre inquietante quando se trata da Joaninha deitada sem ser para se espojar e enxotar as moscas. Ela que nunca se deita, nem sequer para dormir, fazendo-o de pé.
Aproximei-me e acenei-lhe exageradamente, teatralmente, na esperança que se assustasse e se erguesse. Acenos desperdiçados. Liguei para o veterinário que a tem acompanhado e que presta serviço durante 24 horas. Desta vez a hora não seria concordante com nenhuma destas 24 e por isso fui sempre parar à gravação. Tentei não me enervar e entreti-me a tratar das galinhas, das fracas e dos gansos, fui dar uma vista de olhos ao casal juvenil de patos bravos que me ofereceram hoje, enquanto ia pensando na situação... é certo que ela está prenha de 5 meses e isso pode dar-lhe algum desconforto. Também não estava a rebolar pelo chão como quando tem as dores fortes abdominais. Podia ser algum mal-estar devido ao seu estado. Tentei novamente falar com o veterinário e nada. Tirei a galinha choca de cima dos ovos para comer ao mesmo tempo que os outros. A Joaninha levantou-se e descarregou um enorme monte de fezes que caíu com estrondo no chão. Depois deu uns passos e estacou a olhar para mim, curiosa. A seguir foi até à manjedoura, olhou o feno e pôs-se a comer tranquilamente. Fiquei mais descansada. Se era uma cólica....passou!

2006-08-01

Esperando as Luffas

Hoje de tarde dei uma volta pela horta que faz a curiosidade e a inveja dos vizinhos que não conhecem algumas das plantas que cultivo: as espargueiras, as beringelas, as couves de Bruxelas, as couves rábanos, as courgettes, as endívias... (agora também ando um bocado invejosa por me terem falado na phisalis que nunca cultivei e nem conheço o sabor)
O meu interesse maior foi dedicado às plantinhas da abóbora Luffa que estão a crescer alegremente, agarrando-se às hastes secas que espetei na terra para esse efeito. As flores são bonitas, amarelas e já está pendurada uma aboborinha pequena tentando fazer pela vida. São memórias de infância em que a minha mãe esfregava as panelas e o nosso corpo arrancando o lixo e a pele com umas esponjas em forma de pepinos que ela cultivava no nosso pequeno quintal.
Um dia ao mexer nos pacotes de uma casa de sementes em Lisboa, encontrei as tais pevides que semeei com muito carinho e expectativa. E parece que se vão dando bem, trepando com um aspecto saudável. Quando tiver a máquina de fotografar arranjada, deixo aqui uma foto para apresentá-las a quem não as conhece.

O primeiro dia

Cheguei ontem à noite vinda da grande cidade e já farta dos ruídos, do fumo e das miseráveis figuras abandonadas sobre cartões estendidos nos passeios. Ainda são umas 3 horas de cansativa viagem num comboio que raramente se esforça por respeitar horários. Na estação lá estava a velha carrinha pacatamente à minha espera. Inspeccionei os pneus uma vez que esteve ali parada todos estes dias e, como estava tudo em ordem, pus o motor a trabalhar e viemos as duas calmamente para a quinta que felizmente estava iluminada evitando aquele desconforto de entrar numa zona solitária e escura. Os meus dois cães saudaram-me quase em estado de loucura mas depressa entraram num comportamento calmo ao encararem a minha indiferença de líder da matilha. Fiz uma rápida visita aos outros dois e a seguir fechei-me em casa, com fome mas sem me apetecer arranjar nada que se comesse e por isso enfiei-me na cama e adormeci quase de imediato.
Hoje acordei com vontade de fazer montes de coisas. E havia tanto para fazer. Há sempre :(
Tratei das regas, fiz uma rápida inspecção às minhas plantas, passeei com os cães, tratei dos galináceos, sentei-me ao Pc para ler as mensagens, lembrei-me de fazer uma busca sobre as características da "Monstera deliciosa" - já que vai passar a fazer-me companhia a partir do próximo fim de semana - e caí num blog que me interessou bastante pela preocupação que tinha em informar. Nesse momento pensei: vou fazer o meu e assim já posso comunicar de blog para blog.
Foi um susto. Acho que acontece a todos. E eis-me aqui, demasiadamente exposta, a falar das minhas coisas e a tentar trocar conhecimentos sem tema certo.

Primeira publicação

Será apenas um começo. Com ele arrasta-se também o medo e a responsabilidade de não ser capaz de atingir aquilo a que me propus. Será o tempo que me dará as respostas às dúvidas que me assaltam ao criar este blog. Por isso tenho que dar tempo ao tempo.