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2008-02-18

Vem aí a Primavera

Aproveitámos a manhã para tirar algumas fotos e falar desta próxima chegada da Primavera. Não fora o frio intenso que se faz sentir durante a noite e já pensávamos ter terminado o Inverno. As plantas também se baralham com a diferença de temperatura entre o dia e a noite e por isso nota-se um atraso no desenvolvimento das flores em relação a outras zonas do nosso país.
As que se apressaram a abrir no jardim foram as da cameleira e do marmeleiro japonês, como podem ver na foto abaixo


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... as pequeninas do hamamélis


... os amentilhos pubescentes do salgueiro


E as primeiras flores dos damasqueiros, estando a aparecer também as dos pessegueiros de fruto temporão e as das amendoeiras










Ainda que as flores estejam um bocado cautelosas para não abrirem numa altura pouco conveniente, os animais é que estão a modificar rapidamente os seus comportamentos perante esta promessa de Primavera.

O pavão do nosso caseiro, o Jacob, veio viver connosco para assim ter o prazer de conviver com a Mariana a pavoa que já apresentámos num texto antigo quando foi sujeita a uma melindrosa operação à qual resistiu. Sendo ela uma jovem viúva, depressa se interessou por este novo namorado ao ponto de o acompanhar pernoitando com ele em cima do telhado da capoeira, ao relento, mesmo com estas temperaturas negativas..
O Jacob esforça-se agora para impressionar ainda mais a sua companheira, exibindo-lhe constantemente o seu rabo de penas coloridas, sem se aperceber que ainda é cedo e que as suas penas pouco desenvolvidas ainda não estão muito famosas para amolecer o coração da Mariana numa violenta paixão. Talvez por isso o desinteresse dela - mais que evidente - por esta pobre exibição do apressado Jacob. Apenas uma ou outra galinha é que lhe dirige um olhar de estranheza
.

De frente...


de lado...


... e de costas

2007-07-28

O sorriso da Albizia

Ao consultarmos um livro com fotos de árvores de jardim, ficámos rendidos a uma belíssima Albizia julibrissin, também conhecida por Acácia-de-Constantinopla ou Árvore-da-Seda. Não descansámos enquanto não comprámos uma jovem árvore que plantámos no relvado. Ficou meia esquecida e foi crescendo modestamente, sem exigir tratamento nenhum especial. Um dia ficámos intrigados ao vermos uma pena rosada que se encontrava presa na folhagem. Que pássaro teria penas cor-de-rosa? E ao aproximarmo-nos pudemos constatar que não se tratava de uma pena, mas sim de uma frágil flor, a primeira, que a acácia nos oferecia. Tornou-se numa árvore adulta mimoseando-nos nestes últimos anos com uma floração muito abundante, o que nos dá um enorme prazer. A madeira é muito macia e os ramos partem-se facilmente se sujeitos ao peso dos garotos nas suas brincadeiras e tropelias.
 
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Tudo nesta árvore é gracioso: o porte, a folhagem idêntica à dos fetos, as flores de perfume suave, compostas por tufos de fios de seda rosados e cremes, de uma delicadeza extraordinária.
Pertence à extensa família das Leguminosas e à divisão das Mimosoideae, tal como a acácia-mimosa. Começámos a ficar um pouco apreensivos ao vermos surgir algumas novas acácias nos canteiros e no próprio relvado. Lemos mais tarde o post do Pedro na Sombra Verde que informa não estar a Acácia de Constantinopla referenciada como invasora, embora o seja nos Estados Unidos da América, nos estados do Sudeste onde foi introduzida no séc. XVIII. Vamos ver como é que as coisas evoluem..


Entretanto enquanto escrevíamos este post, recebemos um mail com várias fotos de bonsais. Uma delas parecia ser mesmo de uma albizia julibrissin o que nos deu uma tristeza enorme. Só quem não nos conhece é que pode pensar que temos algum prazer perante o espectáculo de um bonsai. Não conseguimos suportar a contemplação de árvores de grande porte condenadas à miniaturização em que o grande feito é torná-la o mais minúscula possível. Ver um bonsai dá-nos uma sensação de angústia e claustrofobia. Não conseguimos sentir a obra de arte, mas sim o acto em que se sacrifica a árvore, condenada a viver num vaso ridículo, ainda que a receber atenções extremas com grande frequência. Por incapacidade nossa, não conseguimos acompanhar o misticismo que dizem envolver o bonsai e não conseguimos evitar o espanto quando ouvimos dizer que a “arte” necessária para fazer um bonsai exige um grande amor pelas plantas e o respeito pela natureza. Aos nossos amigos que são apaixonados por esta técnica (e que já conhecem sobejamente este nosso discurso) diremos, mais uma vez, que para nós, o amor e o respeito pela Natureza são completamente estranhos a este tipo de práticas.


Aqui fica outra foto da nossa Albizia, uma árvore feliz

 
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2007-04-25

A voluptuosidade da dama-da-noite

O Cestrum nocturnum, mais conhecido por dama-da-noite é um arbusto que pode atingir os 4 metros, com ramos sinuosos e pendentes e umas modestas florzinhas ligeiramente campanuladas de cor branco-esverdeado formando pequenos cachos. A modéstia das flores é apenas aparente porque ao fechar a tarde e durante toda a noite, as florzinhas abrem e deixam sair um perfume doce e muito intenso.
Conhecemos esta planta há muitos anos, numas férias passadas em Altura-Algarve no jardim da moradia que alugámos. De dia não se dava por ela, mas quando começava a noite, o aroma entrava sorrateiramente pela janela aberta do quarto onde dormíamos e quando nos apercebíamos já estávamos envoltos num perfume denso que nos despertava do sono e da moleza do corpo.
A proprietária da casa ofereceu-nos várias estacas e uma delas desenvolveu-se no nosso pequeno jardim de S. Pedro do Estoril. Cresceu imenso e era sempre com um enorme prazer que sentíamos o seu perfume avançar lentamente, invadindo todo o espaço envolvente nas quentes noites de verão
Mais tarde espetei várias estacas aqui na quinta mas sem nenhum sucesso.
No Verão passado ao vê-la num horto algarvio, trouxe-a envasada. com este ar saudável e com as flores abertas revelando imediatamente que o dia tinha chegado ao fim.
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Manteve-se assim bonita até chegar o Inverno. Mas o frio atingiu valores tais nesta zona que a pobrezinha preparada para os climas tropicais de onde é originária, acabou por “melar” - ainda que recolhida - e ficou entre a vida e a morte. Agora está a dar sinais de querer recuperar.
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Muito recentemente é que soubemos que não aguenta temperaturas inferiores a 5º e neste Inverno descemos muito abaixo dos 0º. Teremos que pensar numa forma de a proteger futuramente.
O facto de só libertar o perfume à noite, não é por se preocupar em criar ambientes sensuais nos quartos de cada um, mas sim para atrair os seus insectos polinizadores que por sinal são nocturnos.
Há muitas pessoas que não apreciam o aroma forte e doce da dama-da-noite, provocando-lhes até dores de cabeça. Felizmente não é o nosso caso.
As folhas secas em infusão são usadas para combater a epilepsia mas é preciso ter muito cuidado porque é uma planta altamente tóxica, podendo provocar náuseas, vómitos, alucinações, distúrbios do comportamento, etc
O óleo essencial extraído das suas flores é usado para manter o vigor sexual.
Fizemos uma série de pesquisas ao lermos algures que os antigos costumavam ofertar a dama-da-noite nas homenagens a Vénus mas não conseguimos obter mais informações sobre o assunto.
A palavra perfume deriva do latim “per fumum” que significa “pelo fumo” ou “através do fumo”.
O perfumar seria um acto religioso em que através da combustão de madeiras e de plantas odoríferas, os pedidos e orações subiriam com o fumo até à morada dos deuses.
Mais tarde alguns aromas serviriam para purificar, afastando os demónios e só muito mais tarde é que foram usados de uma forma profana como meio de sedução ou de embelezamento.
Achámos este tema de tal maneira interessante que em breve voltaremos a ele para falarmos sobre os vários processos de recolha de substâncias odoríferas, suas aplicações e a preferência de determinados aromas no evoluir da História.

2006-11-09

Cantinhos do meu jardim

Não tenho aparecido porque ando um bocado enchirida (nem sei como escrever o diabo desta palavra tão vulgar aqui na zona) o que quer dizer que ando assim meia tristita, adoentada e sem vontade para nada. O tempo disponível ocupo-o a ler os blogs dos amigos que são de tal maneira interessantes que me limito a usufruir do prazer da leitura. Mas, para não deixar este blog mais tempo parado o que já começa a preocupar os amigos mais próximos, resolvi publicar algumas fotos tiradas no meu jardim.

Um castanheiro generoso













Uma abelha no Callistemon













Salva (Salvia officinalis)














Mangericão (Ocimum basilicum)













Erva-cidreira (Melissa officinalis)












Poejos em flor (Mentha pulegium)