2008-07-12

Visitando alfarrabistas

É sempre no Verão que nos afastamos mais da escrita e das visitas aos blogs que achamos mais interessantes.
É altura de levantar a batata, cebola e alhos da terra, de regar e sachar as hortas, colher feijão verde, courgettes, funcho, pepinos, aipo, rabanetes, alface, rucola, ameixas, nêsperas, morangos, maçãs (antes da devastação dos corvos e melros), fazer a rega com aspersores ao milharal, cortar a relva quase semanalmente para mantermos o jardim com melhor aspecto, fazer a segunda poda das alfazemas, regar e adubar os canteiros, cortar as flores secas para assim estimular a produção de muitas mais, tratar dos nossos animais, acompanhar os nascimentos na chocadeira, continuar o ensino aos cães mais jovens e muitas mais tarefas que agora nem nos ocorre. Além disso acompanhar familiares e amigos que aproveitam este período para nos visitar, ficando connosco por períodos mais ou menos longos o que nem sempre significa ter mais braços para ajudar :)))
Mas por vezes conseguimos libertar-nos das tarefas para nos afastar, assistir a alguns espectáculos, visitar alguns amigos, fazer alguns passeios…

Há duas semanas atrás fomos passar dois dias em Lisboa e aproveitámos para dar uma espreitadela nos alfarrabistas da Rua da Misericórdia.
Temos este gosto estranho de gostar do toque e do cheiro dos livros antigos.
Procurávamos livros da antiga Biblioteca dos Rapazes e Biblioteca das Raparigas para aumentar a nossa biblioteca que faz as delícias dos mais jovens que permanecem connosco nas férias escolares.
Havia poucos livros juvenis mas houve um que ao abrir nos deixou de imediato decididos a adquiri-lo. Chamava-se “as férias” e escrito pela condessa de Ségur, que tinha o nome de Sophie Feodorovna Rostopchine, nascida na Rússia em 1799 e tendo acompanhado seus pais no exílio para Paris onde viria a casar-se com o Conde Eugene Ségur. Começou a escrever aos 58 anos.


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Mas o que nos fez comprar este livro, foi o facto de ter o nome manuscrito da sua proprietária assim como o ano da posse.


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Não sabemos explicar o que nos encanta, de modo a não conseguirmos resistir a este tipo de “marcas”
Outra das aquisições foi um livro mais antigo chamado “ Manual do Jardineiro”

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e desta vez a compulsão foi por termos encontrado um montinho de pequenos recortes que o anterior dono/a do livro foi pacientemente coleccionando e guardando entre as suas páginas.

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Acreditem que sentimos um prazer imenso em manusear estes livros, ler lentamente cada recorte, ficar a admirar os sublinhados feitos a lápis no próprio livro. E principalmente, sentir que os adoptámos, desprezados por alguém que se decidiu pela sua venda por não encontrar neles qualquer interesse que justificasse a sua posse.
E por esta ou aquela razão acabámos por vir com um saco de 8 livros antigos. Agora só é preciso arranjar tempo para podermo-nos deleitar com uma leitura relacionada com costumes e práticas já esquecidas ou abandonadas por nós.
Talvez no Inverno sentados em frente da lareira durante as noites longas e frias.

2008-06-16

Dixieland em Cantanhede

No passado fim de semana, entre 12 e 15 de Junho, decorreu o V Festival Internacional de Dixieland em Cantanhede.
Faltámos o ano passado e este ano fizemos todos os esforços para não acontecer o mesmo.
Desde quinta feira que Cantanhede vibrava com esta música electrizante, tendo as bandas dixie e também as filarmónicas do concelho a tocar na rua durante o dia todo. À noite tocavam no palco de um recinto fechado no Parque Expo-Desportivo de S. Mateus, onde também decorria a Feira Gastronómica e de Artesanato.
O programa era tentador:
Bandas dixie portuguesas: Astedixie; Castiço Jazz Band; Desbundixie Jazz Band; Dixie Boys; Funfarra
Bandas dixie espanholas: Always Drinking Marching Band (com a participação da Maria João); Remember Swing,
Bandas dixie alemãs: Dixieman Four
Bandas dixie holandesas: Dixieland Crackerjacks; The Juggets Jazz Band
Bandas dixie italianas: Tiger Dixie Band
Bandas Filarmónicas: Ançanense, dos Covões, da Pocariça

Conseguimos viajar no sábado á noite mas não chegámos a tempo de ver os Dixie Boys , cujo trabalho pretendíamos conhecer.
Ouvimos a Remember Swing que é um projecto musical do trompetista argentino Marcelo Gallo, musico multi-facetado, que vive em Espanha, sendo o responsável por uma série de arranjos de forma a alterar a sonoridade de alguns temas clássicos. Foi um momento muito agradável

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A conhecida banda Dixieland Crackerjacks apareceu a tocar no meio do público, no seu jeito festivo como faz nas ruas, exibindo os seus vistosos fatos. Subiram depois ao palco e conseguiram electrizar o público que sem se dar conta começou a marcar o ritmo com o corpo, alguns levantando-se para dançar por entre as mesas e cadeiras.

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No final, a grande apoteose quando todas as bandas participantes neste festival surgiram a tocar temas muito populares, juntando-se aos Crackerjacks ainda em palco e levando o público a rodeá-los, cantando e dançando, totalmente cativado.
Eram 2,30 horas quando saímos e a festa ainda continuava…
No domingo foi o encerramento do Festival com espectáculos de rua desde as 10 da manhã havendo depois do almoço a chamada Street Parade.
Não pudemos ir e por isso deixamos aqui um vídeo que encontrámos no Youtube que é uma gravação feita no ano passado.
Fica então aqui um pouco do cheirinho a festa


2008-06-02

Maio, o mês das trovoadas

Há algum tempo que andamos a pensar em escrever um pequeno texto sobre as trovoadas. Esperámos que elas ocorressem para tornar o trabalho mais oportuno mas fomos desconsiderados pois nem uma se fez ouvir durante o mês que agora terminou. Por isso resolvemos publicar mesmo assim.
As nossas mães, ambas oriundas de zonas rurais ricas em mitos que eram aceites como verdades científicas, tinham pavor às trovoadas. Crescemos a ouvir relatos tão assustadores que acabavam por provocar o riso porque vivendo próximo das grandes cidades, atulhadas de pára-raios, o nosso conhecimento sobre as trovoadas limitava-se à visualização dos relâmpagos e à audição dos trovões e sem nada de relevante acontecer às pessoas a não ser alguns pequenos problemas nos electrodomésticos.
Quando viemos para esta quinta, as coisas mudaram um pouco de figura. Sendo uma zona com muito minério, segundo alguns entendidos, altamente arborizada e sem pára-raios, as trovoadas estacionam sobre nós durante muitas horas e algumas vezes regressando vários dias seguidos.
Há uns anos estava eu num campo aberto perto da casa com uma tesoura na mão a cortar flores para enfeitar a cozinha. Ouvia-se um trovejar ligeiro e continuei o meu trabalho completamente despreocupada, uma vez que estava uma tarde de sol.
Mas a dada altura, enquanto escolhia as flores, ouvi um zumbido sobre mim e senti os cabelos e os pêlos dos braços a erguerem-se puxados por uma força repentina e estranhíssima dando uma sensação esquisita à pele. Ao erguer os olhos vi a imponência de um raio que ziguezagueando indeciso sobre mim resolveu no último segundo trocar-me por um poste de alta tensão que se encontrava a uns 100 metros e ao qual se abraçou num gemido alto, contorcendo-se num paroxismo orgástico.
Escusado será dizer que fiquei completamente aterrorizada ao aperceber-me do que me poderia ter acontecido caso não houvesse aquele poste felizmente muito mais sedutor que eu.
A partir daí começámos obviamente a ter muito mais respeito às trovoadas. Encontrámos na Net uma explicação que considerámos interessantíssima:
Algumas nuvens conseguem gerar poderosas cargas eléctricas. No topo da nuvem forma-se uma carga positiva e na base da mesma uma carga negativa que vai dar origem ao raio. No início desta formação há uma descarga piloto que partindo da nuvem desce em ziguezague até ao chão a uma velocidade de 100 Km/seg, ionizando um mini túnel que abre no seu trajecto, tornando-o um bom condutor de electricidade e ligando assim o solo à nuvem. O solo envia a seguir um impulso positivo a uma velocidade próxima de um décimo da velocidade da luz, aproveitando o mesmo túnel com poucos milímetros de diâmetro aberto pela descarga piloto. O ar torna-se subitamente incandescente subindo a temperatura a cerca de 30.000ºC, criando uma onda de choque que dá origem ao estrondo do trovão.
Em algumas zonas do país era costume, durante a trovoada, as pessoas enrolarem-se em cobertores de papa. Estes cobertores eram fabricados de uma forma artesanal com fios de lã pura e por isso um bom isolante para as descargas eléctricas.
Ainda hoje se benzem raminhos de oliveira, alecrim, louro, no Domingo de Ramos que se queimam depois em dias de tempestade com o intuito de se afastar os raios.
Na zona onde vivemos também soubemos pelos mais antigos que era bom envolverem-se em mantas de cor vermelha, coisa que nos intrigou. Ao fazermos várias pesquisas descobrimos que nas festas dedicadas a Santa Bárbara, é costume os seus devotos vestirem-se de encarnado e branco, principalmente no Brasil. No entanto nas imagens que procurámos da santa, aparece vestida com estas duas cores mas também com outras muito diferentes.
Santa Bárbara é protectora contra as tempestades, trovões e raios (competindo com S. Jerónimo) e também protege aqueles que trabalham com fogo e explosões como os artilheiros, mineiros, pirotécnicos, metalúrgicos, e ainda padroeira dos arquitectos, pedreiros e outros.
Em dias de trovoada foi muitas vezes arrancada ao seu confortável altar e exposta na rua, à chuva, para a obrigar a agir e a terminar com a tempestade ao mesmo tempo que se repenicavam os sinos da igreja.
Os seus atributos são a torre, a espada, o cálice com a hóstia, o livro, a palma. Como é difícil fazer uma imagem que mostre a santa a carregar todos estes objectos, normalmente segura apenas dois à escolha.
Segundo reza a história, esta santa foi encerrada numa torre pelo pai, com o intuito de a deixar protegida durante uma viagem que este teve de fazer. Durante esse tempo ela decidiu tornar-se cristã o que enfureceu o seu progenitor quando regressou. Acabou por ser condenada à morte, acto desempenhado pelo seu pai. Quando a cabeça rolou por terra, um raio fulminou-o.
Segundo os mais idosos, é bom em dias de grande invernia e forte trovoada, fazer a seguinte reza para ficarmos protegidos pela santa:
“Santa Bárbara bendita, que no céu estais escrita, com papel e água benta, livrai-nos desta tormenta”
Mas, não vá a santa estar demasiadamente atarefada para nos atender, aqui ficam algumas normas de segurança que devemos respeitar:

Em casa:
Feche portas e janelas para evitar que os raios sigam as correntes de ar; desligue os electrodomésticos e a antena da televisão das tomadas; afaste-se das portas e janelas fechadas, assim como das chaminés; uma vez que as linhas telefónicas podem atrair os raios, use o telefone só em caso de emergência; evite tomar banho; não manipule nenhum condutor metálico (instalações de água, gás ou electricidade)


Fora de casa :
Abrigue-se em edifícios protegidos por pára-raios; não se aproxime de postes eléctricos ou telefónicos; não caminhe em campo aberto; não permaneça perto ou dentro de água; suspenda qualquer actividade desportiva; não mexa em estendais de arame, cercas, tendas, linhas telefónicas ou qualquer estrutura metálica assim como máquinas ou tractores que reboquem equipamentos metálicos; afaste-se do cume das montanhas antes do meio dia (a maioria das trovoadas ocorrem no princípio e no fim da tarde); evite andar de barco com trovoada, assim como a proximidade de praias, piscinas, lagoas; não se abrigue debaixo de árvores, nem se aproxime de troncos e raízes; se estiver num local isolado com um grupo de pessoas, devem dispersar para evitar atrair os raios e que a corrente eléctrica passe de uma pessoa para outra sem se tocarem; não ande de bicicleta ou de cavalo; se estiver num sítio isolado e sem possibilidade de se resguardar, ponha-se de cócoras com os pés bem juntos e não toque com as mãos no chão; não permaneça junto de rebanhos de ovelhas; não manipule materiais inflamáveis em recipientes abertos; não corra contra o vento, mas sempre a favor, para evitar a electrização do atrito; ao correr, evite colocar os dois pés ao mesmo tempo no chão; solte os animais presos a correntes ou arames e tire-lhes as coleiras de metal; não use chapéu de chuva cuja ponta metálica pode atrair o raio; se sentir a carga eléctrica que se caracteriza por eriçamento do cabelo e formigueiro na pele, atire-se para o chão; se estiver dentro do carro, feche as janelas e fique tranquilo pois está bem protegido. Saia só quando tiver a certeza que a tempestade passou completamente.
Em caso de acidente é necessário agir imediatamente tentando a reanimação com respiração boca-a-boca ou massagem cardíaca.
Como os batimentos cardíacos são estimulados por impulsos eléctricos de pequena intensidade, a descarga eléctrica de alta intensidade do raio pode provocar uma sobrecarga que leve à paragem cardíaca seguida de paragem respiratória, interrompendo a irrigação sanguínea do cérebro e levando a pessoa à morte.
Agindo rapidamente com as técnicas de reanimação referidas ou utilizando o desfibrilador, pode salvar-se uma vida.

2008-05-17

Saber ser velho

Em Março de 2007, escrevemos um pequeno texto fazendo referência à vida e obra de Carlos Mar Bettencourt Faria, cientista português assassinado em Angola em 4/7/76. A partir daí fomos recebendo alguns contactos de pessoas que também o conheceram e que gostavam de partilhar essas memórias. Um deles foi o Mário Portugal, seu irmão, que ainda hoje comunica connosco diariamente dando origem a uma bonita amizade.
O Mário é rádio amador veterano e escreve com frequência para a revista QSP-Revista de Rádio e Comunicações sobre os assuntos mais diversos e inesperados.
Os seus conhecimentos são vastíssimos e é difícil pôr-lhe alguma questão que fique sem resposta de imediato ou a curto-prazo.
É uma pessoa muito activa, alegre, solícita e sempre atenta às descobertas científicas que se fazem por esse mundo fora.
Tendo passado parte da sua juventude internado num sanatório do Caramulo com uma grave doença pulmonar de diagnóstico tão reservado que indiciava uma morte prematura, conseguiu impor-se à doença fazendo uma vida normal até hoje.
Também se interessa por medicina e é abordado bastas vezes por vizinhos e amigos para lhes aplicar uma dose de ondas curtas para alívio rápido nos problemas de artroses nas suas fases mais dolorosas.
É evidente que um espírito assim irrequieto na procura do saber e de novas tecnologias, não ia ficar indiferente às possibilidades da Internet.
Vivendo completamente só, por ser viúvo e ter os filhos distantes, passa o dia muitíssimo ocupado contactando amigos reais ou virtuais, fazendo pesquisas, escrevendo artigos técnicos e também narrando muitas das suas memórias no blog “Engenhocando”, merecendo o interesse de alguns sites brasileiros.
Há alguns dias escreveu um texto no seu blog com o título “Que bom chegar a velhinho” que publico aqui, com a devida autorização do autor, dedicando-o a todos os amigos candidatos a idosos, fase a que poderão chegar se tiverem sorte na vida:
"Provavelmente, o leitor que chegar a este blog, ficará um tanto atónito com a expressão escolhida para esta crónica, pensando provavelmente que a velhice deve ser uma grande chatice! Na realidade, se uma pessoa tiver levado uma vida sem nada para recordar, e se ainda por cima, não tiver já uma boa saúde, achará que a velhice, deve ser uma coisa muito chata, mas quando há muito para recordar e ainda interesse por viver, encontra muito de que falar... Na realidade, a velhice, quando cá se chega, como eu aos 81 anos, vem acompanhada de muitas surpresas, às vezes um tanto desagradáveis, certos abanos na saúde, a noção de que já faltam muitas coisas que se foram perdendo pelo caminho dos anos, mas enquanto se tem a noção de que numa longa vida, tem mesmo de existir muitos solavancos e nos temos de ir preparando para o passo final... pensa-se de forma diferente... Alguém me poderia perguntar: "Qual é a melhor hora de cada um dos seus dias?", e eu poderia responder que é o acordar e uma pessoa sentir que ainda está viva e lúcida. Depois dum cigarrinho para ajudar a acordar completamente, dada a preocupação de não deixar cair nenhum morrão sobre a roupa, segue-se o ir fazer o pequeno almoço de sopas de café com leite, e vir comê-lo para a cama e logo seguido de outro cigarrinho... Muito confortavelmente instalado, agarra-se uma boa leitura por mais uma hora e se pára. Segue-se um período vazio de olhar o tecto branco e tudo o que nos rodeia, e no silêncio total da falta de companhia, ficar a pensar no que se poderá fazer de agradável, para encher as horas do dia que acabou de nascer. Como o leitor deste blog já teve várias vezes a oportunidade de ler, eu sempre me lembro de que tenho tido muitas ocupações diferentes e, se for alguma em que possa aprender qualquer coisa, ainda melhor. Eu costumo pensar que as únicas coisas que me crescem actualmente, são as unhas e o cabelo... o resto já se foi andando e desaparecendo, mas como tudo se vai lentamente, nem dá muito para se ficar preocupado, mas simplesmente com certa pena. Vão-se os dentes, o ouvido e a vista, com baixa imenso de sensibilidade, as pernas começam a ficar perras e em vez de se andar, damos que estamos mais a arrastar os pés e a tropeçar ao mais pequeno descuido, e se fica com a saudade do interesse sexual que tanto abundava uns anos antes, e se extingue. Se se envereda pela INTERNET, os amigos que se vão juntando e fazendo companhia diariamente, são um enorme aliciante, pois cada um nos vai dando noticias do que está a fazer ou a pensar fazer, os que necessitam dos nossos conhecimentos adquiridos durante tantos anos, e nos enviam imagens lindas de ver, de todos os tipos, de terras distantes e lindas de ver e conhecer, do aparecimento de instrumentos que todos os dias se estão a inventar e mulheres, lindas mulheres, daquelas que tem TUDO o que qualquer homem gosta de ver... enquanto os seus olhos ainda conseguem enxergar alguma coisa! Mas eu nasci com uma necessidade imensa de conversar com toda a gente, mais novos e mais velhos, ricos e pobres. Por esse motivo, em 1948, quando me apercebi de que a morte só me tinha passado ao perto, logo me entusiasmei pelas actividades radioamadoristicas que me abriam imensas portas científicas, e a ANACOM me forneceu o indicativo de CT1DT, que ainda hoje possuo e uso. Assim, e embora ainda num sanatório, me fiz radio-amador e de lá das altas montanhas do Caramulo, consegui encontrar imensa gente da minha idade, 17 anos, e muitos, quase todos, mais velhos. E, como os anos iam andando e eu a ver imensos amigos a morrer, ricos e pobres, mas em especial os bem comidos e bem bebidos, lembrei-me de fazer uma lista dos que se tinham ido, a que chamei de "Triste Lista", onde já inscrevi 375... Assim hoje, eu sou, dos poucos velhos amantes da rádio, que ainda existem em Portugal! E lá se vão encontrando aqueles velhos amigos de há mais de 60 anos, que também se meteram com a NET, e com quem estamos de conversa, horas e horas, recordando os tempos passados... as aventuras que tivemos, as empolgantes experiências de todos os tipos, os sustos e os fracassos que apanhámos e as alegrias que nos encheram a vida, as mulheres que nos acompanharam e que algumas vimos morrer nos nossos braços... E mais, a vermo-nos uns aos outros... via MSN em televisão. É uma pena que muitas pessoas que chegaram à idade avançada, não tenham a coragem de se meter na NET, pois ficam sem quase nada para fazer, todo o dia, só esperando pela hora da alimentação, um passeiozinho pela rua, umas horas a ver televisão, e umas sonecas à mistura... Felizmente que, e desde há muitos anos, me enviam mensalmente pedidos de mais artigos para publicar e isso me ajuda a estar sempre de atalaia, para encontrar os assuntos sobre o que escrever e juntar fotografias e esquemas, que, muitas vezes, têm de ser feitas sem perda de tempo, para quando chegarem os pedidos, já ter alguma coisa pronta a seguir. Entretanto já tenho publicadas, cerca de 1000 páginas de assuntos técnicos, e por isso, muito diferentes destes que aqui escrevo. Eu devo ser considerado um tipo muito especial, talvez "maluco", dado que, se se for à NET e lá escrever ct1dt, em QRZ.COM, vai ver que lá está a minha fotografia de há poucos anos e a indicação de quase 2000 visitas ao meu indicativo...e fico a pensar no porquê ...quando a maioria, anda pelas 200 ou 300 visitas... Quase todos os dias nos entram pelo casa dentro, no computador, anúncios das mais rocambolescas coisas, desde as comidas que fazem bem a tudo, as anedotas, aos comprimidos de Viagra que já não nos serviriam para nada, há de tudo! Mas uma coisa é certa, desde há muitos anos, que me habituei a uma alimentação muito simples, como um prato de sopa de legumes e massa, um ovo estrelado ou em omeleta, um fruto, meio pãozinho, um pouco de queijo de barrar, e um copinho de sumo de laranja, é quanto basta, pois as sopas de café com leite da manhã e do lanche, bem docinhas, fazem o resto. Perde-se a vontade de andar a medir a tensão arterial e de andar sempre nos consultórios, quando já se sabe que as análises que foram feitas anualmente, se mantêm estáveis. Então, para quê ir fazer mais? Claro que há muita gente que necessita de vigiar as diabetes, se as tem, mas quando se fez uma vida muito cuidadosa, regrada e simples na alimentação, não fica nada por onde se ter de cortar. Aprendemos que mais cedo ou mais tarde, todas as comidas muito condimentadas, acabam por vir a fazer mal. Então eu as eliminei... pura e simplesmente! Nada de fritos, nem refogados, nem gelados, desde que vim a saber que eram feitos de manteiga e leite... e andar a comer "manteiga" à colher, é mesmo um suicídio...Uma coisa aprendemos, é que os dentes postiços nunca mais funcionam como os de origem, e nunca mais se consegue trincar como dantes. Se os dentes não conseguem desfazer uma carne um tanto rija, mais vale ir metê-la no triturador, 1,2,3, e comê-la logo moída, em vez de exigir que um estômago com mais de 80 anos, o consiga fazer convenientemente, à custa do seu corrosivo ácido clorídrico. Ou então, pura e simplesmente, eliminá-la da dieta. Por quê teimar em comidas que se digeriam bem aos 20 e aos 30 anos, mas que agora são um sacrifício tremendo para o estômago as digerir? Quando se vive completamente só, fica-se muito restringido na alimentação, a coisas muito simples, e estar o mínimo de tempo na cozinha, nem que seja por preguicite aguda... Mas uma coisa que parece tão simples de fazer para toda a gente, como partir um ovo para estrelar... até isso fica complicado, pois a maioria das vezes rebenta a gema e aquilo fica uma autêntica chachada!! Eu não me sinto como pessoa desajeitada, até porque me consigo entender dentro dum relógio de pulso e com os seus micro-parafusos, as micro-rodas dentadas, mas fico mesmo chateado quando, ao pretender fazer um bonito ovo estrelado, acabo por vê-lo rebentado na frigideira, embora se possa comer aquela mistela... Ná, aquilo tem de ter a sua técnica, pois uma coisa é partir um ovo para mexer ou fazer uma omeleta, e outra, fazer um estrelado... é muito diferente e eu tinha de aprender... Assim, peguei um, coloquei-o numa balança e com o gume duma faca, fui fazendo força, lentamente, e medindo a força.Verifiquei que a casca estalava aos 3,5 Kg, mas só ia dentro, aos 4 Kg... e sem rebentar com a gema... Bem, pensei eu, então o que tenho de fazer é várias pancadinhas à sua volta para facilitar que se abra, e assim lá me tenho safado... e podido comer, regalado, e molhado com bocadinhos de pão, a sua saborosa gema e a clara, levemente tostada à volta. Mas como é óbvio, vão-se fazendo disparates, quase todos os dias, e ainda hoje, fui fazer o café e me esqueci do próprio café! Só tinha água quente!!! Noutra vez, foi ao contrário, coloquei o café e esqueci-me da água, que teimava em não subir... e ia acabando com a maquineta, que quase se ia derretendo !!! e café... nada ! Ou ir fazer duas ou três compras e chegar ao super-mercado e já não saber o que ia comprar e outras, encontro as coisas e me esqueci do dinheiro... O que me vale, é que todo o mundo me conhece e vai perdoando, mas nem que seja um euro, eu tenho de o ir lá levar. Não posso ficar a dever um tostão a ninguém... fico mesmo doente... Ou sair de casa com braguilha aberta... ou com os botões da camisa, trocados... Ou andar pela casa à procura duma coisa que já nem sei o que era... tendo de voltar atrás... As coisas de casa, como limpar e arrumar, é que me custa um pouco mais, em especial o ter de fazer a cama, dificilmente sabendo o lado da cabeça e o dos pés... ou se está direito ou do avesso... E passar a ferro uma data de roupa... O leitor poderia perguntar: e porque é que não vai comer fora? Porque me custa muito o tempo de espera pela comida, pensando no que poderia estar a fazer em casa, com os meus brinquedos, responder ao correio electrónico, escrever um artiguinho como este, ou preparar um outro para publicação... E viva a velhice !!!! que é linda de viver ... e deixa-me ir embora, senão nunca mais acabo... e me ponho a contar como dei dois valentes trambolhões esta semana e de cabeça no chão... e como consegui acabar com umas dores de cabeça que não me deixavam dormir... talvez devido aos trambolhões, mas isso daria para outro artigo..."

2008-04-29

Bolo-Rei é quando a gente quiser

Já andava há uns dias com desejos de comer um bocado de bolo-rei. Mas nesta altura do ano é difícil de se encontrar.
Os desejos eram tantos que me atrevi a tentar fazer um bolo-rei, logo de manhãzinha, seguindo uma receita da minha mãe.
Como não tinha fermento de padeiro não pude fazer o preparado que consiste em amassar bem 100 gr de farinha com 60 gr de fermento de padeiro e juntar 1 dl de leite amornado. Depois fazer uma bola e deixar levedar.

Por isso comecei mais adiante juntando 800 gr de farinha com 225 de margarina, 225 de açúcar, a raspa da casca de uma laranja e comecei a amassar com firmeza. Seria a altura de juntar a tal bola feita com farinha, fermento e leite, mas como não a pude fazer, juntei o conteúdo de um pacotinho de fermento instantâneo. À falta de Brandy juntei um cálice de Porto e 6 ovos um a um.


Amassei com muita energia a massa, batendo-a vivamente sobre a mesa e cortando-a com as mãos até a sentir fofa, envolvendo-a de vez em quando com um pouco de farinha polvilhada na superfície.
Depois juntei á massa as frutas cristalizadas partidas aos bocadinhos, nozes e pinhões. Faltaram-me as passas


Amassei tudo muito bem, formei uma bola que pus a levedar dentro de um alguidar coberto com um pano num ambiente aquecido.



Esperei mais de 2 horas e não levedou quase nada. Quer dizer que ficou mais ou menos do mesmo tamanho o que me deixou muitas dúvidas sobre a eficácia do fermento instântaneo.
Despejei a massa na mesa e moldei o bolo rei. Fiz dois porque a massa era mais que suficiente e ficaram mais duas horas a levedar.
Como já estava a desconfiar, também não cresceram.
Pincelei com gema de ovo e comecei a decorá-los com frutas cristalizadas, mais as nozes e pinhões, pondo também 4 montinhos de açúcar branco para ficar mais bonito e foram a cozer no forno com temperatura média por 25 minutos.



Depois de estarem cozidos pincelei-os com mel sobre as frutas para lhes dar brilho, uma vez que não tinha geleia e o resultado final foi este:



Assim meio aldrabado, não estava tão fofo como é costume mas estava uma delícia e valeu bem a pena ter esperado tanto tempo até à fase final.

Acompanhado com chá de framboesa serviu para um belíssimo lanche numa destas tardes frias e chuvosas de Abril.

2008-04-12

O círculo dos cogumelos

Para iniciar este post começamos por afirmar que temos horror ao consumo de cogumelos apanhados por pessoas que se dizem experientes na matéria.
Limitamo-nos a comprar Cogumelos de Paris, frescos, em estabelecimentos que nos inspirem confiança, ainda que o pessoal que aqui trabalha apanhe sacos de míscaros que levam para casa com a condição de não os dizimarem completamente.
Há alguns anos fomos almoçar a um restaurante que tinha como um dos pratos do dia, arroz de míscaros. Resolvi esquecer o terror dos cogumelos e como nunca tinha provado míscaros, confiei na casa e pedi um prato para mim que realmente estava uma delícia, já não sei se dos míscaros ou se das carnes.
No final ficámos a conversar um pouco com um dos donos que já conhecemos há muitos anos e perguntei onde é que eles se iam abastecer de míscaros. Fiquei apavorada quando o ouvi dizer que compravam a umas senhoras que apanhavam pelos pinhais e que os iam entregar em cestos logo pela manhã. Só me restava esperar que não tivesse havido erro nenhum na colheita e que essas senhoras percebessem muito mais de míscaros do que eu, o que felizmente aconteceu.
Lembrámo-nos de escrever sobre cogumelos porque temos andado intrigados com um tipo de cogumelos pequenos e brancos, parecidos com os de Paris, que se dispõem ao longo de uma linha circular.
A foto abaixo foi a possível. Mostra o início da formação de um desses círculos que são sempre destruídos com a passagem continua dos animais.

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Depois de várias leituras ficámos a saber o seguinte:
O cogumelo é apenas a parte visível de um fungo. É o seu corpo de frutificação que pode soltar milhões e milhões de esporos por dia. Por sua vez o fungo desenvolve-se subterraneamente, constituído por finas ramificações denominadas hifas, a cujo conjunto se dá o nome de micélio e cuja função é a de conseguir os nutrientes necessários. Alastra-se circularmente a partir de um ponto no centro, aumentando o diâmetro do círculo de ano para ano, se as condições foram satisfatórias, podendo ir de poucos centímetros até dezenas de metros.
Mais tarde encontrámos uma foto na Net que dá uma óptima ideia de como o fungo se pode alastrar se não encontrar nenhum elemento que prejudique a sua expansão.

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Estava assim explicada a razão dos círculos destes cogumelos que aparecem frequentemente nas nossas zonas de pastagem.
Estas formações fazem no entanto parte da mitologia celta e também do imaginário colectivo duma série de países da Europa, mais acentuado nos países escandinavos. São os chamados Anéis das Fadas ou Rodas das Bruxas.
Estes círculos seriam visitados por uma série de figuras maravilhosas pertencentes ao mundo das florestas: fadas, bruxas, elfos, duendes, etc. que se reuniriam e dançariam em noites de lua cheia. É interessante ler as mil e uma orientações publicadas na Net sobre este assunto.
Sendo um mundo estranho e invisível para o homem, este também poderá assistir ao espectáculo se der 9 voltas ao circulo no sentido dos ponteiros do relógio. Deve vestir uma roupa leve e esvoaçante se tiver intenções de participar destes encontros mágicos. Ficámos a saber que se fizer um pedido junto ao anel das fadas, tem-se a garantia de vir a ser satisfeito. Deve ter-se o cuidado de nunca urinar para dentro do círculo o que provocará uma doença venérea grave. Ficámos a saber também que tipo de comida ou guloseimas são do agrado destes seres. Deve evitar-se pôr os dois pés dentro do círculo porque poder-se-á entrar no mundo das fadas e sem hipótese de regresso… a não ser que alguém tenha assistido ao acontecimento e que após 7 anos, do nosso tempo real, para 1 dia do tempo mágico, se coloque junto a um desses círculos numa noite de lua cheia e esperar pela dança para poder depois puxar com toda a força a pessoa perdida, não colocando obviamente os seus 2 pés dentro do anel.
Por curiosidade andámos a ler diversos contos tradicionais portugueses num livro de Consiglieri Pedroso que compilou uma série de contos junto de uma população muito diversificada que repetia lendas e contos ouvidos pela boca dos seus antepassados, quando a oralidade era o meio usado para a difusão de informações. O livro foi editado em 1910 apoiando-se também numa compilação feita em 1883 por Teófilo Braga e noutra mais antiga ainda feita em 1879 por Adolfo Coelho. Muitos desses relatos importados pelo contacto com povos indo-europeus, sofreram várias adaptações ao nosso meio e cultura. Mas muitos têm características unicamente ibéricas.
Estávamos com esperança de ler alguma história que se referisse a estes Anéis de Fadas, mas não encontrámos nenhuma referência nas dezenas de contos que estivemos a ler.
Pudemos também constatar que as fadas dos nossos contos não são seres esvoaçantes, luminosos e de uma beleza indescritível. A fada entra no conto essencialmente para cumprir a sua função, sem se perder tempo com descrições do seu aspecto físico. A bruxa é apenas uma fada maléfica.
Também nos pareceu curioso saber que alguns cogumelos eram usados em certas cerimónias religiosas devido ao seu efeito alucinogénio que provocava sonhos estranhos repletos de movimentos de luzes com várias cores, precisamente as características descritas pelas pessoas que afirmam já ter visto fadas num dado momento da sua vida.

Este assunto interessou-nos de tal maneira que voltaremos a ele quando dispusermos de mais informação
.

2008-03-31

Encerrados temporariamente

Avisamos os amigos que nos escrevem, preocupados com todo este silêncio que nos encontramos temporariamente encerrados devido a uma gripe que nos atingiu a todos sem conseguirmos evitar o contágio do pobre computador que anda também com vírus, mal humorado e sem força anímica para nada.
Na semana passada pegámos nas nossa bagagens e deslocámo-nos rumo à capital para assistirmos a vários espectáculos da banda "Chauffeurs Navarrus" que esteve a tocar no Casino de Lisboa.
Como já adivinhávamos por concertos anteriores, valeu a pena a deslocação por nos terem brindado com óptimos espectáculos sempre cheios de energia e alegria contagiando o público presente
O convívio com uma série de amigos que não víamos há uma série de tempo, incluindo a Dulce e o Ezequiel que simpatica e estoicamente ouviram o chorrilho de histórias e historietas que nos apressamos a contar como se o mundo acabasse ontem, mais aqueles que nem sequer conhecíamos pessoalmente, foi excepcionalmente agradável obrigando-nos a esquecer a existência de relógios e a ficarmos em alegre cavaqueira até de madrugada.
Trocar o ar puro desta quinta por aquele, enclausurado numa enorme sala ainda que com óptimos aparelhos de extracção de fumo, deu origem a que um vírus nos achasse belíssimos hospedeiros e ficou simpaticamente connosco.
E só para arrematar:
Quando regressámos à quinta, encontrámos todas as superfícies cobertas com uma fina camada de pó amarelo/esverdeado.
Descobrimos depois que a responsabilidade cabe a estes estróbilos masculinos dos pinheiros que libertam uma grande quantidade de grãos de pólen e que arrastados pelo vento vão fecundar os óvulos dos estróbilos femininos dando origem aos pinhões.
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Assim que melhorarmos, voltamos com novas histórias.
Obrigada pela preocupação

2008-03-11

Um passeio adiado

Há umas semanas atrás resolvemos aproveitar o domingo para visitar o Parque Natural do Douro Internacional que fica entre Barca de Alva e São João das Arribas.
A paisagem era deslumbrante com os seus maciços rochosos, bosques de carvalho negral e cerquinho, manchas amarelas de giesta, terrenos de granito e xisto, zonas rurais agrícolas com enormes extensões de laranjeiras, amendoeiras em flor pintando a paisagem d
e tons rosa e branco, olivais a perder de vista, assim como plantações de vinha que segundo dizem fazem parte da mais antiga região demarcada do mundo com vinhos premiados em Portugal e no estrangeiro.
Parámos em Freixo de Espada à Cinta, onde nasceu Guerra Junqueiro, com a intenção de visitar a torre de menagem de um antigo castelo gótico, conhecida também por Torre do Galo ou Torre do Relógio e tentarmos visitar as criações de bicho da seda que dão origem a uma produção de seda artesanal exportada para o estrangeiro. Pretendíamos ainda visitar a aldeia de Mazouco para vermos o “Cavalo de Mazouco” que pertence a uma série de vestígios da arte rupestre do Paleolítico Superior ao ar livre, dos primeiros a ser identificados na Europa .
Mas, devido a um imprevisto, o nosso passeio terminou em Freixo de Espada à Cinta e tivemos que regressar.
Ficou a determinação de voltarmos ainda nesta Primavera para tentar fazer um percurso de 8 horas numa extensão de 140 km com visitas guiadas a vários centros de interesse entre Barca de Alva e Aldeia Nova, sempre com o rio Douro ao lado, um dos maiores rios da Península Ibérica que escavou arrebatada e apaixonadamente
as rochas ao longo de milhões de anos e que desliza agora apático, aprisionado pelas barragens, no fundo de perigosas escarpas. Por ali ainda se pode avistar a águia-real e a cegonha-negra que estão em vias de extinção, o abutre do Egipto com dificuldades na sobrevivencia da espécie e a rara águia de Bonelli assim como o falcão peregrino, entre outras.
E este post terminaria aqui se não tivessemos ficado intrigados com uma espécie de moinhos sem mastros que salpicavam a paisagem de branco.
Ficámos a saber que se tratava de pombais e daí a explicação para uma série de aberturas visíveis por baixo do beirado dos telhados.

Embora na Idade Média já aparecessem pombais nos terrenos feudais, foi com o Renascimento que começaram a ser intensamente construídos por toda a zona agrícola da Europa Ocidental.
Os pombais tradicionais contribuíam fortemente para a economia familiar fornecendo carne de pombo ou borracho e o estrume, chamado “pombinho” fertilizante natural que ajudava a enriquecer os solos pobres para o cultivo da vinha, olival, laranjal, hortas, etc.
Existem pombais em quase todo o país. Mas só na zona do Nordeste conta-se com cerca de 3.500! A maioria tem planta circular ou em ferradura, lembrando formas arquitectónicas castrejas, com paredes construídas em pedra de granito e xisto, bem grossas para permitir edificação de patamares, buracos e prateleiras por dentro para os pombos nidificarem. No interior tem normalmente uma mesa onde é depositado alimento e água, principalmente nos períodos de maior escassez. A porta construída muito acima do nível do solo, mais parecendo uma janela baixa, serve para evitar a entrada de predadores como fuinhas, ginetos, gatos, doninhas, ratos, cobras e também para permitir a acumulação no chão do esterco das aves, não dificultando a abertura da porta. Esta está colocada de frente para a povoação ou para outro local que permita a vigilância frequente da população ou do dono. O telhado tanto é circular, como pode ter uma ou duas águas cobertas com telha ou placas de ardósia, posssuindo muitas vezes estatuetas e pinocos no cimo das cumeeiras.
Na foto abaixo, retirada da Net, pode ver-se o interior de um pombal em ruínas




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O pombo-das-rochas que nidifica nos penedos do vale do rio Douro, acaba por ser atraído para estes pombais construídos nas proximidades e onde vai encontrar alimento e um óptimo abrigo, o mesmo se passando com outras aves mais pequenas, como o pardal.
A partir da década de 60 uma grande parte da população rural do toda a região interior do norte, emigrou. Os que ficaram, foram modernizando as suas culturas e reduzindo o cultivo de cereais. Os pombais perderam a utilidade de outrora, começaram a ser esquecidos e entraram em degradação. Os caçadores ignorando a legislação da caça, abateram milhares de pombos muitas vezes aproveitando a localização dos pombais. Os pombos por sua vez, perante a falta de alimento e segurança, aproximaram-se dos centros urbanos onde passaram a ser alimentados pela população nos jardins públicos.
Entretanto o Instituto da Conservação da Natureza através do Parque Natural do Douro Internacional, considerado Área Protegida, deu início a um projecto pioneiro na recuperação de pombais tradicionais, valorizando a paisagem e contribuindo para melhorar os recursos alimentares de diversas aves de rapina em vias de extinção.
Presentemente já há uma forte sensibilização nas povoações e por isso foi possível fotografar um desses pombais, bem cuidado e habitado por bastantes pombos que fugiram em debandada perante a nossa aproximação. O terreno estava de tal maneira encharcado, cheio de marcas das lagartas de um tractor, que dificultou imenso o acesso.




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Aqui fica a sugestão para um passeio extremamente interessante.

2008-02-28

O perigo espreita no pinhal

Desde o início de Fevereiro que assistimos preocupados à saída das longas filas de processionárias que estão a abandonar os seus ninhos.
Para aqueles que ainda não sabem o que são processionárias, iremos fazer uma breve revisão sobre o tema.
A processionária ou a Thaumetopoea pityocampa é uma lagarta que se alimenta das folhas (agulhas) dos pinheiros, também podendo alimentar-se das dos cedros e abetos.
Os 300 ou mais ovos de cada fêmea são depositados em volta de uma agulha de pinheiro, protegidos por escamas do abdómen da borboleta
Poderão ver o seu aspecto entrando neste link: http://br.youtube.com/watch?v=ukXKBOvCAx4
As lagartas nascem entre Junho e Setembro e fabricam um ninho, ou vários, com os seus fios de seda, onde se resguardam dos frios do Inverno. Ao construirem vários ninhos orientados de maneira diferente, tentam defender-se das temperaturas incómodas, uma vez que não resistem abaixo dos -12º. nem acima dos 32º.
Durante as estações frias, saem à noite para se alimentar das agulhas dos pinheiros.
No início do ano, assim que o tempo começa a aquecer e até Março, as lagartas abandonam os ninhos descendo pelo tronco dos pinheiros, em procissão (daí o seu nome), sendo guiadas por uma fêmea que vai tecendo um fio de seda para não se perderem umas das outras.
Nesta altura do ano é vulgar ver as longas filas que se deslocam rapidamente, embora quase sem darmos por isso, procurando um solo solto que lhes permita enterrarem-se para crisalidar, aparecendo as novas borboletas no Verão, só tendo 1 ou 2 dias para serem fertilizadas e terminarem a postura, finda a qual perecerão.
Além de andarmos a perseguir as longas procissões para as destruir antes de se enterrarem, também cortamos os ramos dos pinheiros que contêm esses ninhos. Mas como há muitos pinheiros demasiadamente altos, usamos umas caixas que comprámos para o efeito que penduramos nos ramos e que têm dentro uma pastilha com feromona (tipo Chanel 5) para atrair a borboleta macho, sendo este depois surpreendido dentro da caixa por uma pastilha de insecticida. No Verão, limpamos as caixas frequentemente e colocamos novas pastilhas.
A foto abaixo mostra o interior de um ninho com as processionárias enroladas, defendendo-se do frio, antes de o destruirmos.

 
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Esta outra foto, mostra o local escolhido por uma fêmea-guia. Reparámos que a terra tinha sido remexida recentemente e ao escavar descobrimos o esconderijo dessa colónia.

 
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Ontem, ao darmos o passeio habitual de fim da tarde com os nossos cães pela extrema da quinta, fomos surpreendidos com o comportamento do Dongo que não parava de vomitar e de esfregar o focinho no chão. A Nanã ao ver a aflição do irmão dirigiu-se a ele para o lamber e no preciso momento começou a disparar em grandes correrias, babando-se e a ganir. Não tivemos dúvidas que tinha havido contacto com pêlos das processionarias. Tivemos que agir rapidamente, só perdendo tempo a procurar as coleiras e trelas e metemo-los de imediato no carro, partindo a grande velocidade para a clínica veterinária uma vez que a celeridade do início do tratamento pode ser a salvação do animal. Chegados à clínica, estavam mais calmos mas era muito nítida a língua grossa que mal cabia dentro da boca do Dongo e os edemas nas faces da Nanã. O médico veterinário já nos esperava e fez-lhes imediatamente o tratamento de choque necessário nestes casos. Felizmente as mucosas estavam com uma cor normal, ao contrário do infeliz cão que noutra sala ao lado estava a ficar com a língua azulada o que indiciava uma necrose dos tecidos, provavelmente com a queda parcial ou total da língua. A gravidade do seu estado podia ser devido a uma demora maior no início do tratamento ou um maior contacto com os pêlos das lagartas.
Foi este acidente que nos fez escrever mais uma vez sobre o assunto. Não esquecer que devem evitar passear com crianças ou animais de estimação em zonas de pinhais nesta altura do ano.

Para quem quiser saber mais, pode consultar esta página que tem um video extremamente bem feito e que responde praticamente a todas as questões sobre a processionaria. Está em espanhol mas é fácil de entender.

http://images.google.es/imgres?imgurl=http://www.espacioblog.com/myfiles/forestman/30tpcuco.jpg&imgrefurl=http://www.espacioblog.com/forestman/post/2006/03/19/la-procesionaria-del-pino&h=960&w=1280&sz=212&hl=es&start=3&tbnid=IWnJI5X-kNDuRM:&tbnh=113&tbnw=150&prev=/images%3Fq%3DCuculus%2Bcanorus%2B%2B%26imgsz%3Dxxlarge%26svnum%3D10%26hl%3Des%26sa%3DN

2008-02-18

Vem aí a Primavera

Aproveitámos a manhã para tirar algumas fotos e falar desta próxima chegada da Primavera. Não fora o frio intenso que se faz sentir durante a noite e já pensávamos ter terminado o Inverno. As plantas também se baralham com a diferença de temperatura entre o dia e a noite e por isso nota-se um atraso no desenvolvimento das flores em relação a outras zonas do nosso país.
As que se apressaram a abrir no jardim foram as da cameleira e do marmeleiro japonês, como podem ver na foto abaixo


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... as pequeninas do hamamélis


... os amentilhos pubescentes do salgueiro


E as primeiras flores dos damasqueiros, estando a aparecer também as dos pessegueiros de fruto temporão e as das amendoeiras










Ainda que as flores estejam um bocado cautelosas para não abrirem numa altura pouco conveniente, os animais é que estão a modificar rapidamente os seus comportamentos perante esta promessa de Primavera.

O pavão do nosso caseiro, o Jacob, veio viver connosco para assim ter o prazer de conviver com a Mariana a pavoa que já apresentámos num texto antigo quando foi sujeita a uma melindrosa operação à qual resistiu. Sendo ela uma jovem viúva, depressa se interessou por este novo namorado ao ponto de o acompanhar pernoitando com ele em cima do telhado da capoeira, ao relento, mesmo com estas temperaturas negativas..
O Jacob esforça-se agora para impressionar ainda mais a sua companheira, exibindo-lhe constantemente o seu rabo de penas coloridas, sem se aperceber que ainda é cedo e que as suas penas pouco desenvolvidas ainda não estão muito famosas para amolecer o coração da Mariana numa violenta paixão. Talvez por isso o desinteresse dela - mais que evidente - por esta pobre exibição do apressado Jacob. Apenas uma ou outra galinha é que lhe dirige um olhar de estranheza
.

De frente...


de lado...


... e de costas

2008-02-14

Quem é quem?

Andava aqui ás voltas sem saber como começar este texto. Queria homenagear alguém que não conhecendo pessoalmente considero um grande amigo, o Augusto Mota.
O acaso fez com que nos cruzássemos na blogosfera quando encontrei no “Pilriteiro” resposta a muitas questões que me andavam a preocupar, relacionadas com a jardinagem, com a agricultura, com o ambiente em geral.
A amizade foi-se instalando e durante esta simpática ligação fui conhecendo a qualidade artística dos seus “textos transversais” publicados no blog
“Palácio das Varandas”, mas também o caderno de prosa intitulado “quadriculado”, editado em 1959 e o livro “Sujeito Indeterminado” publicado em 2005, composto por pequenos textos num encantador jogo de palavras:
“Em noites de lua cheia enfunava as velas da fantasia e navegava solitário sobre as searas da solidão. A caminho do cabo da boa esperança”
A par da escrita também o desenho, a pintura, o mosaico, autor de diversas ilustrações em livros de poesia, cenógrafo em grupos amadores de teatro, vencedor de 3 primeiros prémios com o seu filme “Variações sobre o mesmo traço”, participou em várias colectivas. Em 1988 recebe da Câmara Municipal de Leiria o galardão do município "pela sua valiosa e multifacetada obra artística e cultural”
Entretanto a Gradiva reeditou há poucas semanas 500 exemplares do álbum de banda desenhada “Wanya - Escala em Orongo” com texto de Augusto Mota e desenho de Nelson Dias, falecido em 1993.
Editado pela primeira vez em Dezembro de 1973 pela Assírio & Alvim com uma tiragem de 5.000 exemplares que viria a esgotar-se rapidamente, acabou por entrar na lista dos livros considerados perigosos pelo anterior regime, situação que ficou resolvida com o 25 de Abril, quatro meses mais tarde.
Segundo Rui Zink trata-se de “um livro-poema generoso, engenhoso e complexo, a obra "Wanya - escala em Orongo" foi inovadora ainda na temática, cruzando ficção científica e o fantástico com uma mensagem de libertação social do Homem.”
Fiz a encomenda pela Internet e neste momento já estou na posse do álbum para o poder ler calmamente, não esquecendo o momento político em que foi escrito... há 35 anos atrás.


 
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Para quem quiser saber mais, poderá consultar o site: http://wanya-escalaemorongo.blogspot.com/

2008-02-11

Uma visita quase escaldante

Uma tarde destas, quando estavamos sentados na salinha pequena a estudar um plano para o tratamento das árvores de fruto, ouvimos um barulho estranho meio aflitivo e abafado. Levantámos a cabeça a esperámos que se repetisse, o que aconteceu poucos minutos depois. Percebemos que o som vinha do interior da salamandra. Abrimos a porta com cuidado e vimos com muita surpresa que se tratava de uma pardoca ou pardaleja, a fêmea do pardal.
Dizemos com muita surpresa porque já não esperavamos este tipo de visitas depois de termos mandado cobrir a saída da chaminé exterior com uma rede fina.
A fêmea imobilizou-se ao sentir a portinhola a abrir e nós aproveitámos esse momento para tirar algumas fotos.

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Foi uma sorte o animal ter dado sinais da sua presença. Se não fosse assim, com as noites tão frias que têm estado nesta zona, acabaríamos por dar origem a uma cena dramática quando acendêssemos a salamandra ao serão.

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Felizmente tudo acabou em bem e a pardaloca foi devolvida ao seu espaço, no qual entrou com um esvoaçar nervoso.

2008-01-28

O tremoço, este nosso amigo

Há poucas semanas andavamos em arrumações e descobrimos um saco de tremoços esquecido numa prateleira, já com 3 anos e que ainda por cima esteve em tempos numa arca frigorífica para os defender do bicho. Tudo indicava que teriam perdido a sua capacidade germinativa e por isso fizemos um teste e embrulhámos alguns em algodão molhado como fazíamos na escola. Passados 3 dias tinham este belo aspecto e por isso resolvemos lançá-los à terra para obtermos alguma produção.
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Dissemos lançar à terra e não semear, porque na verdade o tremoço não gosta de ser enterrado. Se o fizermos, ele torna à superfície, teimosamente, devido à sua maneira de ser que exige ser ele a escolher a forma de se agarrar à terra. Por isso a primeira fase foi esta:
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Como se seguiram dias de chuva persistente, num instante os tremoços perderam a sua secura, incharam e escolheram a melhor forma para se segurarem à terra
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Poucos dias depois já estavam mais crescidos e incomodados com o chapéu protector ...
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... e num instante começaram a livrar-se deles mostrando com alguma cautela a plantinha que vinha a emergir.

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Agora vamos ter que esperar uns meses para criarem vagem e depois o amadurecimento da semente para ser colhida, malhada, escolhida e ensacada.
O tremoço pertence à família Fabaceae e à espécie Lupinus
O seu nome teve origem na palavra árabe al-turmus. Na vizinha Espanha é conhecido por altramuz, tramúz, entremozo e chocho.
As primeiras referências a esta planta surgem no Egipto há cerca de 3.000 anos.
O tremoço é utilizado na alimentação humana e na dos animais, no enriquecimento dos solos, na indústria farmacêutica e na fitoremediação
Sempre pensámos que os tremoços eram péssimos para a saúde devido aos resquícios na memória de uma lenda repetidamente ouvida nos nossos tempos de criança em que teriam sido amaldiçoados pela Nossa Senhora.
Fugia a Sagrada Família no seu burrico quando, ao passarem por um campo de tremoceiros já maduros, estes chocalharam ao serem pisados e empurrados pelas patas do animal, denunciando o local de fuga aos seus perseguidores. A santa não lhes perdoou a fraqueza e lançou uma maldição que consistia em nunca matarem a fome a quem os comesse, o que se tornou num bem para as cervejarias e tascas que sabedoras desse castigo continuam a servir pires com tremoços que não matam a fome a ninguém e bem salgadinhos ainda têm a virtude de provocar mais sede e assim aumentarem o consumo das bebidas.
Algumas pessoas não sabem que os tremoços que comemos, foram primeiramente cozidos e depois cobertos de água mudada com frequência por diversos dias até perderem o seu amargo original. Se não houver este procedimento, são completamente intragáveis e altamente tóxicos.
Esse amargor é devido à presença de vários alcalóides como a anagirina (usada como cardiotónica e teratogénica), a esparteína (usado como ocitócico e antiarrítmico) a lupanina, (influenciando os centros respiratórios e vasomotores), a luteona e a wighteona. A intoxicação identifica-se por náuseas, vómitos, tonturas, dores abdominais, mucosas secas, hipotensão, retenção urinária, taquicardia.
Esta toxicidade desaparece após a fervura e o demolhar por vários dias, tornando o tremoço doce e um alimento de eleição beneficiando as pessoas e animais que se alimentem dele.
O tremoço é um excelente adubo em verde quando enterrado nas terras porque tem a faculdade de fixar o nitrogénio do ar, absolutamente necessário para o crescimento de novas plantas o que o torna também responsável pelo aparecimento de novos ecossistemas. As suas raízes conseguem descompactar e reduzir a erosão dos solos, ajudando à infiltração de água. Óptimo para melhorar a estrutura física dos solos. Resistente às geadas, gosta de Invernos húmidos e Verões secos
O tremoço é uma leguminosa tal como o feijão, a fava, o chícharo, o grão de bico, a ervilha, a lentilha, as giestas, os tojos, as olaias, etc
Tem o dobro das proteínas do que a maioria de outras leguminosas. É rico em ferro, fósforo, vitamina E, vitaminas do complexo B, biotina e ácido pantoténico
Estudos feitos na União Europeia, comprovam a sua acção no controlo dos níveis de açúcar no sangue, na redução do apetite, na diminuição da quantidade de colesterol no sangue, nos efeitos sobre a obstipação intestinal e por último ajudando a evitar o aumento da obesidade.
Costumam também ser referidas as suas propriedades emolientes, diuréticas e cicatrizantes, o combate a parasitas intestinais e também o seu estímulo na renovação das células favorecendo a regeneração da pele.
Em França existe um produto comercializado para o fortalecimento capilar utilizando peptídeos, vitaminas e oligoelementos retirados ao tremoceiro.
Há uma série de tratamentos caseiros que aconselham a ingestão de um ou mais tremoços amargos com a água de demolhar (ambos tóxicos) todas as manhãs em jejum para baixar o colesterol, os valores glicémicos ou as dores artríticas, mas nem nos arriscamos a divulgar aqui por ignorarmos o seu impacto nos organismos de cada um.
Depois de várias pesquisas, não conseguimos encontrar muitas receitas utilizando os tremoços. Apenas um rizotto que passamos para aqui:
Derreta manteiga e junte cebola e bacon, até ficarem fritos sem queimar. Junte depois os tremoços, o arroz e refogue bem. Acrescente um pouco de vinho e deixe evaporar. Deite um cubo de caldo de carne e a água suficiente para cozinhar o arroz. Quando estiver cozido, junte um pouco de nata e queijo ralado. Deixe arrefecer um pouco e acrescente um ovo apenas desmanchado.
E uma outra de bolinhos utilizando farinha de tremoço que desconhecemos se é comercializada em Portugal:
Misture muito bem 50 gr de açúcar com 90 gr de manteiga. Junte 100 gr de farinha de tremoço e 50 gr de amêndoas bem trituradas. Mexa energicamente até formar uma pasta homogénea. Faça pequenas bolinhas e coloque em tabuleiro untado. Leve ao forno por 20 a 30 minutos
Também vimos sugestões para introduzir tremoços nas saladas de alface, tomate, agrião ou misturados nas verduras que acompanham o bacalhau, o salmão fumado, com alguns cozidos de carne ou a acompanhar pratos de queijo.
Não queríamos finalizar este texto sem nos referirmos ao grupo de investigadores pertencente ao departamento de Botânica e Engenharia Biológica do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa que conseguiu criar um fungicida natural de toxicidade nula a partir de uma proteína do tremoço germinado, designada de BLAD (Banda de Lupinus Alpus Doce).
O produto denominado Problad além de uma forte actividade fungicida tem um poderoso efeito bioestimulante sobre as plantas. Pode ser utilizado na vinha, nos relvados desportivos, nas culturas de estufa propícias à proliferação de fungos, na agricultura biológica em geral.
Como pode ser ingerido pelo homem, evita o cumprimento do intervalo de segurança exigido por lei no uso de pesticidas químicos. É um produto completamente inovador a nível internacional e está a ser objecto de homologação nos Estados Unidos e na União Europeia, esperando-se que ainda este ano comece a ser lançado no mercado mundial.